Terça-feira, Agosto 05, 2008

 

Going with the flow

Viajar é um enorme prazer para toda a gente, embora diferentes pessoas prefiram diferentes tipos de viagem (por isso não se deixem enganar pela toada de desabafo de um dos poucos aspectos negativos da viagem). Para um backpacker a viagem ideal é aquela em que consegue manter-se à tona da água com pouco dinheiro, onde conhece de forma particularmente intensa a realidade local, consegue cobrir uma área considerável, conhece bons companheiros de viagem e principalmente fez uma viagem que é única, que é sua. Por uma questão lógica quando temos muitas pessoas a optarem por este tipo de viagem num percurso com poucas opções perde-se este elemento de exclusividade e sentimo-nos desiludidos com a viagem. Alguns momentos nesta viagem provocarem este sentimento que pode ser melhor exposto através dos seguintes exemplos.
Na primeira ocasião tínhamos saído em Surah Tani, num avião com origem em Bangkok. O destino final era a ilha de Ko Pagnha e para lá chegar era necessário viajar até ao porto apanhar um ferry. No aeroporto de chegada e uma vez com as malas levantadas os pensamentos seguintes são dirigidos a como sair do aeroporto e que transporte apanhar para o destino final. Normalmente nestes locais não temos a opção do comboio e muito menos do metro. Resta então algum tipo de transporte individual, como o táxi, ou colectivo, como o autocarro. Para distâncias curtas e num país com preços relativamente baixos o táxi é uma opção muito forte (45 min em táxi fica por cerca de 6€), mas para distâncias superiores é normal optar pelo autocarro. Neste caso quando saímos do aeroporto estavam já 2 autocarros à nossa espera e uma vez que isto ia de encontro às nossas expectativas para a distância a percorrer ficamos obviamente satisfeitos com o facto consumado. A desilusão veio porque os 2 autocarros foram totalmente preenchidos de (a capacidade total era de 100) pessoas que iam fazer exactamente o mesmo que nós: chegar às ilhas no sul da Tailândia. Só mais tarde, já no ferry, iria alcançar a figura de estilo perfeita para o que estava a passar: vi 40 porcos enjaulados na traseira de uma camioneta. O alto funcionário da agência de viagens que controlava o autocarro procurava a todo o custo saber para que ilha nos dirigíamos e assim vender-nos não apenas o bilhete de autocarro mas também o bilhete de barco para o destino final, conseguindo assim um preço de “bundle” (pela dificuldade que teve em calcular o custo para apenas uma parte do percurso ficou claro que o famoso bundle era a única opção disponível). As almas que a partir daí tiveram fome na mesma cidade que nós, que viajaram connosco de autocarro até ao porto continental e daí até ao porto da ilha e que depois procuraram hotel nas mesmas condições, foram sempre as mesmas, criando-se uma certa familiaridade que eliminou toda a exclusividade do que fazíamos. Sentia a ideia de ir até Ko Pagnhan desde Bangkok como universal e estava em época baixa, ou seja, poucos dias após a “full moon party”.
Sair de Ko Pagnhan de noite, para evitar assim pagar uma noite em hostel e no dia seguinte de manhã continuar com uma viagem de autocarro que cruza a península até ao local onde apanhamos o barco que vai até à ilha final num total de 15 horas, parece um plano razoável e ao que depois conclui, é razoável para muito mais pessoas! Perto das 9 da noite quando nos aproximámos da carrinha que nos ia levar ao porto começou a desilusão. Éramos mais do que aqueles que a carrinha estava legalmente habilitada a levar. Depois de empacotados, nós, carne humana (em parte carne britânica e jovem o que piorou em termos sonoros a coisa), fomos deixados no porto onde entrando no barco podíamos rapidamente escolher o nosso bocado de colchão na madeira. A espera enquanto os capitães locais procuravam encher o barco foi revoltante. Uma vez no mar foi possível dormir, em grande companhia. Cansados esperávamos facilidades mas para nós que tínhamos um bilhete “door-to-door” o pior estava ainda para vir. No autocarro que atravessaria a península quase não havia lugares e o frio do ar condicionado era difícil de aguentar. Uma vez superada esta prova de 3 horas faltava a última e mais difícil. Chegados ao último ponto de partida a espera de 2 horas em pé pelo barco, num cenário de chuva, quando nos dirigíamos para uma ilha onde pretendíamos fazer praia e depois de uma noite em que praticamente não havíamos dormido foi desesperante. Uma vez no barco apinhado de “carne humana” a única coisa que nos alegrou foi um grupo de australianos que como diversão colocavam as cascas da fruta que tinham acabado de comer na cabeça uns dos outros enquanto tiravam fotografias. A viagem até lá tinha sido dura mas não tanto!
Quando saímos finalmente de Chiang Mai (digo finalmente sem qualquer desprimor porque gostei sinceramente da cidade) e entrámos às 7 da manhã num autocarro repleto de locais e que partia com direcção a norte, chegando à sua última paragem na fronteira com o Laos, pensei sinceramente que este fenómeno não se iria repetir nesta viagem. A minha inocência alicerçava-se em simples sinais como a viagem de autocarro ter sido feita com pouca companhia turística e estarmos em época baixa. Fui novamente surpreendido. Os primeiros sinais de que me havia enganado estavam ali quando fui jantar nessa noite e principalmente no dia seguinte de manhã. A agitação de táxis para levar a manada para o “porto” desta cidade fronteiriça e principalmente a espera de hora e meia enquanto carregavam o barco de “carne humana” foram demasiado claras de que mais uma vez não estava só…
Pior que sentir este assalto à exclusividade foi outro ponto comum a todas as situações e que conseguiu consumir-me ainda mais o espírito. É que no Sudoeste asiático não existe o conceito de horário de partida, mas antes o conceito de lotação de partida. Para quem foi informado que existe uma hora de saída para que assim consigam cumprir quanto muito com a “hora média de partida” (o que é isso?), que no último caso era entre as 11 e o meio-dia, é revoltante ver que a partir das 10 horas, altura em que o barco se apresentava bastante vazio, há uma constante aglomeração de companheiros na “exclusividade” que vão entrando com um ar de sofrimento de quem carrega a mala como sendo a própria cruz e procura depois um lugar, cada vez mais escasso, enquanto o barco vai afastando a água do rio até atingir a sua altura mínima relativamente ao nível da água com cerca de 80 pessoas a bordo. Valeu-nos o facto de termos os melhores lugares do barco numa viagem que prometia ser longa… No entanto, no ponto sublime do que descrevo em cima esteve o dia seguinte, em que ninguém teve qualquer tipo de sorte. Se tínhamos feito metade da viagem até Luang Prabang em dois barcos, os gestores da frota planeavam, enquanto descansávamos, fazer a segunda metade desta viagem em apenas um barco com as mesmas dimensões. Levaram de tal maneira ao extremo este seu princípio minimizador do conforto humano que hordas de revolução se levantaram dentro do barco quando turistas continuavam a entrar num barco já saturado e mesmo sem lugares livres. Enquanto pessoas se instalavam no chão as palavras de ordem eram: “Second boat” e “Let’s leave this boat”. Sorrindo e sem emitir qualquer palavra, os Tailandeses que planeavam a viagem, não emitiam uma palavra. A sua solução foi a de atirar o barco ao mar enquanto alguns turistas mais ferozes se agarravam a tudo o que estava perto do barco para não o deixar partir nestas condições de segurança. Outros atiraram-se logo aos poucos coletes que estavam disponíveis, num receio de que o peso que carregávamos pudesse em algum momento da viagem tornar-se insuportável para a carcaça de madeira. Certamente se sentiram mais seguros que os restantes quando o condutor de um barco mais pequeno que passava ao largo começou a apontar para a traseira da nossa tábua e o nosso “comandante” começou a dar voltas no mesmo local enquanto espera ajuda.
Depois de Luang Prabang (cidade histórica e antiga capital do que agora é o Laos) e quando me dirigir para uma cidade altamente turista como é Vang Vieng e daí para a ainda mais turística Angkor, não voltarei a cair no erro de pensar que estou num tipo de viagem altamente comercial como é o backpacker no sudoeste asiático e que serei consideravelmente enganado.
Percebemos que somos rodas dentadas numa enorme máquina industrial, quando em qualquer local onde chegamos encontramos as mesmas pringles, as mesmas lays, as mesmas oreo, as mesmas Chao beer, etc… Os preços esses, são o dobro do que qualquer um destes artigos podia ser comprado num supermercado no nosso país. É o prémio que o turista paga pela “exclusividade”.
Deste texto pode resultar a sensação natural de que esta é uma viagem que até agora me teria desiludido e que não valeria a pena fazer. Nada estaria mais profundamente errado. Sempre que falei na possibilidade de fazer esta viagem, o simples facto do meu interlocutor, fosse ele qual fosse, dizer sempre que conhecia algum português (povo normalmente sedentário o suficiente para nunca chegar tão longe) que já tinha feito essa viagem, me resfriava muitíssimo o apetite. Quando decidi fazê-la foi com essa certeza em mente mas com expectativa, agora superada, de que conhecer esta parte do mundo seria algo de fascinante, custasse o que custasse.

 

On the head of an elephant (Day 15: 2 de Agosto, Sábado)

A bonança, bem como a dificuldade de dormir, tinham chegado com o cantar frenético dos galos. O pequeno-almoço marca uma nova etapa. No entanto, um pequeno revés: à imagem do que já vem sendo habitual nos Tailandeses que gostam de nos empacotar, as contas tinham sido mal feitas. Como quem não quer a coisa, o guia, chegando-se ao pé de mim, deixa cair a ideia de que há um elefante a menos e alguém terá de ir na cabeça de um deles. Confortável, tenta convencer-me. Não duvidei muito sobre a quem tinha saído a sorte grande. O fotógrafo, Ricardo, não poderia correr o risco de falta de estabilidade e as meninas estavam protegidas pela aura do cavalheirismo. Pouco mais de uma hora em que estes enormes animais cruzaram os rápidos sem nunca afundar completamente e respirando com a tromba fora de água. Deixara-se irritar, isso sim, com a minha presença na sua cabeça o que explica ter agarrado um ramo com a tromba que utilizou para me castigar. Justo, afinal eu tinha pago para viver o desafio que ainda estava no princípio porque faltava descer parte do rio numa jangada de bambo… A ideia parecia fácil embora desconfortável. 2 horas em cima de bamboos e utilizando outro para pressionar o fundo do mar e direccionar a jangada não é uma actividade suave. A apreensão surge quando quem comandava a expedição parou numa aldeia para angariar condutores de popa para as jangadas que até à altura só levavam condutor de proa. A razão: havia chovido muito e o rio estava muito rápido. A nossa jangada, claro, não contaria com esse suplemento de segurança. Contava antes com a contribuição dos dois jovens ocidentais disponíveis. Ricardo na traseira, eu ligeiramente mais à frente, lá íamos entre trambolhões nos troços mais rápidos aguentando a jangada. Perdemos várias vezes os nossos auxiliares de bamboo, mas curiosamente vinham sempre ter connosco. Havia alguma apreensão no grupo sempre que a jangada afundava ou se inclinava decisivamente para um lado, mas havia uma confiança de que chegaríamos ao final sem grandes histórias para contar. O futuro surpreendeu-nos. Mais um tronco que se esticava rio dentro e que foi ganhando poder de inércia à medida que ia ficando preso ora nas pernas do primeiro passageiro, ora do segundo…até chegar às minhas pernas onde ganhou o embalo decisivo para atirar borda fora o nosso último passageiro, o fotógrafo Ricardo. Quando olho para trás grito homem à água e atiro-me para a traseira esticando o bamboo na sua direcção para o tentar trazer novamente para bordo numa altura em que a sua cara de sofrimento revelava as pedras na profundidade (não muita) do rio. Com pés martirizados, foi com satisfação que regressou à jangada para encerrarmos os dois dias do famoso trekking. O Ricardo ainda iria fazer o que faltava do rio em ratfing num barco desta feita insuflável. O resto dia do servia para preparar a viagem seguinte no que a partir de agora seria um contínuo de partidas.

 

Perfect Storm above our heads (Day 14: 1 de Agosto, 6ª feira)

Acordados cedo para dois dias de aventura fomos levados até ao primeiro ponto de paragem do programa padrão (porque cerca de muitas agências em Chiang Mai vendiam o mesmo programa) em que íamos tomar banho numas cataratas. Só o recém-chegado Ricardo se aventurou em banhos debaixo da forte queda de água numa altura em que começou a chover e apetecia tudo menos uma exposição ao frio. Era apenas um sinal dos céus para o que estava para vir. Depois, numa nascente de água quente, tomei, aí sim, o meu banho de imersão (único com tal iniciativa) e preparámo-nos todos para arrancar para a caminhada de cerca de 4 horas, ao longo de não sei bem que distância. A companhia para a caminhada era genial: uma família holandesa de 4 elementos (pais e casal de filhos) acompanhada de avô, viúvo há menos de um ano. Depois de sabermos que o pai tinha trabalhado na Philips Traffic (razão pela qual já tinha estado em Portugal em reuniões com a Brisa, desmistificando perante a orgulhosa Rita o mito de que a Via-Verde foi invenção portuguesa) e agora tinha duas empresas: 1 de formação de liderança que dava formação à média gestão e outra de recursos humanos que promovia o encontro entre mulheres licenciadas, com filhos e disponíveis para trabalhar apenas em part-time e empresas com estrutura não suficientemente grande para justificar um recurso especializado a tempo inteiro (ele explica, que ao contrário do que se poderia imaginar, a sociedade holandesa é bastante machista e foi a falta de população activa a promover este movimento). Era o caso da sua mulher que era uma secretária freelancer. Como boa família holandesa que era falava abertamente sobre todos os temas na frente dos filhos pelo que as primeiras conversas tocavam essencialmente temas como a liberalização das drogas e do álcool… Este casal acabou por se revelar numa grande companhia, sem dúvida.
A caminhada começou tranquilamente, com chuva miudinha que manteve a primeira subida lamacenta durante as primeiras horas enquanto tentava manter os sapatos limpos no que acabou por se revelar ridículo. O passeio por entre o verde denso era apaixonante. A densidade florestal deixava adivinhar uma grande e diversa fauna de aves que no entanto estava (e) migrada. Ocasionalmente o cheiro a estrume fresco fazia-me questionar sobre que animal domesticado, ou não, estaria a percorrer aquelas inóspitas encostas em busca de comida. Elefantes e búfalos seriam a resposta percebida no dia seguinte. A culminar uma das várias e longas subidas a vista sobre a imensidão dos vales e montanhas no norte Tailandês. A nebulosidade das proximidades não deixava perceber o que o guia descrevia como uma paisagem até ao limite do horizonte, mas nem por isso deixou de apaixonar. No topo da montanha, e por isso sem tecto de árvores, surge a sugestão de voltar a vestir os impermeáveis que tinham sido descartados pelo calor que estavam a provocar na dura subida, em caminho estreito. Na altura apenas um aguaceiro mas em breve viria o elemento que iria determinar o resto do nosso dia e marcá-lo de forma determinante: com todas as forças das monções abate-se sobre nós a destruição dos céus. Uma chuva como nunca tinha visto. Mais do que vista, esta chuva foi sentida. Era irrelevante se estávamos com impermeável ou não. Todos nós escorríamos água. Todos éramos afinal, água. As preocupações do grupo quando faltavam mais de 2 horas de caminhada eram simples: quem tinha máquinas de vários milhares de € batalhava com as probabilidades, os restantes procuravam manter-se em pé e andando em frente num terreno pantanoso e sempre inclinado. O desafio era grande principalmente porque tínhamos dois elementos com menos de 13 anos e outro com mais de 60 no grupo. Desafio era o nome do jogo e a razão pela qual era tão absorvente aquele momento. Se estivesse chateado com alguma coisa (o que não me lembro) esse sentimento desapareceu com o Desafio… Passo por umas bifas que estão de sandálias e verdadeiramente struglling. Depois o patriarca australiano passa por mim, tipo escorrega de lama uma vez. Depois outra. Ofereço-me para lhe levar uma das malas, num espírito de solidariedade que entretanto emerge. Uma paragem numa aldeia local e a esperança de que finalmente havíamos chegado. A dor da verdade mas a vontade de continuar pouco tempo depois da chegada para alcançar o destino ainda com luz solar. À chegada a felicidade, a roupa seca tirada de dentro de sacos plásticos, os litros de cerveja que caíram no vazio e inebriaram a noite enquanto esperávamos pelo jantar que tardou a chegar, dando tempo a que a natureza humana fosse percorrida em vários sentidos na troca intercultural de ideias. O descanso debaixo da fúria dos deuses foi possível até que às 2 da manhã fui lembrado que não tinha ido à casa-de-banho durante todo o dia… Não foi uma decisão fácil a de acordar os 10 companheiros de desafio à procura de luz, mas a natureza assim o exigiu…

 

Just the four of us (Day 13: 31 de Julho, 5ª feira)

Este foi o dia do encontro entre os dois “pares” que se conhecendo decidiram fazer a primeira viagem ao sudoeste asiático na mesma altura das suas vidas. Quando fomos acordados às 9 da manhã pelo “casal” recém chegado à Tailândia, havia uma certa ansiedade pela partilha daquilo que eram as experiências divergentes entre quem estava há duas semanas pelo sudoeste asiático e quem acabava de fazer uma viagem de 20 horas em avião seguida de outra de 11 em comboio. Este dia foi um compasso de espera importante para reagrupar as forças de quem as tinha pudesse ter perdido e visitar os últimos pontos de interesse da cidade que nos acolheu durante tanto tempo para uma viagem do género. Afinal de contas já lá iam 6 dias e o dia seguinte era de alguma (que acabou por se revelar muita) exigência física… Depois de escolhida a agência mais cara para a aventura, no briefing nenhuma referências às dificuldades que sentiríamos a partir do dia seguinte.

Quarta-feira, Julho 30, 2008

 

In the name of Budha


Posted by Picasa

 

Just for fun


Posted by Picasa

 

Preaching


Posted by Picasa

 

Strange result


Posted by Picasa

 

Difficult times


Posted by Picasa

 

Just for cooking


Posted by Picasa

 

Supostamente a caminho de the beach


Posted by Picasa

 

Going with the flow


Posted by Picasa

 

Paradise 1..

Posted by Picasa

 

Paradise 1.



 

Paradise 1


Posted by Picasa

 

Financial district, Bangkok


Posted by Picasa

 

On the phone with buda


Posted by Picasa

 

Budhist temples


Posted by Picasa

 

Lying Buda


Posted by Picasa

 

Dealing bananas

Posted by Picasa

 

Floating disaster



 

Negociando a bandeirada...

Posted by Picasa

 

Uma aventura ou um plano meticuloso?

Tem sido uma constante, as minhas viagens serem caracterizadas por terceiros como aventuras. O motivo talvez seja um conjunto de características comuns às mesmas, como a ausência de marcação de hotel para passar todas as noites, não ter transferências entre os diferentes pontos a visitar previamente estabelecidas e ainda a parca quantidade de objectos pessoais (roupa, medicamentos, cremes, objectos de casa de banho) ou bens típicos de primeira necessidade, que levo comigo. Começando por este último ponto é verdade que cada viagem que passa, o esforço para reduzir o peso acartado, é superior. No entanto por maior que seja o esforço acabamos sempre por esbarrar no essencial. “Ah se calhar vou precisar desta fixa com adaptar para 40 tipos de tomadas diferentes…”; “ Xi, já me esquecia de um creme para os pés, fundamental após longas caminhadas (este elemento é uma imagem de ficção sugerida pela visão da minha casa de banho com o famoso Fuss Fich esse grande desodorizante e refrescante de pés que na verdade nunca viajou comigo)”; “Onde é que está aquele livro que queria mesmo acabar. Esta viagem é a oportunidade ideal”; “Hum, acho que vou ainda levar o meu computador. Já não sei escrever à mão e assim garanto que fica tudo num formato editável e publicável (comodismo ou talvez não uma vez que implica andar com mais, e agora digo orgulhoso pela minha nova compra, 2 kgs do meu portátil de 12’’). Depois temos a roupa que é escolhida de acordo com uma fórmula simples: dias de viagem (DV)/ (factor de higiene1) x (boxer+T-shirt ou camisa+par de meias) + DV/(factor de higiene2) x calças + par de sapatos x cenários de viagem + diversos (saco cama, toalha, material de casa de banho e pouco mais). Depois de gerado um valor podemos fazer alguns ajustamentos que ultimamente têm feito a minha mala tender para zero. Por exemplo, nesta última viagem para os 25 dias de viagem o meu factor DV foi de apenas 15 (claro que também existe um limite no meu armário de cerca de 30, mas já revela boa vontade para com as minhas costas…). Estes ajustamentos estão profundamente relacionados com uma estimativa que fazemos das distâncias a percorrer e do tipo de mala que levamos. A ideia é estar 100% equipados com tudo o que nos vai fazer falta no mais remoto dos cenários… Sobre mala, estamos falados. Depois comentava os locais onde dormir. Aqui penso que olhar para um mapa, ler meia dúzia de comentários e atirar um cartão de crédito a um site desconhecido é extraordinariamente aventuroso. Pelo contrário, levar connosco um guia com 3 ou 4 opções possíveis e deixar que as circunstâncias do momento decidam a melhor opção (salvaguardando que no local não existe uma enchente), regateando eventualmente o preço pré-estabelecido é muito mais meticuloso. Este é o rumo que tenho seguido recentemente. Quanto aos locais a visitar não há muito para argumentar: quando vou a um destino tipicamente dá-se o caso de ter muito mais coisas a ver do que o tempo que tenho me permitiria. Cruzando uma hierarquia de prioridades com um percurso razoável chego a um plano altamente detalhado, com eventuais bifurcações de escolha aqui e ali, mas que no essencial é muito meticuloso. Quanto às deslocações entre os diferentes pontos do mapa a visitar confesso que o mais meticuloso e irritante é mesmo ter os famosos encontros à entrada do hotel para ir para o aeroporto num mini-bus que nos levam em horas de aborrecimento. Por outro lado não seria nada meticuloso ter ligações marcadas sem saber as datas exactas em que vou estar em cada sítio (muito menos a hora), embora tenha um elevado nível de previsibilidade. Assim esta parte fica parcialmente em aberto…
Um outro factor de planificação é a planificação já feita por terceiros. O que tenho sentido nesta viagem é que tudo o que tenho feito já foi feito por outros e normalmente, muitos outros. Por este motivo as coisas estão de tal maneira organizadas e previstas que mesmo que eu não planeie nada, letting my self go with the flow e tendo em conta aquilo que me apetece fazer em cada momento, conduz-me a uma viagem muito parecida com aquela que o plano mais meticuloso me poderia permitir. A melhor parte é que a terei alcançado sem tanto esforço pessoal…
Que lembre em termos de planeamento a única parte onde efectivamente perdi algum tempo (para além de fazer a mala) foi o ter-me colocado à disposição para a inoculação de uma entidade agressora de livre e espontânea vontade. Bolas a única parte que planeei foi estúpida…
Parece-me portanto que a questão inicial é difícil de responder…
Aventura ou não que seja mais uma viagem reveladora da riqueza da natureza (na sua componente geofísica, mas acima de tudo humana).

 

meditation retreat @ wat suan dok

Nunca conseguirei ser tão descritivo por isso aproveito quem teve essa capacidade antes de mim. Em baixo a descrição do curso de meditação que me ocupou entre os dias 11 e 12 da viagem. Esta discrição diz respeito a um curso igual ao que vivenciei em Chiang Mai, simplesmente em data posterior. As diferenças acontecem em pormenores nos quais não me consigo focar para descrever. Há, verdade seja dita, toda uma vivência interior que é única. Partilho algumas impressões:
· É estranho estar num grupo de 37 pessoas que não conhecemos, que chegaram a Chiang Mai com histórias de vida tão diferentes, que vêm de países tão distantes e depois vê-las passar por nós, todas vestidas de igual (branco) sem que no ar tenha ficado nenhuma palavra. Eventualmente um breve sorriso… Se a contenção verbal faz sentido neste contexto, como não pensar nas dezenas de oportunidades que diariamente temos para estar calados… Segundo o Budismo devemos apenas falar se o que vamos dizer está em sintonia com as pessoas à nossa volta, vai produzir efeitos positivos à nossa volta e for verdadeiro. Conseguimos pensar na percentagem de vezes em que abrimos a boca desta forma. Se calhar teria ficado mais tempo calado do que durante estes dois dias de retiro durante um dia normal…
· Para mim a meditação é mais como um treino da mente. Obviamente que pode parecer um pouco ridículo estar durante 1 hora a observar a minha respiração ou a andar e pensar direita, esquerda. Mas este treino da mente faz para mim sentido quando pretendo estar mais atento a cada pequeno aspecto que o presente tem para me oferecer. Quantas vezes não estamos a trabalhar, a resolver problemas uns atrás dos outros e se nos perguntássemos o que estivemos a fazer não sabíamos responder. Uma mente que pensa esquerda e direita saberia responder. Quantas vezes nos irritamos com uma pessoa. Uma mente que conta um, dois,… a cada inspiração teria notado o momento em que a irritação surgiu.

tuesday, february 12, 2008

2pm - flag a saengtaw to wat suan dok. the next two passengers to get on are two aussie girls who happen to be heading to the retreat too!

2:15pm - we arrive at the monk chat office at wat suan dok, it feels like the first day of school or summer camp or something. a few people are waving to friends or fellow travelers they recognize. most people are quiet and keeping to themselves, but there’s a group of “bad girls” - the ones who would be in detention soon if this were really the first day of school - they’re chatting loudly amongst themselves while one with scruffy bleach-blond hair juggles some random objects fished out of her huge backpack. i wonder how they’ll fare when we have to be “silent”… over 50 people showed up for this week’s retreat - mostly twenty-somethings, and from countries all over the globe: ireland, switzerland, fance, UK, australia, NZ, germany, portugal, you name it! plus about a half-dozen from the good old US of A. most have packed light since our stay is only overnight, but others that are in transit are toting those huge “backpacker” bags (geez i’m so happy i don’t have one of those!)

3pm - we all gather in the meditation room for an introduction to buddhism - the history, general concepts, etc. including a question and answer period, led by a young cambodian monk named phra chuni. we start off by going around the room and introducing ourselves, where we’re from, and telling about our previous experience with meditation. for most, this is their first time practicing, although there are a few who have been on retreats before or who make it a part of their daily practice.

4:30pm - our saengtaw (it took 3 to fit us all!) arrive at the meditation center, a bumpy 25 minute ride from central chiang mai, in the middle of a small country village. we met “mr. ben,” a young, sort of chubby thai student, who would serve as our “event coordinator” for us during our stay. mr. ben assigned us rooms and i paired up with a taiwanese yoga instructor from new york named chati. all the participant’s rooms are in the same long, narrow building, and all the rooms are spacious and clean. on our beds are a set of white clothing for us to wear. as “novice” meditators it is tradition for us to wear white, while the monks wear the traditional saffron-colored robes.

6pm - the gong sounds for dinner and we all gather in the dining hall. before we eat, we chant in the pali language in order to contemplate on the food before eating it. our senior monk explains that it is important for us to remember that we are eating for the nourishment of our bodies, and the nourishment of our hearts and minds as well. we also must keep in mind those who are less fortunate and who don’t have enough to eat. from this point on, we are to be silent, out of respect for one another’s meditation practice. even something as simple as eating can be done with mindfulness and a “medatative mind”, rather than rushing through a meal and barely even noticing what we ate. (that said, dinner was vegetarian pad thai and it was delicious!)

6:30pm - we’re welcomed in the meditation hall by the senior monk, Phra Dr. Saneh Dhammavaro, and four young monks of various backgrounds - they come from cambodia, burma, vietnam. our head monk is from thailand though, and he speaks very softly, and slowly (he sounds so wise!) and always encourages us to have a “happy face,” which i thought was cute. his english is good, although he gets caught up on phrases here and there, he always speaks with an earnestness and sincerity. we learn to pay homage to the “triple gems” - the buddha, the darmha (his teachings), and the sangha (the people), then we are taught the basic techniques of meditation - sitting meditation, walking meditation, and lying meditation. all are pretty challenging for me, but i found that my favorite was lying meditation, as it was the easiest to keep my mind from being distracted in this state. (although it was difficult to keep awake at times!)

8:45pm - we finish up our group meditation session by “spreading loving kindness” to all living beings. our teacher explains that this means ALL living beings, there are no exceptions for your enemies, for animals (even those pesky mosquitoes), people who are at war, etc. - ALL living beings deserve your compassion, good wishes, and loving kindness. among the things that we chant are that all living beings be free of suffering, depression, pain, violence, war, hatred, and anger. we also send out wishes of happiness and peace, then pay respect to the triple gems one more time before heading to our rooms.

9pm - time for an evening snack prepared by the staff - hot cocoa, tea and cookies. so cute! again, we eat in silence and some headed to the meditation room to practice sitting meditations, some heading for the courtyard to practice walking meditation… i headed to bed to practice lying meditation, and was soon drifting off to a calm, peaceful sleep. because we’re out in the countryside, the only noises you hear are crickets, frogs, and various other animals humming us softly to sleep.

wednesday, february 13, 2008

5am - the gong sounds, rousing me from my peaceful sleep - no kidding, i was drooling and everything!

5:30am - we report to the meditation hall for some gentle yoga, stretching, and morning meditation. we also did a few exercises that require coordination in order to “wake up your mind” so that you don’t fall asleep when meditating, which sort of reminded me of playing patty-cake. haha!

7am - we all line up in the courtyard for the practice of giving alms offerings to the monks. here in thailand, buddhism is a part of daily life. the monks provide spiritual guidance and health for the people, and in return the people offer food, clothing, and anything else they need. if you go out early enough in the morning, especially in more rurual areas, you will see monks going from home to home and receiving the alms offerings in the street. to show us what it is like, we each stood with a bowl of steamed rice, and offered a spoonful to the monks as they passed through. then we were all to kneel on the ground and the monks chanted blessings for us in pali language - wishing us peace, health, happiness, etc. it was very moving! part of why thai people are so happy all the time is tied into this practice - they learn by giving alms to give from the heart.

7:15am - breakfast is served, after our morning chanting. you could have either toast (for the westerners) or a delicious vegetable and rice soup with thai chilies. now that’s my kind of breakfast! mmm!

8:30am - we break into two groups for discussion. our group talks about all kinds of things - the practice, where we are all from, buddhism, reincarnation, do monks play video games, and more. (yes, they do, by the way. haha)

10am - we meet for one last meditation session where we learn a more advanced walking meditation, then practice a sitting meditation on our own - the first unguided meditation of our stay.

11:30am - our last meal together (vegetarian green curry, yum!), again in silence. everyone seems a little bit sad - we all know we’re leaving soon and no one wants to go. it’s been a great introduction to the practice and we’re all just getting to rise above the uncomfortable sensations of trying to quiet our minds.

12:15pm - we clean up our rooms and head to the main hall for a group picture (which is supposed to be available to download from their website in a few weeks!) then we climb into the three saengtaw to head back to chiang mai.

i really enjoyed my time at the center, and i would definitely do it again. i also really enjoy the monk chat program run by the buddhist university here, and hosted by some of the same monks in our program. it gives you a chance to sit informally with the monks, and ask questions about buddhism or meditation and to understand how to make the practice work for you. overall, i really love the ideas that came out of this retreat. i love that they don’t try to force you to believe what they believe (in fact, some of the participants were christian and even muslim!) but they just wish that every person has the chance to learn something new or to take away a feeling of calm and peace. as our senior monk would tell us whenever we’d open our eyes from meditation - “smiling face, please”… i definitely left with a smiling face. =) they say to practice on our own, just 5 minutes each night before you fall asleep, and 5 minutes when you wake up each morning. i definitely think i can make the time for that!

 

Worrying skin (Day 12: 30 de Julho, 4ª feira)

A pele da Rita estava irreconhecível. Não tinha dormido toda a noite. Dizia ainda que sentia a temperatura acima do normal. Uma vez que este alergia tem tendência a diminuir durante o dia e provavelmente nada poderia ser resolvido naquele momento decidiu corajosa aguardar pelo regresso à cidade a seguir ao almoço. No hospital, nada de novo. Levou mais tempo do que da primeira vez porque era dia de semana e a conclusão do médico foi a mesma: intensificar a dose de cortizona e ir novamente ao hospital no dia seguinte para ouvir o especialista dizer a mesma coisa. Com aquela reacção da pele não era caso para menos…
Depois de um dia de meditação nada como um combate de Muai Thai para manter o espírito de paz interior. A prova desportiva, mais próxima da agressividade humana que tinha assistido ao vivo eram as touradas. Não pude então de ficar positivamente surpreendido com esta forma de dança de serpente que é a luta Muai Thai. Para além de ser um combate corajoso porquanto existem poucos limites aos golpes a utilizar (pontapés, cotoveladas, joelhadas, socos e com exclusão apenas da cabeçada essa forma tão bonita de arte) é ainda dinâmico e coreográfico. A intensidade cobarde com que vivi o combate é uma garantia de que voltarei a interessar-me por Muai Thai.

 

Going inside (Day 11: 29 de Julho, 3ª feira)

O dia começa com o re-packing, preparando a saída do hotel. Esta seria uma saída de apenas uma noite em que íamos ficar no mosteiro budista. Há uma certa curiosidade na minha cabeça. Há pouco tempo fiz um pequeno retiro de meditação em Portugal (o que é relativo porque foi de duas noites e este seria de apenas uma), mas este teria toda uma nova componente cultural de contacto directo com monges tailandeses e com um grupo de pessoas de todas as partes do mundo. Uma vez que o programa inclui tempos de discussão sobre alguns temas de espiritualidade havia um potencial de acréscimo de valor interior considerável. Antes de entrar em silêncio, havia ainda tempo para uma subida à montanha que vigia a cidade de Chiang Mai e onde se encontra mais um templo repleto de estátuas de buda que devem ser olhadas de forma cabisbaixa.


 

Sweat song (Day 10: 28 de Julho, 2ª feira)

Um dia claramente diferente. Começar com uma ida ao mercado para depois passar à cozinha é uma experiência pela qual não esperava passar voluntariamente. Mas no fundo é melhor dar o primeiro passo antes que a realidade venha por ela ter connosco. Aprender a cozinhar… Ai está um desafio extraordinariamente ousado para mim. Depois do esforço sobre humano em Erasmus nunca mais tinha entrada numa cozinha com este objectivo, muito menos para cozinhar algo que adivinhava complexo. Mais uma vez estava enganado. Talvez porque o curso esteja feito dessa maneira e nos é explicado tudo com detalhe. Não evitei no entanto apanhar com vários projécteis de óleo a arder. No fim era mais a barrigada pelo que tinha cozinhado para comer do que propriamente os conhecimentos de cozinha. Mas alguma coisa ficou e quando voltar à cozinha com este objectivo, receitas tailandesas estarão no menu…
Digestão a ver um filme. Uma vez acabado a barriga ainda continuava a batalhar. A única solução: uma longa caminhada até à zona de vida nocturna. Um bar sobre o rio a fazer-me lembrar a minha cidade… Estou cada vez mais apaixonado por Chiang Mai… A música ao vivo foi genial! Just what I needed before going inside…

 

Indecision (Day 9: 27 de Julho, Domingo)

O guia dava-nos a informação de que um curso de meditação começava nesse mesmo dia à tarde. Fomos por isso logo de manhã ao dito templo. Havia uma grande indefinição sobre como seguiria a viagem a partir daqui uma vez que dois amigos que se queriam juntar a nós chegariam a bangkok dentro de 4 dias. Que fazer até lá ou se devíamos seguir viagem era a questão para a qual não tivemos resposta durante tanto tempo. Por esta altura, a infecção na pele da Rita tinha atingido proporções consideráveis pelo que a única solução foi mesmo ir ao hospital. O diagnóstico foi o mesmo que tinha recebido em Portugal: sei que tens uma alergia mas não faço ideia a quê. Uma vez que não há nenhum denominador comum no último mês da Rita fica um grande sentimento de impotência e de dúvida sobre o que fazer. Mais templos e mais templos. Chiang Mai é uma cidade deliciosa. Dá gosto passear por ela fora. Sinto-me em casa. Tenho vontade de desacelerar por aqui. Há cafés com óptima pinta em cada esquina. A simpatia das pessoas é grande. A oferta nos mercados variada. Os programas interessantes. Com um curso de cozinha no dia seguinte, de meditação nos outros dois e trecking de mais dois dias a partir daí, a decisão de passar uma semana por estas bandas estava tomada. Tempo para um passeio pelo Sunday market e comprar dezenas de coisas por valores ridículos.

 

Good Bye Indic Ocean (Day 8: 26 de Julho, Sábado)

Depois desta passagem algo fracassada (é engraçado como o fracasso está unicamente relacionado com as expectativas) não tínhamos planos para voltar a ver o mar… Certamente que o mar iria cair sobre as nossas cabeças muitas vezes mas nunca o contrário. Chiang Mai tinha de ser um bom destino. Escala na maior cidade do país, com chegada tardia à segunda maior cidade de um país com a população muito bem distribuída territorialmente.
(Voo a incluir)
A satisfação por não ter assédio de taxistas e já ter hotel de destino previsto foi grande. Maior ainda quando à chegada um simpático Tailandês, elemento da família que gere a guest house, nos explica em detalhe o que há para fazer em Chiang Mai e nos dá todas as informação úteis de que precisávamos e mais algumas, sem qualquer interesse comercial. Soube tão bem… Green food before bed.

 

Going down (Day 7: 25 de Julho, 6ª feira)

Uma vez que as perspectivas de tempo não eram as melhores e a chuva tropical fez-se sentir de forma particularmente violenta sobre o fraco tejadilho do nosso quarto durante toda a noite, foi uma enorme satisfação acordar para ir mergulhar e ver o céu pouco carregado. Por outro lado ao chegar ao porto, a informação de que os pescadores estavam todos em terra, sinal de que o mar estava verdadeiramente agitado. Uma vez na água e fora da protecção da baia, confirmamos o facto: o mar estava muito agitado e poderíamos fazer mergulho apenas em zonas mais abrigadas. Com o barco a oscilar submergimos pela primeira vez para o interior do grande deserto de serenidade que é o fundo do oceano. No fundo do mar, e uma vez ultrapassado o medo de não ter ar ilimitado, sentimo-nos muito tranquilos. Sentimo-nos parte de um ambiente que não é nosso por natureza. As pernas vão oscilando muito lentamente. O resto do corpo está parado. A pressão sobre o corpo é massajadora. O pouco ruído que se houve é da água a mexer e alguns animais a trincarem a vegetação local. Quando no final do primeiro mergulho toda a gente fala dos peixes que viu, estou mais interessado na sensação de tranquilidade que emergiu. Sim, a tartaruga e o tubarão eram animais interessantes mas depois observo-os melhor no National Geographic.
Regressado à ilha era novamente tempo de partir, desta vez num velho long-tail com destino principal à ilha onde foi filmado o filme. Após a primeira paragem para dar de comer a macacos, o fraco motor da cauda não pegou, naquele que foi o início de uma viagem tormentosa. O mar tornou quase insuportavelmente agitado e a viagem que terminou sem que pudéssemos ter sequer visitado a famosa ilha. Bem que tínhamos sido avisados…

 

Massive destruction (Day 6: 24 de Julho, 5ª feira)

Chegamos destruídos à ilha mais destroçada pelo Tsunami de há 4 anos. Ao chegar pensámos que uma vez que os hotéis estavam todos a uma walking distance poderíamos chegar a qualquer um sem ter de passar por nenhum serviço do tipo “banhada para turistas”. Profundamente enganados outra vez. Dezenas de agências exibiam os seus placares com fotografias de hotéis que se encontravam a poucas centenas de metros das próprias agências. Acabados de chegar à ilha e sob a promessa de que caso não gostássemos do quarto podíamos voltar à agência para trocar lá fomos parar ao buraco paradisíaco com lixo e obras à volta (afinal a ilha ainda se está a recompor) do qual estávamos demasiado cansados para sair com malas às costas. Na verdade não era assim tão mau como isso… pelo menos até descobrirmos que a retrete podia ficar entupida em situações menos convenientes. Com mau tempo optámos por organizar o dia seguinte: marcar scuba diving e viagem de barco à ilha do filme. De regresso à barraca no paraíso revimos o filme “the beach” para antecipar a viagem do dia seguinte.
Uma alergia na pele que a Rita trazia de Portugal, começou a piorar e nesta altura queixava-se já de manchas pelas pernas, braços, ...

 

Paradise 1 (Day 5: 23 de Julho, 4ª feira)

Areia branca, água a 27 graus e calmaria até aonde o olhar ver. Pela ilha acima um verde forte a assinalar a vida. O excesso de calma também pode ser aborrecido, pelo que começamos na busca de alguma actividade. Talvez um passeio de barco à volta da ilha. Parece que toda a gente à nossa volta teve a mesma ideia. Ainda estávamos a assentar nessa ideia e já três tipos com o mesmo panfleto nos ofereciam o programa, segundo reclamavam, pelo mesmo preço sob pena de sofrerem penalizações (será que esta também passava na autoridade da concorrência). Num long tail boat, o típico barco de pesca local, arrancámos pela água feito chão, para várias paragens ao longo das diferentes praias da ilha. Visita a uma pequena queda de água na primeira paragem, snorkling na 2ª e almoço na 3ª (talvez outras paragens para mergulho pelo meio). Tudo dá imenso prazer quando o sol está radiante por cima das nossas cabeças e esse foi-nos oferecido… Ao almoço, juntámo-nos a um tipo da Singapura com quem já vinha falando durante o passeio (achou importante contar, por exemplo, que num curso de piloto nos USA tinha conhecido vários portugueses e um deles era madeirense amigo do Ronaldo. O que o fará mais feliz a este português: ser piloto de caças ou ser amigo do Ronaldo?). Viajante solitário (depois da namorada ou ter deixado já com viagem comprada), com cerca de 30 anos e munido apenas de óleo bronzeador, tinha pousado o seu F16 da força aérea da Singapura durante uma semana para se estender na praia. Aprofundei a minha curiosidade e apetite por uma carreira de piloto aéreo. Estas trocas de como vieste tu cá parar e conta-me coisas sobre o que fazes são talvez a melhor razão para viajar. Claro que se podem tornar cansativas principalmente porque a primeira abordagem é sempre igual e como sabemos a repetição é cansativa ao ser humano. Depois há sempre os momentos especiais como quando ao nosso lado tentam afastar uma formiga e ao soprar sai um bocado de frango (a formiga agradeceu e o almoço da Rita nem por isso ficou menos completo). No regresso um jogo de voleibol noutra praia ainda. É sempre reconfortante a universalidade de certos momentos. A forma como as equipas se organizam, a emergência de um organizador, a oportunidade para alguém ser o contador, mesmo o nível de jogo, etc., são iguais em muitas partes do mundo, mas neste caso num ambiente de diversidade cultural.
Este dia iria fundir-se particularmente com o próximo, uma vez que depois de apenas uma noite nesta ilha íamos mudar para o outro lado da península de Puket (uma perna que sai do bocado de terra que liga a Tailândia à Malásia). Pensámos: viajando de noite poupamos uma noite de hotel e chegamos a tempo de aproveitar o dia nas famosas ilhas Phi Phi onde se encontra, entre outras coisas, a praia que deu nome ao filme: a praia. Decidimos voluntariamente ignorar dois factores que invalidaram a nossa aposta: fazendo uma viagem de barco durante a noite (6 horas), de autocarro durante a madrugada (3 horas) e novamente de barco (3 horas) chegaríamos mais cansados do que alguma estaríamos durante toda a viagem e ainda ignorámos o comentário feito pelo comandante (pelo menos era ele que estava a tentar impingir ganza aos passageiros) do nosso long-tail na ilha Ko Pag Nhan, de que o bom tempo que estávamos a apanhar nesse dia, iria contrastar com o mau tempo que poderíamos apanhar do outro lado da península, na ilha para a qual nos dirigíamos…

 

Ticket to final destination (Day 4: 22 de Julho, 3ª feira)

Quando podíamos estar já a entrar no ritmo Tailandês, eis que o despertar é ainda mais cedo do que na manhã anterior. Alvorada às 23h00 de dia 21 de Julho hora Portuguesa. Objectivo: chegar a Ko Panham. Aqui poucas coisas nos podiam preocupar a não ser a única razão para a ausência de preocupação: desde que aterrámos no aeroporto até chegar à ilha final tudo estava a ser tratado por uma “agência”. Só iríamos chegar à ilha ao final da tarde para dois dias depois estar a partir. Custo de quem cobrir uma zona tão grande em pouco tempo. Só esperávamos que estivesse bom tempo…

Flight Departing Arriving
FD3183
Economy
Promo
Bangkok (BKK)
Suvarnabhumi International Airport
Tue 22 Jul 2008, 0900 hrs
Surat Thani (URT)
Surat Thani Airport
Tue 22 Jul 2008, 1015 hrs

A viagem de avião foi curta, mas a partir daí entrámos na corrente dos turistas. Estavam dois autocarros à porta do aeroporto para “carregar turistas”. Ainda não tínhamos percebido na altura mas na Tailândia ninguém vai insistir muito para que compremos qualquer coisa. No entanto, passado pouco tempo percebemos que muitas vezes não temos alternativa ou que no caso de existir poderá sair ainda mais cara (talvez seja o preço da originalidade). Ah, e tudo sem que seja trocada uma palavra em inglês (vá, mais de duas). Percebemos isso quando nos dirigimos para o autocarro com melhor aspecto e nos sinalizaram que esse não era o nosso autocarro. O condutor do nosso suposto autocarro embirrou com a nossa atitude e deixou um enorme fluxo de turistas embarcarem à nossa frente antes de nos propor que tentássemos aquele que inicialmente tínhamos abordado. Por dentro não tinha assim tão bom aspecto… Não era claro onde comprar bilhete, mas assim que o autocarro arranca a revelação acontece: estávamos a ser conduzidos por uma agência de viagens, que nos começou a vender todas as opções para seguir a partir do aeroporto se Surat Thani. Tentavam vender-nos toda a viagem até à ilha onde queríamos ir, fosse esta qual fosse. O que fazer, quando a única coisa que estávamos efectivamente a consumir era uma viagem de autocarro até à cidade mais próxima? A primeira abordagem, incauta, foi a de dizer que como ainda não sabíamos para que ilha nos dirigíamos, queríamos ser abandonados na primeira cidade para a partir daí comprarmos directamente os transportes nas bilheteiras das companhias que fazem esses transportes. Deixados nos escritórios da dita agência, numa cidade que não conhecíamos a pouco tempo de partir o primeiro barco, percebemos que não nos restava outra alternativa senão comprar lhes todos os bilhetes até ao destino final. Se foi caro ou barato não sei. Este tema já atingiu dimensões demasiado relativas…
O dia tinha começado cedo e previa-se longo. Depois de termos “nascido” com o sol as melhores previsões apontavam para uma chegada ao destino com o mesmo a pôr-se no horizonte (ou assim esperávamos que o tempo permitisse). Assim aconteceu. Assim que as amarras foram lançadas ao porto, novo ataque de taxistas se preparava. Desta feita não se tratava apenas de uma agência mas de “várias opções” ao mesmo preço. A nossa tentativa de originalidade foi rapidamente abortada. Feito o check in num hotel sobre a praia pelo modesto custo de 10€/noite e paga uma caução de 20€ (imagino como ficarão os quartos depois de uma full moon “full drugs” party) estávamos instalados. Uma descarga celeste de água e um “apagão” encerram o dia que recomeça antes do esperado, cerca da 1 da manhã (não posso confirmar), quando regressa a electricidade e com ela um estrondo de música pela ilha toda. Não percebo quem poderia estar a ouvi-la porque a ilha vivia a ressaca da full moon de há uma semana e estava pouca gente, mas a verdade é que a música e as minhas voltas na cama duraram até às 6 da manhã, altura em que o sol nasceu.

 

Finally arriving (Day 3: 21 de Julho, 2ª feira)

Depois de uma insónia daquele tamanho despertar cedo podia não ter sido complicado, mas a verdade é que me lembrei de adormecer 1 hora antes do autocarro, que tínhamos marcado no dia anterior para ir ao mercado flutuante, partir. A Rita dormia profundamente. Partimos então para o mercado flutuante às 7 da manhã juntamente com uma manada de turistas (pelo menos a julgar pelo que vimos à chegada). Em termos de mercado de pouco nos serviu, porque nada comprámos (vale a pena guardar as compras todas para o final da viagem). O aspecto flutuante da coisa foi mais engraçado.
À tarde tivemos tempo para visitar alguns templos budistas. Até entrar no último (não turístico) estava admirado com o facto de nenhum deles ter uma zona para as pessoas simplesmente meditarem/rezarem. Eram simples memoriais com estátuas de budas…
Tempo ainda para a primeira massagem Tailandesa. Não sou consumidor de massagens mas a 7€ por 1h15 e principalmente uma massagem que não passa por simples festinhas no corpo mas sim de tal maneira vigorosa que a dor está sempre ao virar da esquina acedi com enorme facilidade. No fim o corpo agradece com leveza e elasticidade.
Mais um jantar “green” e cama porque amanhã há nova viagem.

 

Bang… (Day 2: 20 de Julho, Domingo)

Bangkok 8 da manhã locais, 2 da manhã em Lisboa. Temperatura ambiente 30º. Humidade relativa 95%. Poluição atmosférica considerável.
Na chegada à cidade a primeira sensação de humidade. A cabeça já estava preparada. O corpo foi-se habituando com uma calma natural.
Quem não sente uma certa desconfiança perante o assédio dos taxistas à chegada a um novo país? Curioso aqui o facto de os taxistas fazerem fila em pé num gichet, à espera de clientes. Quando o corpo se começava a habituar ao clima local, o frio gélido ao entrar no carro movido a gás natural e gás de ar condicionado. O corpo fica desorientado…
Depois de fazer o Chek in no Kao San (nome da rua) Palace (só de nome) tivemos a agradável companhia de duas amigas que faziam escala em Bangkok antes de rumar de novo a Lisboa, depois de uma viagem parecida com aquela que nos preparávamos para fazer. Todas as informações são importantes… O que não estávamos à espera era de receber também um telemóvel Tailandês associado a tarifas baratíssimas (o custo de uma chamada internacional é pouco mais que o custo de uma chamada local em Portugal). Turismo neste dia resumiu-se a passear pela China Town e ver a John Tompson House (Ocidental que tinha passado por esta zona do globo durante a 2ª guerra mundial e mais tarde voltou para montar o seu negócio. Uma mistura entre cultura local e cultura ocidental).
À noite passei uma forte insónia, afinal muita coisa havia mudado nas últimas horas… Para além disso tinha bem perto da minha orelha um tipo a fazer covers de todas as músicas que eu conheço. Se ao menos tivesse força para estar no bar…

 

Flight EY 402 to Bangkok (Day 1: 19 de Julho, Sábado)

4:45- Faltavam-me 15 min para sair a apanhar o seguinte voo. A viagem previa-se longa e dura uma vez que se decompunha em 3 voos de média duração (3+6+6=15h), acrescido de horas de espera (2h30+2h30=5h) e ainda 6h de diferença horária. Tudo somado chegaríamos ao destino (Bangkok) 26 horas depois da partida. No momento em que antecipava na minha mente este plano de viagem, lembrei de me certificar que a Rita levaria com ela qualquer coisa que me faria falta. Não atendeu. “Não é importante”, tentei convencer-me. Não me perdoando este pensamento, a cabeça insiste, “Liga! Nem que seja para garantir que ela está acordada.” Da segunda vez atende assustada. Do lado de lá recebo apenas, “Que horas são?”. A correria começou e só acabaria dentro do avião às 6 da manhã.
O resto, são favas contadas. Um dia de dentro de aviões e aeroportos. Uma curta referência ao muito pequeno aeroporto de Abu Dhabi, onde, é chocante a quantidade de mulheres se cobrem, ao ponto de deixar apenas de fora os seus “pequenos” olhos.

LUFTHANSA - LH 4545
SAB 19JUL LISBON PT MUNICH DE 0615 1010
LISBOA FRANZ J STRAUSS
DIRECTO TERMINAL 1 TERMINAL 2 DURACION 2:55

ETIHAD AIRWAYS - EY 6
SAB 19JUL MUNICH DE ABU DHABI AE 1230 2030
FRANZ J STRAUSS ABU DHABI INTL
DIRECTO TERMINAL 1 TERMINAL 1 DURACION 6:00
VUELO NO FUMADORES
RESERVA CONFIRMADA - M ECONOMICO
A BORDO: COMIDA
TIPO DE EQUIPO:AIRBUS INDUSTRIE A330-200

ETIHAD AIRWAYS - EY 402
SAB 19JUL ABU DHABI AE BANGKOK TH 2215 0735
ABU DHABI INTL SUVARNABHUMI INTL 20JUL
DIRECTO TERMINAL 1 DURACION 6:20

 

O eterno regresso...


Segunda-feira, Agosto 28, 2006

 

Um dia cheio de interesse

1.
É sempre bom quando nos dizem que podemos beber mais uma imperial e guiar e principalmente quando o ministério desconhece as leis que produz:

http://publico.clix.pt/shownews.asp?id=1268447&idCanal=21

Um comunicado do Ministério da Administração Interna indica hoje que o Governo desconhecia a existência de uma directiva da Direcção-Geral de Viação que estabelece uma margem de erro para os testes de alcoolemia.
De acordo com a nota, "o Governo desconhecia a existência de qualquer directiva emanada da DGV para as forças de segurança com o conteúdo relatado na notícia de hoje do 'Jornal de Notícias'".No comunicado do ministério lê-se ainda que "o secretário de Estado da Administração Interna pediu imediatamente ao director-geral de viação para que lhe sejam apresentadas ainda hoje explicações cabais sobre a situação relatada na notícia".O JN revela hoje que as divisões de trânsito da PSP e da GNR só passam multas por excesso de álcool a partir dos 0,57 gramas por litro de sangue, uma notícia confirmada pelo porta-voz da GNR. De acordo com o diário, a medida é justificada com a necessidade de criar uma margem de erro que salvaguarde o possível mau funcionamento dos aparelhos de medição."Houve uma indicação da DGV no sentido de que há uma recomendação da Organização Internacional de Metrologia Legal, que admite a possibilidade de erro dos aparelhos de medição", afirmou o porta-voz da GNR, Costa Cabral, à agência Lusa. "E, em caso de dúvida, aplica-se sempre o tratamento mais favorável para o cidadão", acrescentou.Segundo o JN, a directiva da DGV altera igualmente a taxa a partir da qual a condução sob o efeito de álcool deixa de ser contra-ordenação e passa a ser crime.A lei estipula o limite de 1,20 gramas de álcool por litro de sangue, mas as novas directivas da Direcção-Geral de Viação passam a impor o valor de 1,30 gramas de álcool no sangue para que o condutor seja acusado de crime.Esta margem de erro só funciona para os testes com aparelhos, já que a fiabilidade das análises clínicas permitem manter os valores indicados na lei.

2.

Alguém se lembrou de uma forma de retirar o serviço de massagem ao pés diário de que goza Alberto João Jardim (o seu custo era 20,76 milhões de euros e os restantes 0,1 milhões de euros que serviam para furar a ilha tipo bolo de queijo também se acabou). Imaginem, chegaram lá pelo PIB.

http://publico.clix.pt/shownews.asp?id=1268446&idCanal=21

A proposta do Governo para a nova Lei das Finanças Regionais deverá beneficiar os Açores em relação à Madeira, já que o critério dominante na atribuição de verbas do Orçamento de Estado será o Produto Interno Bruto das regiões.
A informação é avançada pelo "Diário Económico", que cita declarações de Maximiano Martins, deputado socialista à Assembleia da República pelo círculo da Madeira.O documento com as linhas que o Governo pretende seguir deverá dar entrada na Assembleia da República em Setembro, para ser tido em conta no OE para 2007.No entanto, "as propostas podem ainda sofrer alterações no âmbito das comissões parlamentares", mas os gabinetes do primeiro-ministro e do Ministério das Finanças optaram por não fazer qualquer comentário sobre esta questão.O documento elaborado pelo grupo de trabalho liderado por José da Silva Costa prevê que a nova lei ponha fim à norma que impõem a transferência de uma verba igual ou superior à do ano anterior. Esta sugestão do grupo de trabalho já foi adoptada pelo Governo, segundo garantiu ao DE Maximiano Martins, responsável pelos assuntos económicos do grupo parlamentar do PS.Assim, de acordo com a nova lei, "as verbas deverão oscilar mediante um conjunto de critérios, sendo o PIB de cada região o mais importante".Pelo facto de o PIB da Madeira ser superior ao da média nacional, esta região poderá vir a perder, só nesse âmbito, 20,77 milhões de euros, estima o jornal

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

 

Tenho para mim que esta é a melhor maneira de conseguir um preço de Pousada da Juventude num hotel de 4 estrelas

Transcrição integral da carta dirigida ao director do hotel onde me encontro:

Exmo. Sr. ou Sr.ª Director(a) do hotel Eurosol de Estarreja,

Como colaborador da Nestlé Portugal estou por vezes alocado ao centro de distribuição de Avanca pelo que me dão a oportunidade de decidir em que hotel fico hospedado nas imediações de Avanca, sendo que o Eurosol é fortemente recomendado. Desta feita, estou há quase 2 semanas no hotel e ficarei mais 2, estando muito satisfeito com a qualidade do serviço e simpatia do pessoal.
No entanto, chegado o fim-de-semana a Nestlé já não me oferece a possibilidade de ficar no hotel, razão pelo qual estou a escrever. Na verdade, gostaria de ficar em Estarreja este fim-de-semana e uma vez que já estou hospedado no hotel Eurosol esta parece-me a opção natural. Contudo o preço por noite é para mim algo elevado. Gostava por isso mesmo de lhe endereçar este pedido para que considere a possibilidade de me fazer um preço mais simbólico para estas 3 noites de dia 4 a dia 7 de Agosto (90 euros para mim seria um valor mais comportável por ex)(CADA VEZ FICO MAIS BABADO COM ESTE MOMENTO ORDINÁRIO DE SUGESTÃO DE VALOR A COBRAR). Ficar-lhe-ia extremamente agradecido.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Noronha da Câmara

Aceitam-se conjecturas quanto à minha carta de despedida no fim das 4 semanas.

By the way. This is the hotel: http://www.eurosol.pt/estarreja/alojamentos.htm

 

Porque é que o Tiago Monteiro acaba sempre as provas em que menos de para além dele 1 carro termina a corrida...?Eis a prova que faltava

NÓS OS PORTUGUESES SOMOS DESENRASCADOS!
Quando tudo está mal. Todos os factores externos apontam para a total descraça, nós saimos por cima. Agora já podem rescrever este comentário oh bifes do caraças!

Desenrascanço (loosely translatable as "disentanglement") is a Portuguese word used, in common language, to express an ability to solve a problem without having the knowledge or the adequate tools to do so, by use of imaginative resources or by applying knowledge to new situations. Achieved when resulting in a hypothetical good-enough solution. When that good solution doesn't occur we got a failure (enrascanço - entanglement). It is taught, more or less, informally in some Portuguese institutions, such as universities, navy or army. Portuguese people, strongly believe it to be one of the their most valued virtues and a living part of their culture. Desenrascanço, in fact, is the opposite of planning, but managing for the problem not becoming completely out of control and without solution.

However, some critics disagree with the association of the concept of desenrascanço with the mainstream Portuguese culture. They argue that desenrascanço is just a minor feature of some portuguese subcultures confined to some non-representative groups and to the end of the 20th century. Critics point out that in the last 30 years the education and culture of the portuguese people improved considerably and that the importance of desenrascanço is declining. Sometimes, the concept is related by some to the discoveries period or to student activities in the 15th century. But sceptics doubt there is any substantial prove of that relation. Critics also argue that there are other sub-cultures in other countries with equivalent concepts and that desenrascanço is not an exclusive of the Portuguese culture.

Universities

Desenrascanço has a role in the academic juvenile sub-culture in some educational institutions. In some universities and politechnical institutes, the older students known as doutores (Eng. doctors) teach Desenrascanço to freshmen (Port. Caloiros) in a ritual, well known as Freshman Reception in Portugal. It is alleged that this skill is taught (informally) in the Portuguese universities since the 14th or 15th century. The freshmen are ordered to do the most impossible things. They must comply or they will be punished. To solve the problems (desenrascar-se) they must be really inventive and/or have a very convincing reason when they cannot do it. Normally, if they cannot or if they are not smart enough, punishment is done. The punishment is supposedly done under the Praxis rules (Port. Código de Praxe) and aleggedly no harm can be done to the student. But they can get dirty, do a lot of exercise, and do embarrassing things in public or nothing for an hour. Purists claim that this rituals are a deturpation of Praxis traditions. Freshmen do this ritual because they want to be part of academic groups to have fun, continuous parties and lots of helping friends. In the rituals, the doutores are dressed in black (in 19th century traditional clothes) and freshmen dressed in white (normally a shirt and blue jeans).

Normal academic activities are also seen as a way to teach desenrascanço. For example, when the teacher does not disclose any suggestions to solve a problem, and the student must search for his own. But some of the best teachers disagree with this association since they believe that desenrascanço culture is precisely the opposite of a good universitary education.

Siemens, a known German company, has its offices in Portugal due to this Portuguese characteristic, employing hundreds of Portuguese engineers. They say "when a german gives up when encountering a difficulty, a Portuguese will work until it is solved." They also argue that is also "due to the quality of Portuguese state-runned universities and institutes".

Desenrascanço in the Discoveries Era

In the 16th and 17th centuries, it was very common for other exploring nations to bring a Portuguese national along during the voyages, for two reasons, 1) the Portuguese were skilled by previous knowledge and 2) and, alegedly, for handling emergencies well (what is also known among the Portuguese as "desenrascanço"). Of course, serious historians would disagree with the association between a 20th century idea and 17th century events.

Some groups from Portugal believe that they still have this characteristic, that, theoricaly speaking, make them the best people to handle emergencies, and the worst for situations where planning is needed. There's no impartial verification of those claims.



Domingo, Julho 30, 2006

 

O melhor poema da história da humanidade(versão portuguesa não literal de Felix Bermudez(talvez até melhor que o original))!

Se podes conservar o teu bom senso e a calma

Num mundo a delirar para quem o louco és tu

Se podes crer em ti com toda a força d’alma

Quando ninguém te crê; se vais faminto e nu

Trilhando sem revolta um rumo solitário

Se à turva incompreensão, à negra incompreensão

Tu podes responder, subindo o teu calvário,

Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão


Se podes dizer bem de quem te calunia;

Se dás ternura em troca aos que te dão rancor,

Nas sem a afectação dum santo que oficia,

Nem pretensões de sábio a dar lições de amor,

Se podes esperar sem fatigar a esperança;

Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho;

Fazer do Pensamento um Arco da Aliança

Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho;


Se podes encarar com indiferença igual,

O Triunfo e a Derrota – eternos impostores;

Se podes ver o Bem oculto em todo o mal

E resignar, sorrindo, o amor dos teus amores;

Se podes resistir à raiva ou à vergonha

De ver envenenar as frases que disseste

E que um velhaco emprega, eivadas de peçonha,

Com falsas intenções que tu jamais lhes deste;


Se és homem para arriscar todos os teus haveres

Num lance corajoso, alheio ao resultado

E, calando em ti mesmo a mágoa de perderes,

Voltas a palmilhar todo o caminho andado;

Se podes ver por terra as obras que fizeste,

Vaiadas por malsins, desorientando o povo,

E sem dizer palavra e sem um termo agreste

Voltares ao princípio, a construir de novo;


Se podes obrigar o coração e os músculos

A renovar o esforço, há muito vacilante,

Quando já no teu corpo, afogado em crepúsculos,

Só existe a Vontade a comandar “Avante!”;

Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre

Ou, vivendo entre os reis, conservas a humildade;

Se, inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre

São iguais para ti, à luz da Eternidade;


Se quem recorre a ti encontra ajuda pronta;

Se podes empregar os sessenta segundos

Dum minuto que passa, em obra de mal monta

Que o minuto se espraie em séculos fecundos;


Então, ó Ser Sublime, o mundo inteiro é teu!

Já dominaste os reis, os tempos e os espaços;

Mas, ainda para além, um novo sol rompeu

Abrindo um infinito ao rumo dos teus passos;

Pairando numa esfera acima deste plano,

Sem recear jamais que os erros te retomem,


Quando já nada houver em ti que seja humano,

Alegra-te, meu filho, então serás um HOMEM.


 

O melhor poema da história da humanidade(versão original)!

Rudyard Kipling
RUDYARD KIPLING
(Born December 30, 1865, Died January 18, 1936)

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:
 
If you can dream -- and not make dreams your master;
If you can think -- and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;
 
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
 
 
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings -- nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run --
Yours is the Earth and everything that's in it,
And -- which is more -- you'll be a Man, my son!

Quinta-feira, Julho 27, 2006

 

As bestas do Clube 7tmo mereciam este mail...

Porque vivo na Sidónio Pais há cerca de 8 anos e porque considero que o Clube 7tmo sempre teve um bom serviço e uma elevada qualidade enquanto ginásio há 7 anos optei por me inscrever. Por motivos de lesão, na altura, deixei de frequentar o Clube durante algum tempo e a inscrição foi consequentemente cancelada. Cerca de 1 a 2 anos depois voltei a inscrever-me, na altura benefiçando de um desconto sobre a jóia de 50% e assim permaneci inscrito até que fui para o estrangeiro durante 4 meses e deixei de frequentar o clube 7tmo. Depois de novamente caducada a minha inscrição, aproveitei o facto de haver isenção de jóia e descontos para colaboradores do BPI onde trabalhei a partir de Julho anterior e voltei a inscrever-me no Clube em Agosto. Um ano depois os factos são:

1) Já me inscrevi por 3 vezes no Clube

2) Paguei uma Jóia e meia

3) A 1ª inscrição foi há 7 anos

4) Já não frequento o clube há mais de um mês, embora no pagamento esteja incluído o serviço até Agosto

Neste momento vou estar ausente de Lisboa por motivos laborais por mais de 6 meses e assim terei de deixar de ser sócio mais uma vez.

De que é que me queixo:

1) Que a Jóia seja tão elevada

2) Que não possa suspender a inscrição por mais de 6 meses o que dá origem a situações ridículas como a minha

3) Que a suspensão tenha de ser paga! (se não estou a usar o ginásio que raio de razão poderá existir para o estar a pagar! Mais vale a pena esperar por uma nova isenção de jóia que estão sempre a acontecer! Que raio de desenho de incentivos são estes!)

4) Que a mensalidade seja desadequada para padrões internacionais (sim, este é um mercado local, mas…)


Considero assim inaceitável que um clube que recebeu da Câmara de Lisboa o privilégio de ter esta localização pratique preços ridiculamente altos a nível Europeu (em Barcelona o mesmo serviço de que usufrui durante este ano no clube 7tmo é de é de 40. Eu paguei 80!!) e pior que tudo apresente tamanha rigidez e exploração dos sócios que já estão inscritos! Sou um fervoroso adepto das leis de mercado e certamente que se têm esta política é porque continuam com um nível de clientes mais do que suficiente para operarem com margens decentes. Não duvido disso mesmo. É assim que qualquer empresa funciona. No entanto considero que um bocado de pudor não afectava por aí além algumas das empresas em Portugal, nomeadamente o Clube 7tmo.

Grato pela vossa atenção e esperando algum tipo de reacção positiva por parte do Clube 7tmo

Com os melhore cumprimentos,

Pedro Noronha da Camara


Domingo, Julho 23, 2006

 

Being a Pilot

Um dos meus defeitos enquanto bloguista (para além da dificuldade em escrever) é o de não terminar ou não passar para o computador algumas ideias que considero incialmente de valor acrescentado para o blog e que chego mesmo a prometer vir a escrever sobre...

Alguns episódios como a minha ida a Trieste e Eslovénia não foram totalmente descritos ou sequer passados do meu bloco de notas para Word! Mas ao ler o meu bloco de notas deparei com o pormenor delicioso que ainda vou a tempo de incluir. Também a incluo porque está relacionada com uma actividade na qual me pretendo vir a inscrever em breve. Sim não gostaria de morrer velho sem ter Brevet!

O piloto da Ryan Air depois de falar sobre a sua manobra à volta do globo e sobre as condições climatéricas na origem e destino, etc acaba com um: “sit back, relax and enjoy the ride”! Este tipo deve estar bastante excitado com o facto de ser piloto. E pensando isto remeti imediatamente para um pensamento Seinfeld which goes like this:

The pilot of course is so excited about being a pilot, he can not stand himself. He is giving all this information about the route, etc. We are in the back thinking: I’m ok with that. Just do whatever you got to do. End up where it says on the ticket. That’s all I ask. Should we knock on the cockpit door and go: I am having peanuts now. That is what we are doing back here. I thought it was a got idea to keep you posted. I am not gone have them all. I am just gone a have a few now. I don’t want to finish it because it is such a big bag.

Assim seria recíproco


 

Agora que já chegámos às meias finais

Tinha em minha pose informação suficiente para despoletar um movimento que facilmente poderia culminar na demissão do nosso seleccionador brasileiro... Guardei-a, acreditando na capacidade deste brasuca nos levar longe no Mundial assim como o tinha feito no Europeu. Parece-me que agora chegou o momento de partilhar com todos esta embaraçosa situação para o seleccionador (ou seja, estava simplesmente a organizar umas pastas no meu computador e encontrei este texto bastante pertinente que em seguida partilho com vocês):

Scolari para a Cadena Ser:

"Vão mas é tomar no cu"

MANUEL CASACA

A queixa da FPF baseia-se na chamada telefónica que a "Cadena Ser" fez anteontem para o telemóvel de Luiz Felipe Scolari, sem que o seleccionador português tivesse autorizado a gravação. Nessa conversa de escassos segundos, o técnico brasileiro utilizou expressões como "isto é uma guerra e nas guerras tenho que matar e não morrer". Uma frase que posteriormente foi utilizada fora do contexto e à qual foi conferida por parte da Imprensa espanhola uma gravidade que não tinha, até porque não deveria ter sido mais do que uma conversa privada.

Mas a "Cadena Ser" não se ficou pelo telefonema de anteontem. Ontem à tarde, no "Carrusel Deportivo", o programa de maior audiência das rádios espanholas, o humorista Paco Gonzalez quis brincar com a frase e ligou para o telemóvel de Luiz Felipe Scolari. O seleccionador nacional é que não gostou da brincadeira e respondeu curto e grosso.

O JOGO transcreve agora a conversa que entre os dois:

PACO GONZALEZ | Senhor Scolari, boa tarde.
LUIZ FELIPE SCOLARI | Quem fala?

PG | É o inimigo
LFS | Quem, perdão?

PG | Sou o inimigo.
LFS | Não entendo.

PG | Quando é que nos vão atacar?
LFS | Você e a sua rádio vão mas é tomar no cu!

Mais uma vez sem autorização do visado, a conversa telefónica foi posta no ar em directo e, posteriormente difundida em grande escala.


Duas reflexões:
1. Vai tomar ou vai levar. Do dicionário de Língua Portuguesa da Bertrand retirei o seguinte.
Tomar-...Deixar-se possuir, deixar-se dominar, ser invadido... (nada mal visto Scolari)
Levar-...Apanhar pancadas, receber castigo (será que este conceito é mais apropriado?)

Ganhou-se em correcção sintáctica perdeu-se em chavascal

2. Foi preciso chegar o Scolari para retomarmos o espírito da padeira de Aljubarrota? De uma forma genérica cheia de excepções, esta é a forma como devemos responder a um espanhol...


Um conselho:
1. Para quem não investiu centenas de Euros durante os últimos dois anos na revista visão, é agora a oportunidade de possuir uma compilação daquilo que ela teve de melhor: os textos do Ricardo Araújo Pereira. O livro chama-se Boca do Inferno e custa 4 Euros. Claro que houve pessoas bem posicionadas socialmente que receberam semanalmente os textos via e-mail. Apenas recebi alguns e sinto-me agora muito satisfeito com a mais recente aquisição literária.


Quinta-feira, Julho 20, 2006

 

Gaja boa vira-se para a camara e diz: Tarifa, uma loucura do c******

Tarifa é isso mesmo: uma locura. Por uma razão simples: toda a gente que encontrei estava com o espírito de perder a cabeça (ou em muitos casos já chegavam lá sem cabeça). Grande parte das pessoas que chega a tarifa vai sem destino e muitos acabam por ficar lá a viver. Ao fim de algum tempo a gastarem as economias tornam-se professores de windsurf, trabalham num bar, loja ou num hostal.

Pessoalmente, apanhei uma verdadeira tempestade ciclónica. Os ventos estavam a passar a uma velocidade de cerca de 70 km/h. É o mesmo que chegarmos ao vento capaz de nos fazer voar e subtrairmos uma quantidade infinistésimal. Era perante essas condições climatéricas que me encontrava. Inteligentemente aqueles terrenos no ponto mais a sul de Espanha estavam densamente cultivados com um tipo de cultura que se dá muito bem com aquele clima. São as chamadas turbinas eólicas (ou como gosto de chamar as ventoinhas grandes). É que ainda por cima parece que elas se reproduzem bem a julgar pela quantidade que encontrei. À chegada delirei com a hipótese de fazer wind surf naquelas condições... Pouco tempo depois, apercebi-me que iria incapaz de o fazer, pelo menos com alguma consistência. As horas passadas a levar porrada no mar e a voar serviram de lição.

Mas aquilo sobre o qual tenho mais a dizer é o seguinte: http://www.otb-tarifa.com/ . Esta é uma boa razão pela qual se perde facilmente a cabeça em Tarifa. A vida no hostal: dolce fare niente como é natural. O dono foi skater profissional, faz wind-surf e kite surf, como todos os que lá encontrei chegou a tarifa sem destino e quis lá ficar a viver, durante um ano como vagabundo, depois com o seu próprio negócio. Não é difícil fazer dinheiro. Basta querer e ter uma ideia simples e interessante. Falei em fazer dinheiro, não fortuna. Nesta onda, várias pessoas que lá encontrei, inclusivamente o professor de wind-surf polaco, chegaram lá há uns anos ou acabavam de chegar sem destino. Depois vão-se deixando ficar. Pois é, já estou a levantar um bocado o véu quanto ao facto daquilo ser pouco bom... A vida em Tarifa: sol, wind surf, malta jove, gajas giras que vão lá só por causa da boa onda apesar do vento que como todos sabemos pode despentear bastante, noite com bastantes bares e discotecas adaptadas à época de pico em que Tarifa está à pinha (Agosto) e acima de tudo hostais como aquele em que fiquei. A grande festa acontecia lá mesmo. Basta confirmar no site. É que o simples facto de a área do hostal ser maioritariamente utilizada para um bar e para esplanada ao ar livre explicam muita coisa. Depois do jantar e passadas umas portas tipo entrada far-oeste, estávamos no bar com música aos berros e os corpos sem cabeça aos saltos. A loucura estendia-se sempre até ao encerramento às 2:00 por imposição legal. Depois punham-se 3 alternativas: ir para a cidade/disco night até às 6 da manhã a pé (30 min) ou de táxi; ir para a cama porque o dia amanhã é de wind-surf; ir para a cidade porque o dia amanhã é de wind surf. A cidade tem todas as condições para a prática do pagode. Num ritmo pagatamente alucinante se vive o dia a dia em Tarifa. Vale a pena ir a esta pérola de passagem para Marrocos. Até esse facto (a proximidade a Marrocos- Preço do ferry 30 euros/pp) é um bom motivo para visitar tarifa.


Terça-feira, Julho 18, 2006

 

Sobre o novo trabalho...

Cheguei ontem de Tarifa. Hoje estava às 9.15 em Linda-a-Velha. Motivo: recomeço da vida laboral, agora como colaborador da Nestlé. A satisfação após este primeiro dia é grande e prende-se com saltos qualitativos consideráveis naquilo que considero o meu trabalho ideal.

Dimensão: BPI- 4,5 mil milhões de euros => Nestlé 100 mm de euros

Internacionalização: BPI: 5º maior banco português (trabalho no escritório em Lisboa ponto) => Nestlé: maior empresa do mundo em muitíssimos mercados (trabalho em Lisboa, centro de distribuição de Aveiro, Barcelona e formação na Suiça, Alemanha, etc.)

Horário: BPI: 8.30 – 19.00 (pelo menos) => Nestlé (8.30-9.00)-(17.30-18.45)

Salário: Ligeiramente superior

Tempo até ao trabalho: Mantido ou reduzido

Tarefas: mais práticas, mais interactivas com equipas de trabalho, resultados práticos

Estratégia de longo prazo: BPI opado => Nestlé numa série de aquisições

Posso concluir que a satisfação subiu pelo menos numa primeira impressão


Quarta-feira, Julho 12, 2006

 

É preciso ter sorte...ou será azar? (tem piada eu considero que seja uma besta quem prefira a harmonia à paz...Seria Paz ou harmonia-Gato fedorento)

Há coisas com piada… Outras têm menos piada!

Não tem piada mesmo nenhuma por exemplo (meramente um exercício de imaginção), fazer um aluguer de material de windsurf pela Internet e depois estar demasiado vento para poder fazer windsurf (grande barrtete!). Neste cenário estar na praia não é uma opção porque apesar dos 50 graus estamos no meio de uma tempestade de areia. Não tem piada nenhuma neste cenário perder o cartão de crédito (mesmo que ele depois apareça). Claro que já tem piada encontrar o cartão de crédito no saco do pingo doce juntamente com o pão (here the fuck is my head). Não tem ainda piada deixar o fato de wind surf numa das poucas vezes em que foi utilizado a sequar durante presumivelmente dois dias num poste de madeira (sei que foi menos de dois dias, porvavelmente algum amigo do alheio o recolheu pouco depois de estar seco). Claro que já tem piada apanhar um pôr-do-sol no ponto de intersecção do mediterrâneo com o atlântico. Não tem piada nem deixa de ter é portanto neutro) deixar o fiambre no super mercado. Finalmente poderá ter piada aquecer-me uma pizza beber umas cervejas neste hostel que afinal é um bar e conhecer umas mossoilas roliças. Será que a sorte está a mudar…


Terça-feira, Julho 11, 2006

 

Porquê tantas mortes na estrada em Portugal?

Os espanhóis são dos povos com menor nível de civismo que conheço. Pensam da seguinte forma: o que é meu é meu o que é dos outros ou passa a ser meu ou que se lixe. Funcionam assim em sociedade e até funcionam bem. A mão invisível de Adam Smith é mais poderosa num cenário com esta mentalidade. Tem sido pelo menos. Atribuo parte do sucesso económico que eles têm tido ao egoísmo que alimentam. Ainda bem que o ser humano tem algo poderoso, seja ele o egoísmo ou a solidariedade. Claramente a força recaiu mais sobre o primeiro sendo que uma das consequências de egoísmo é a solidariedade. Não somos perfeitos, mas parece-me que se alguém tivesse de definir sentimentos que garantissem a subsistência da espécie estes seriam dois fundamentais.


Porquê tantas mortes na estrada em Portugal?

Mais uma achega...

Porque acabo de fazer 650 km em estradas espanholas e constatei o seguinte. Quando estive em estradas de uma só faixa o tuga (eu no caso) era a única besta a ultrapassar em traço contínuo por uma razão muito simples: em distância com visibilidade similiar em Portugal, era permitido ultrapassar e era de Portugal que eu vinha. Os espanhóis davam-me um exemplo de saber estar (atrás de camionetas) com a calma demonstrada. Depois em duas faixas defini para mim próprio a velocidade cruzeiro entre 120 e 140 km hora (velocidade segura para as condições no meu entender). Espanto o meu quando durante todo o percurso fui ultrapassado pouquíssimas vezes e quando o fui o carro à minha esquerda levava tempo a transpor-me indiciando velocidade apenas ligeiramente superior à minha O que é feito da besta que vem a 200?? Ficaram todos em Portugal. Ora bolas. Onde é que eles aprenderam estas coisas. Em lado nenhum. Mas sendo egoístas e não parvos têm amor à vida! Vá-se lá perceber as bestas dos espanhóis.


 

1 ano depois (3a feira 18 de Julho 2006) recomeço laboral. Mas antes...

Pois é. Menos de uma semana para recomeçar. O que fazer? VIAJAR. Desta feita diriji-me sózinho e de carro para Tarifa. A ideia é aproveitar o espirito que se instalou nesta vila piscatória há 30 anos quando foi descoberta por um windsurfista e praticar o próprio do wind surf.

A primeira impressão de Tarifa é curta mas permite me uma introdução: Cidade piscatória pequeníssima localizada sobre o mar, com uma boa onda incrível e com um vento africano e de intersecção com o mediterrâneo com o Atlântico e portanto quente e fortíssimo. Amanhã terei uma visão mais precisa dos efeitos e utilidades deste vento. Para já o desafio vai ser dormir. E ainda uma ideia mais próxima do bom espírito que aqui se vive. Quanto ao OTB international (hostal onde estou) a onda é incrivel...

Como disse ainda há pouco tempo viajar é pensar o Mundo. Para mim, a mais cabal prova disso mesmo é o que me acontece cada vez que estou num ambiente desconhecido. Nesse sentido quero partilhar uma descoberta interior. A ansiedade que a véspera da partida me traz não é mais do que o medo animal do desconhecido. Normalmente os animais (e os homens não são excepção) evitam o desconhecido e quando partem para a sua descoberta fazem-no preferencialmente acompanhados em grandes grupos. Poucos corajosos fazem no sozinho (tungaa). Sim, bem sei que o desconhecido nem sempre é muito desconhecido e até o nosso dia a dia tem uma componente de desconhecido o que torna este conceito altamente relativo. De qualquer maneira, vou definir para o caso o desconhecido como toda a realidade com a qual nunca tivemos contacto prévio (físico e/ou intelectual) e que suscita na nossa imaginação várias múltiplas hipóteses e suposições em relação àquilo que vamos encontrar. Pomos a nossa imaginação a trabalhar precisamente por medo, e insegurança. Queremos conhecer o desconhecido para não termos surpresas e como não o conseguimos fazer há um nervoso miudinho (ou graúdo mesmo) que nos atormenta à partida. Assim é comigo. Só a partida efectiva me traz a tranquilidade necessária para deixar a imaginação suspensa e para deixar a mente focada no presente por oposição ao futuro. A nova realidade que encontro distrai-me. Descontrai-me… Que bom que é viajar mesmo que sejam só 650 km.

Estou então pronto para pensar o Mundo outra vez…


Sexta-feira, Junho 30, 2006

 

Despedida de um trabalho

Olá a todos,

Um ano depois, hoje é meu último dia no BPI. Gostava de aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos. Agradecer:

a todos aqueles que dispensaram um momento para me ajudar nas minhas dificuldades,

a todos os que me tiraram algum tempo do seu dia para me ensinar um pouco mais,

aos que tiverem a paciência de parar para ouvir o que eu poderia ter para dizer,

às pessoas com quem trabalhei diariamente, especialmente à minha equipa, que trouxeram criatividade e novas ideias para o dia-a-dia e acima de tudo foram a razão pela qual todas as manhãs acordei motivado para vir trabalhar,

e o mais importante: todas as pessoas que nos momentos de descontracção riram comigo e tornaram este um bom sitio para trabalhar e aprender.

Quanto ao futuro, desejo a todos as maiores felicidades a nível laboral, mas principalmente nas suas vidas pessoais.

Quanto ao BPI é uma casa de bons valores, onde as pessoas são importantes e onde o desafio é inovar para além da concorrência e que espero veja em breve resolvida pelo melhor a situação da OPA.

Quanto ao meu futuro, irá decidir-se em breve. Assim que tiver novidades (o que será muito em breve) irei comunicar. Para os interessados o meu e-mail é o pmncamara@hotmail.com.

O meu obrigado


 

O adeus a pedro.noronha.camara@bancobpi.pt

Companheiros, amigos, palhaços deste circo que é a vida (como diz Bonifácio),

O dia de hoje coincide com o meu último dia no BPI gestão de activos. Para mal de esta casa que viu as suas acções subirem vertiginosamente desde a minha aquisição, os riscos de a OPA se concretizar são agora maiores. Revelo esta informação confidencial: toda a argumentação junto dos accionista para não desfazerem a sua posição baseou-se no facto de que o BPI tinha Pedro Noronha da Câmara e o BCP não. Os níveis de eficiência eram logo aí substancialmente diferentes a favor do BPI. De qualquer maneira, lamentar nunca adiantou grande coisa. E por isso o que desejo a esta casa é uma força adicional para continuar, mesmo sem mim.

Quanto a mim vou agora embarcar numa missão bastante importante para a humanidade. Ir em busca de novos planetas… a partir do meu sofá. Infelizmente para a humanidade o tempo que me será concedido a mim e ao meu sofá poderá não ser o suficiente para resolver os grandes mistérios da humanidade pelo que em breve terão notícias sobre um novo mail, associado não a um sofá mas a uma cadeira desconfortável atrás de uma parede de cristais líquidos.

Com nostalgia me despeço de todos aqueles que durante este ano receberam e-mails de Pedro.noronha.camara@bancobpi.pt, e que a partir de hoje irão sentir a falta e mesmo o aparecimento de um grande vazio nas suas caixas de correio pela ausência desta que foi uma das melhores combinações de letras cibernéticas. Alguns terão mesmo de apagar aquela regra que mandava os meus mails directamente para o lixo. Pois é a vida vai ser mais dura. Onde é que vai estar o incentivo para trabalhar. Mas minha cambada não desanimem porque continuo @HOTMAIL e numa praia perto de si. Até... Quem sabe até muito em breve. Anseiem por novidades minhas. Tê-las-ão em breve

Finalmente um obrigado por todos aqueles mails que nesta mesma caixa de correio recebi. Uns de apoio, outros apenas informativos, tantos de simples brincadeira e outros tantos ainda de mera galhofa. Sim porque, palhaços deste circo que é a vida, rir é importante e esta caixa de correio foi esse meio para vocês me fazerem rir. Pena que tantos mails bem intencionados que alguns de voes enviaram tenham sido retidos pela direcção de redes desta casa com bom nome a manter…

Resumindo: este já não é o meu mail a partir de hoje!

Beijinhos e abraços


Quarta-feira, Maio 31, 2006

 

Dicas úteis (culinária para malta que anda a navegar na net e tal...)

Uma bela (e longa) lição de economia (para cidadão comum):

http://video.google.com/videoplay?docid=-2640239019877885520

Os melhores golos de sempre:

http://video.google.com/videoplay?docid=7299597414008649266

Segunda-feira, Maio 29, 2006

 

O código da Vinci até é um bom filme, mas o que é sem dúvida uma brilhante curta-metragem...

O que é sem dúvida uma brilhante curta-metragem....
teve como cenário a entrada do recinto do Rock in Chelas e a acção é a seguinte:
um pai de uma família com 6 putos encara uma finalista em psicologia, que pela ocasião distribuía preservativos para juntar uns trocos para poder ter uma vida mais digna e diz com um misto de tristeza e de ironia, encarando alternadamente os filhos e a jovem finalista: “Não podias ter entregue esses preservativos há uns anos…”
Ou ainda um pai de uma família, certamente mais conservadora, que quando vê as suas filhas de 10 e 12 anos a receberem, desta jovem finalista, que apenas cumpre ordens de uma empresa que após ter realizado um estudo de mercado conclui que já se pratica sexo em Portugal desde a tenra idade dos 12 anos, uma caixa de preservativos, lhe pergunta: “O que é que a menina acha que está a fazer?” e pede às suas filhas para devolverem educadamente as caixas de “camisinhas”…
Ou ainda as crianças que invejando os seus amigos que brincam com balões hiper resistentes de látex e escorregadios pela vaselina, lhe vêm a pedir, à nossa jovem finalista para que abrilhante a sua juventude com uns balões como os dos amigos. Assim poderiam desfrutar melhor dos seus 10 aninhos…
É insólito o que pode acontecer a alguém que tem um chapéu em forma de ponta de preservativo...

Quinta-feira, Maio 04, 2006

 

Ideias para o caminho

1. Que dizer quando a única faculdade francesa que não fechou portas neste periodo de estupidez colectiva foi a de economia?
2. Os governos deviam preocupar-se mais em promover o livre funcionamento dos mercados e corrigir as suas imperfeições (que são muito mais reduzidas do que aquilo que se faz pensar: os monopolios naturais são poucos, assim como as situações de free riding e aquilo que se pode considerar de bem púlbico e ainda as extrenalidades) em vez de se tentarem subsituir ao mercado, com a arrogância política de pensar que sabem melhor do que os individuos livre aquilo que é melhor para eles.

1+2 Matem alguns políticos de carreira e abram os cordões à bolsa a alguns tecnocratas

Já agora deixem-me questionar algumas instituições sociais.

1. As ordens profissionais. Porque é que os recém licenciados de direito se hão de ter de submeter a provas tão ridiculas quanto arbitrárias para poderem exercer a sua activiade profissional. Porque é que eu não posso decidir livremente quem é que penso que é a pessoa melhor preparada e com custos mais competitivos para me servir de advogado. Mas que escandalo de prática de conluio é esta. Faltará muito tempo até que comecem a ter as práticas doentias de proteção dos que estão dentro do sistema como os médicos que controlam a abertura de faculdades da sua especialidade? Será que aqui o mercado não funciona? É que quando sai da faculdade de economia ocorreu me precisamente o seguinte: e agora como é que me posso proteger, enquanto classe, ao ponto de impedir que determinadas tarefas para as quais fui treinado a fazer, estejam bloqueadas a curiosos como os engenheiros? Será a ordem a solução? Posso proteger-me como os médicos? A resposta é simples: a única forma de me proteger é sendo melhor e mais barato do que os outros naquilo que faço. Não poderemos fazer o mesmo com os cuidados de saude???
(Continua....)

Terça-feira, Maio 02, 2006

 

A vida nas grandes cidades


Urbanismo. Sociedade do futuro. Duas chaves que uno da seguinte maneira. (antes de mais porquê debruçar-me sobre este tema: cidade pareceu uma cidade demasiado grande para viver agradavelmente. Afinal não são apenas as empresas que têm uma escala óptima e quando as cidades deixam de ser monopólios naturais (como no mundo emergente), passam a ter uma dimensão óptima por deseconomias de escala. Paris is well above that limit).
Para guiar o leitor e correndo o risco de estar a atirar um numero patético ao ar diria que uma cidade tem uma dimensão ideal nos 2-4 milhões de habitantes. Vejamos o que acontece numa cidade com 10 milhões de habitantes: área ocupada é para além do que a vista poderia jamais alcançar (um raio de cerca de 50-100 km parece me real). A criminalidade ganha economias de escala. O preço do imobiliário torna-se proibitivo, até para as próprias empresas. O transporte é demorado e confuso. A poluição insuportável para a saúde.A natureza eliminada. As pessoas encafuadas em espaços fechados.
Este tem sido o nosso modelo de crescimento económico altamente eficiente e que sem dúvida foi o grande pilar sobre o qual assentou o nosso grande boom económico como civilização.
Mas agora associe a estes dados uma série de inovações tecnológicas e ainda alguns avanços na gestão profissional de empresas, como por exemplo: vídeo conferência, call conference, Internet, computador de bolso, telemóvel, 3G, portáteis, boas estradas, aviões mais baratos, subcontratação de serviços (outsourcing) e ainda outra inovações que vão continuar a surgir, e diga-me uma boa razão para 8 milhões de pessoas e empresas não saírem destas grandes cidades de 10 milhões e se localizarem em cidades próximas mas mais pequenas e onde nichos de mercados que beneficiam do efeito rede proliferam, como Silicon Valey? Porque não uma organização por clusters? Também estou com dificuldade em encontrar boas razões... ( entretanto foi me dito que aparentemente em Paris esta tendência já é de certa forma uma realidade mas que as empresas têm avançado para periferias que funcionam autonomamente como pequenas cidades. É um primeiro passo...)


 

Desta feita... Pari e Stock

Quando parto numa viagem os primeiros pensamentos são dirigidos para o próprio conceito de viajar. Chego à conclusão que viajar é justamente pensar o mundo de uma forma simples. Mas pensar como quem vê e sabe o que vê. É encontrá-lo não nas páginas de um livro, mas na vitrina da nossa retina. E depois é enriquecer essa mesma informação com o sentimento e a sensibilidade com abertura de espirito que nos é conferida no momento. Se não fosse por mais nada, o simples facto de que quando leio um artigo sobre França, por exemplo, (o País onde me encontro agora) dedico-lhe alguns minutos. Estando no próprio País a confrontação com essa mesma realidade, que até podia estar nas páginas, é permanente e ai está focada toda a minha atenção durante momentos intermináveis de contemplação.
Assim, sigo pela largas avenidas de Paris a pensar França. A pensar esta realidade ambígua de um País rico, dos mais desenvolvidos do mundo, agarrado ao seu passado como um velho do Restelo ou como alguém que na Rússia comunista tivesse entrado em coma antes da queda do muro e acordado depois com a sensação que tudo estava na mesma. Esta não é a França liberal de Bonaparte, mas sim a França social de Bonaparte. É a França que acredita na igualdade e solidariedade definida e imposta desde cima e pouco convencida que neste mundo corajoso e pleno de oportunidades em que vivemos a total liberdade dos agentes conduz à valorização colectiva. Esta é uma sociedade de abundância onde o luxo de 50-60 dias de férias por ano são um direito perfeitamente insultuoso num mundo de concorrência. É a sociedade do subsidio onde tudo é tirado ao trabalhador e dado ao estudante, seja ele nacional ou estrangeiro. Subsídios para alugar casa a estudantes erasmus são uma realidade. Os serviços privados que lhes são prestados são todos oferecidos. Num sistema de educação Europeu, que aqui é ainda mais ridículo. Maioritariamente público, perpétua injustiças, sobre a falsa sensação de acesso universal, puxando a Europa academicamente para a cauda do mundo desenvolvido. Pouquíssimas são as Univversidades Europeias que conseguem concorrer com as Americanas, auto financiadas.Na América encontramos um sistema livre de mercado onde o subsidio tem de ser justificado para existir e não, como acontece em França para ser retirado. O principio é o do subsidio, num pais onde a agricultura é o maior consumidor de fundos europeus, destruindo todos os anos 50% do orçamento Europeu. Este é o País que tem duas velocidades para duas sociedades paralelas. Numa desenvolvem-se grandes empresas, altamente competitivas mundialmente, noutra engrossa-se o funcionalismo público. É um País opulento.
Paris é uma grande cidade. Uma cidade cuja beleza vem da sua construção e de lugares de puro encanto como os seus melhores restaurantes, museus e óperas. Adorei.

Terça-feira, Março 28, 2006

 

Always look on the brigth side of life... (porque faço este post enquanto vejo a cena genial de Life of Brian em que cantam esta malha..)

2h da manhã. Boa razão para colmatar (embora apenas ligeiramente) a minha falha de não ter completado o relato da minha viagem a Trieste/ Ljubliana.
Assim, transcrevo um dos vários textos que escrevi em Ljubliana, recordando Trieste. It goes something like this:

O prazer de reviver a atmosfera Erasmus no reencontro com um velho amigo... Existe entre todos a certeza de estar a viver ou ter vivido, a propósito de Erasmus, um momento verdadeiramente único. Mas bolas, esta minha afirmação é apenas uma implicação directa da linha do tempo e como linha recta que é não se cruza a si própria. Aquilo que mede o espaço que vai da chegada à partida da cidade Erasmus e que chamamos de tempo é, como sabemos, relativo. Ora se o tempo é relativo, e a nossa mente é capaz de recompor o passado, atribuindo-lhe acontecimentos, sentimentos e emoções que jamais estiveram presentes, ou que jamais serão recordados com exactidão, a qualidade desse momento é absolutamente e intrinsecamente mais relativa. Assim chegamos à relatividade estrondosa que o passado tem nas nossas vidas, uma vez que está preso à forma como quero recordar esse momento e não à forma como o vivi. Sabemos ainda da incerteza que encerra o futuro. Acabamos na conclusão de que o presente é hegemónico. O ser humano sempre se curvou perante o hegemónico, curve-se então, no abandono do passado e do futuro, perante a hegemonia do presente.

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

 

Começo a ganhar um gosto estranho por publicidade. E este...é simpesmente genial!

http://84.40.3.164/

Para já estes links enquanto não consigo pôr alguns videos brutais que tenho recebido...

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

 

Match Point

Abstraindo-me do realizador deste filme, este continua a ser um filme fora de série. Extraordinariamente bem conseguido. Absorvente. Inteligente. Pertinente. Divertido. Há muito tempo não gostava tanto de um filme…

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006

 

Ideias para o caminho

Hoje constatei na prática um facto que na verdade é mais ou menos óbvio, mas que poucas vezes utilizamos em benefício próprio. É que me parece que o caminho para uma felicidade diária passa por conhecermo-nos bem a nós próprios e aos outros e agirmos de acordo com esse conhecimento. Isso consegue-se através da viagem. Não a viagem física, mas a viagem ao interior de casa um de nós e dos que nos rodeiam no contacto diário. Pessoalmente, em consigo fazer melhor esta viagem, quando estou efectivamente em viagem física. É como uma oração que sai mais sincera. É como uma atenção redobrada aos outros. É através de uma maior necessidade do outro. É um silencio interior onde nascem iniciativas para a minha própria vida. Acontece-me sempre que viajo e a peregrinação foi, por razões evidentes, um desses momentos de particular intensidade.
Tenho como certo que as pessoas mais felizes não são as que vivem na agitação do dia a dia mas as que conseguem guardar algum tempo para este tipo de viagem espiritual...

 

Falta de seriedade

Cá está:

Pouco depois de ter apanhado, com dificuldade redobrada (frio e pericia na arte de evitar ser apanhado pela camara), o agente abaixo fotografado, mais do que para fazer turismo, entrei na cadetral de Trieste. A esperança que mais acalentava no momento da entrada era essencialmente a de estar mais quente nesta cadetral do que nas tradicionalmente frias igrejas, para assim, recuperar sentidos que considero, têm o seu papel na minha vida. Assim quando entrei, senti como uma enorme falta de seriedade neste cartaz que me pede de forma inclusivamente algo agressiva para não entrar na igreja de fato de banho. Ainda bem que me avisam. É que só mesmo pelo meu enorme interesse cultural, fui a casa trocar o fato de banho por uma camisa termica, 3 T-Shirts, luvas, cachecol e casaco de neve.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

 

A Camara indiscreta

Aqui está o mestre do disfarce...

Desta vez ele finge ser Italiano e encontra-se a operar em Trieste. Aqui a sua forma de actuação pauta-se pela prevenção por oposição à sanção, como acontece em Portugal. Desta forma o agente, que nesta zona do Globo enverga em vez do verde ridículo, o cor de laranja rídiculo como forma de intimidação, esconde-se atrás do muro mais próximo, dando uma estranha sensação de confiança ao condutor que ao imobilizar a viatura, vê saltar de trás de um muro, um discípulo de Hitler, que chegando perto da sua janela cobra de imediato o valor do estacionamento, não havendo qualquer hipótese de prevaricar. Cá está a prevenção em vez da sanção. Mas nesta parte do globo temos de ter alguma consideração pelo verme que luta conta adversidades climatéricas como nunca presenciei na vida. Eu próprio tive de enfrentar uma dura batalha, primeiro para o conseguir apanhar com a máquina, depois para conseguir manter os dedos na mão, uma vez expostos ao frio. Desaconselho fotografias com temperaturas iguais ou inferiores a -15 graus. Mas o que Lança não faz pela sua rúbrica, a Camara indiscreta...

Domingo, Fevereiro 05, 2006

 

Contributo para o jornalismo

Um contributo possível para tornar o meu domingo típico, tentando contrariar a também típica ressaca, é sentar-me na cadeira, comprada também ela num típico dia de fim-de-semana passado no IKEA, em que multidões enchiam o espaço, e ler o meu expresso. Como é que o expresso veio parar às minhas mãos? Ontem depois da tentativa de jogar ténis, passei pelo corte inglês e quando cheguei à zona destinada aos jornais, lá estavam os famosos sacos de domingueiro que continham o “expesso” material que constitui o expresso. Estava também presente imprensa internacional de qualidade através do financial times, por exemplo. Esta edição de fim-de-semana (como a edição diária aliás), tem um preço "elevado" e igual ao expresso. Mas diria, adiantando-me em direcção à conclusão que num caso estamos a pagar o papel que suporta a publicidade e no outro informação relevante para as nossas vidas. Mas naquele preciso momento não estava completamente ciente deste facto e decidi comprar o expresso. Matar saudades dessa leitura típica. Dar lhe o beneficio da dúvida, até porque passo a semana a ler noticias sobre mercados financeiros. Assim fiz. Sai do El corte, com o meu típico saco de fim-de-semana. Todo ele é publicidade alertando desde logo para o conteúdo. A verdade é que a leitura que agora termino foi pouco frutuosa e estou desiludido com a escolha que fiz. No entanto uma notícia chama a minha atenção (não, não é se a tia Manuela que criou ridícula cadeia Parfois, vai investir mais 6 milhões de euros, montante irrisório ao lado dos 1 000 000 000 euros que vim a saber mais á frente, os portugueses gastaram no Euromilhões durante 2005 (será que ganhámos 1/10 deste montante em prémios???)). Essa noticia está justamente na secção internacional onde se têm passado coisas mais interessantes, como o processo Enron. Não é que os fundadores da empresa enfrentam a pena prisão perpétua, "apenas" por um crime financeiro. Mete medo não mete. E é bom que meta porque crimes de corrupção como este abalam toda uma economia mundial, criando crises de confiança gigantes, como aliás toda a corrupção. Será que a justiça (principalmente os legisladores) em Portugal já perceberam isto??? Mas depois vinha a piece de resistence (como em:O homem que mordeu o cão) da reportagem. A jornalista Christiama Martins, para explicar ao provinciano Português a realidade americana, escreve o seguinte: "Um dos advogados que está a acompanhar o processo da Enron, disse, citado pelo Financial Times (o tal jornal que me arrependo de não ter comprado), que este julgamento será uma espécie de "Super Bowl dos julgamentos de casos empresariais", fazendo uma analogia com o mediático campeonato de BASEBOL." Basebol???? Mas onde tens a cabeça? E se dessem internet aos jornalistas da redacção para fazerem uma simples busca?? É que ainda por cima o Super Bowl está a ser jogado enquanto escrevo este Post e não vejo muitos gajos com bastões nas mãos! Pode ser opção táctica... Assim deverá estar a pensar agora mais uma grande jornalista, deste grande jornal que em no meio de todo o lixo publicitário com que nos ataca, consegue sempre reservar a página central, das suas folhas tamanha A1 para mais um mega anúncio. Obrigado Expresso

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

 

Sites recomendáveis

Todos os dias somos bombardeados como mails. Alguns extremamente chatos, que ainda por cima no fim nos garantem má sorte caso não procedamos de determinada maneira. Ao fazer a triagem entre uns mails e outros, à chegada de férias, encontrei dois mails que me davam estes dois links (ou caminhos) para uns largos momentos de risada:

Aqui estão eles:

http://media.putfile.com/stv
Bolas o outro é um ficheiro media player simplesmente genial que não sei se dá para pôr num blog...


Gostava de poder acrescentar o site onde, de graça, vi o jogo do Benfica em directo no estrangeiro. Genial. (o resultado não interessa para o caso). Fica para uma próxima ocasião.

(é verdade...apenas promessas!)

 

The wonderful gathering of the sea and Mountain

(A escrever assim como:
Ljubliana- City of Angels
Lose your head and be happy in Ljubliana
Back to reality)

 

Pensamentos em viagem

(Lago gelado em Bled-Eslovénia, que permite acesso à ilha central)


Não consigo explicar a sensação de liberdade que emerge quando me encontro sozinho num aeroporto, numa estação de comboios ou de autocarros, na perspectiva de longas distâncias e na incerteza do que poderei ver no percurso e acima de tudo à chegada. É avassalador. É uma excitação de criança. É a total liberdade do espirito que se intensifica com o passar dos dias em viagem. No limite acabo por estar disposto a seguir o que o momento decidir por mim. Os pensamentos não estão balizados, perco o padrão. Deixa de haver normalidade, rotina, para passar a haver simplesmente aquilo que estou a fazer e aquilo que me deixo ficar a ver.

 

The wonderful ride



21 de Janeiro, nasceu o meu Pai. Assim, entre os mocassains (como é que raio se escreve a palavra que se refere aqueles sapatos ridículos?!) que tinha vestidos e os ténis e calças de ganga que tinha penduradas para vestir até às 15h30, estava eu com mais de 30 pessoas, em festa pelo meu Pai. Comboio no Oriente às 16h05, com saída da Sidónio Pais às 15h52. Os nervos associados à forte hipótese de perder o comboio (seguido de avião) das primeiras férias laborais, eram apenas normais e provocaram um embate. É que como eu tinha insistido em ir a guiar, e assim a minha irmã acabava de presenciar o embate do meu Golf com o carro da frente, no momento em que eu tentava sair do lugar. Um encosto banal em Espanha, mas não na Sidónio Pais. A viagem até ao “Oriente”, entre a esperança de apanhar o comboio e o pessimismo de perder a ligação para as primeiras férias, foi qualquer coisa de fazer a minha irmã temer pela vida em diversas ocasiões. Ao dobrar o último semáforo (o êxtase da dualidade em que me encontrava), deparo-me com uma fila de carros que ia até ao Vasco da Gama e um pendular que se aproximava da plataforma de cimento com o nº1. Sabendo de antemão que a sua paragem seria de apenas 30 seg. e conhecendo os meus limites físicos, tive um despejo de toda a adrenalina que consegui produzir em 23 anos de vida que combinei com um optimismo irrealista de ainda apanhar o comboio e pegando nas malas corri. Segundo a minha irmã, a fila de transito “parou”, pessoas saíram dos carros e começaram a gritar pelo meu sucesso. Estes 3 elementos combinados e um berro que mandei ao pica assim que avistei o comboio ao fundo da plataforma de cimento, contribuíram decisivamente para que nas próximas 3h estivesse sentado num qualquer lugar do pendular a restabelecer os níveis normais de adrenalina. Missão complicada uma vez que afinal de contas estava a caminha da Eslovénia/Trieste, esse destino excitante, naquilo que seriam as minha primeiras férias. E que sentimento me preenchia. È que viajar mexe profundamente comigo. Partir e chegar são momentos fortíssimos. E eu agora partia sem vislumbrar razoavelmente o regresso. Once again.
Assim começava a grande viagem. Espaço ainda ara referir 2 momentos: Porto e Londres.
Em relação ao primeiro um agradecimento ao Tiago, que trabalha comigo no BPI (e que me entrevistou durante o recrutamento) e que mostrou que mais do que as relações no trabalho são as pessoas que estão por trás dessa relação. Ele teve esse grande gesto de me ir buscar ao comboio e levar ao remodelado aeroporto Sá Carneiro. E que remodelação terá esta obra operado nas construtoras que ganharam o “concurso”. A verdade é que aquele espectáculo de virdo e lâmpadas que é o novo terminal estava ao abandono. No entanto, houve uma coisa que ainda me fez mais confusão que isso. É que quando acabei de comer uma banana e me dirigi ao também moderno caixote do lixo deparei-me com a seguinte estúpida dúvida existencial. Será a casca de banana uma embalagem ou papel/cartão. Obviamente a primeira. Apenas não me aprecebi disso imediatamente porque tinha 6 meses de trabalho em cima.
Londres, nas próximas 12h iria continuar a consumir as compras de supermercado e teria ainda de encontrar um lugar para dormir no aeroporto cheio de corpos inanimados e desconfortavelmente encrostados nas cadeiras, chão e carrinhos do aeroporto Low Cost. Como sempre acontece, apalparia o terreno antes de avançar. Optimização da resposta, medo de falhar. Passo a pente fino todo o rectângulo que é o terminal. Encontrei a base de uma coluna. Quando fui acordado por Bifes (a fazer lembrar os tempos das escolas de inglês de verão) procurei nova fonte de tortura para as próximas 5h uma vez que tinha apenas passado 3. Na reunião de dois bancos voltados de costas havia um estreito espaço bastante acima do nível do chão. Aí ficaria a dormir tentando controlar ao mesmo tempo as minhas malas.
Depois deste episódio estava a olhar para uma pequena maravilha. Os Alpes terminavam e o mediterrâneo começava e assim surgia Trieste...

 

A chegada das primeiras férias




Finalmente a iniciativa de escrever. Em frente ao papel, numa pizzaria Eslovena, na ressaca de uma derrota pesada, ante 1 equipa que tem feito 1 época fraquíssima, e enquanto espero pelo comboio que me levará a Trieste, encontro o primeiro momento de paragem e que me permite inscrever algumas ideias e momentos vividos nestes dias. A única forma fiel e completa de alcançar este desígnio teria sido a de salvar os meus pensamentos num disco rígido e agora passá-los a limpo. Na verdade estou apenas a adulterar a realidade, porque a cabeça humana simplesmente não possui a capacidade de registar factos, apenas registará aspectos relacionados com aquilo que foi a nossa vivência de cada momento.

But it goes something like this:


Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

 

Ideia para um desempregado...

Estás desempregado, em casa, no sofá, com batatas de frita em cima de ti e já são 5 da manhã?? Tens cáries nos dentes? Gostas de kricket? Então segue o exemplo dos mestres e torna-te activo como eles. Em seguida dou-te um exemplo de alguém que estava como tu e agora e um homem rico e de respeito. Ele escreveu o seguinte e depois pôs na minha caixa de correio:

Previsões e orientações espirituais- Através das agulhas, búzios e cartas

Atenção
(gosto particularmente da chamada de atenção.
Como se nós já não tivéssemos ansiosos por ler o que
vem a seguir.)
Todo o problema tem solução.
(boa escolha, a do itálico, concordam?)
O poder da Fé opera maravilhas em
sua vida, por mais difícil que possa ser:
Amor, Negócio, Depressão (sim depois da vírgula vem uma maíuscula)
Angústia, Solidão, Dificuldade nos
estudos, Justiça, Vícios, Intrigas
familiares (a que se referirá??), Inveja (como assim se tenho inveja
tiras o brinquedo ao meu irmão?), Mau olhado (alguém me diga o que é isto!!)
Perturbações e Doenças espirituais,
Feitiçarias (ainda se faz disso?), Impotências (de várias estripes), Etc.. (também ele com maíuscula)
Procure-nos ainda hoje e terá
SOLUÇÃO RÁPIDA
com sigilio absoluto.
Punchline (combinei itálico com Bold)
Trás pessoa amada de volta EM 3 DIAS!!!!!!!!!!!!!!!
Lisboa
Esqueçam o que eu disse no princípio, mas se tiverem de facto batatas em cima de vocês às 5 da manhã liguem para 96 52 45 151

 

Ideias para o caminho 2...

Kasparov em entrevista no lançamento de um livro:

Q: I'm a psychoanalyst. What are the most important characteristics to become a champion chessplayer?

That's an excellent question. Psychology is an important part of the book, which isn't only about world champions but about those others who had made massive contributions to chess, but who fell short. And when reading about those other players you can see they often fell just an inch short. In certain cases they had more impact on chess and its development than those who did become champions. To reach the title you have to be exceptional and you have to look at psychology. It's not just about finding the best move, about moving the chess pieces, but about being able to show your best qualities at the right moment. That's why psychology played a very important role in the history of classical chess. I would say that most of the key matches were decided by the psychological hype. One could resist the pressure and the other could not.

Aplicar-se-á à vida?? Hum...

 

Ideia para o caminho...(Levar para a viagem eterna)

A nossa opinião sobre coisas tão elementares como a liberdade depende da forma como a questão é apresentada. Por exemplo, se fosse perguntado a uma qualquer maioria de uma qualquer sociedade se acha que as pessoas deviam ser livres de defender o aborto ou se deveria ser permitido às pessoas colocarem-se num banco de parque com um megafone a defender o comunismo ou mesmo o capitalismo, certamente a algumas destas perguntas, algumas sociedades responderiam, em maioria: "com certeza que não". Ora se por outro lado se perguntar a qualquer uma dessas mesmas sociedades se devem ser livres de defender qualquer uma das posições em que acreditam elas responderiam certamente que sim, em nome da liberdade. Conclusão: se o produto for apresentado na forma de pagote/bundle, existe maior probabilidade da maioria comprar. Conclusão 2ª: faz mais sentido uma sociedade com poucas regras, porque quando as leis são definidas ao pormenor estão provavelmente a ir contra principios mais gerais e a confundir quem as deve cumprir, afastando a do objectivo primeiro. E esta hein?

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

 

O/A camara indiscreto/a-De besta a bestial


A alternativa aos parquimetros... Posted by Picasa

Desta vez, estes senhores prevaricadores que protagonizam mais uma situação altamente caricata na sociedade Portuguesa, foram encurralados pela minha objectiva. Hoje em dia, como qualquer típico trabalhador, já perco demasiado tempo a falar sobre o que vai mal neste país. Assim não irei a escrever muito sobre esse tema, prometo.
De qualquer maneira esta situação na minha rua merece um comentário. Então não é que, espantem-se os leitores, esta rua sempre teve parquímetros nos quais os sapos actuaram de forma impetuosa, multando-me mesmo a mim, morador, porque não renovei o selo (bestas!!!!!). Pois bem, as obras no túnel do marquês introduziram algumas alterações ao trânsito local. Assim, na minha rua passaram a circular mais carros, desviados na António aug. de Aguiar. Por isso mesmo deixaram de haver lugares de parquímetros, porque a rua passou a ter mais faixas de circulação. O bom velho tuga, que tem toques de besta lembra-se de fazer o quê? Nem mais nem menos: “Que bom que nos tiraram os lugares quase todos porque agora em vez de pararmos no sentido do transito, o que deixava poucos lugares, passamos a parar em espinha e nem pagamos parquímetro!”. Genial minha brilhante criatura. Mas como tu bem sabes esse lugar onde tu paras é um passeio e segundo o novo código, roubares simplesmente o espaço para o peão passar é severamente punido, com a cassação da carta de condução (que bela expressão, pura estética literária). O sinal de proibido está lá, bem ao lado, as matriculas também! Qué feito da punição exemplar que falta há anos neste pais em múltiplas situações da vida nacional!

 

a/o camara indiscreta/o 2


Uma imagem vale aproximadamente 565 palavras Posted by Picasa

Aqui está a nova campanha do BES, a qual penso já ter referido. As we speak or as I write para ser mais preciso, esta campanha já estará terminada. No entanto deixa as suas marcas de brilhantismo. Todos os dias, nesta altura de férias, o BES entre as 6 e as 9 da noite, para também não sair muito caro, utilizou o seu edifício com vista para o marquês e que encara de frente a movimentada Av. Fontes Pereira de Melo, para inteligentemente desejar bom natal e ano novo aos Lisboetas e alfacinhas de arredores. Para além deste impacto visual, que levava toda a gente a parar nos semáforos onde normalmente se matam por sobrevoar o carro da frente, reuniam-se ainda famílias típicas em peso para brincarem com a “neve” e tirarem muitas fotografias. A verdade é que estavam lá 50 pessoas em média durante o período em que em frente deste cartaz saia neve artificial (muito artificial). Mas é obvio que não é em vão que o espirito santo está em todo o lado em Portugal como diz e muito bem o Louça. Os favores que esta corrupta instituição consegue junto das autoridades (isto para não lembrar os computadores que voaram pela janela do private do Bes quando a PJ fez a rusga), permitiu ter o necessário polícia de trânsito, encharcar/sujar as ruas circundantes e ainda ter os bombeiros para limpar. Como diz o povo: não há bela sem senão. Mas se o BES ganha, nós ficamos felizes...

 

a/o camara indiscreta/o 1


Dakar: o patrocinador oficial de Lisboa 2006. A confian�a dos concorrentes: "Se sobrevivi no transito da cidade de Lisboa, tenho a certeza que irei concluir a prova" Posted by Picasa


Novo episódio de imenso relevo nacional: Lisboa tem o nome numa das duas palavras de uma prova grandiosa. Esta ano chama-se: Lisboa- Dakar. Não faço ideia, mas o impacto que isto tem sobre a imagem de Lisboa/ Portugal em termos turísticos é muito considerável. Mais do que ter o rally a partir efectivamente de Portugal. Assim Lisboa pode continuar esta saga, que teve como um ponto alto, o ser referida pelo New York Time, como uma cidade muito cool (isto é completamente verdade, e o melhor é que o artigo estava muito bem fundamentado). Parabéns Lisboa. Boa sorte concorrentes. Pelo menos pela perspicácia já mereciam ganhar todos. Perceberam rapidamente que o estacionamento em Lisboa era feito em cima dos passeios, principalmente para as camionetas (como o exemplar apanhado pela camara indiscreta).

 

Inaguração da rubrica: a/o camara indiscreta/o


A metamorfose do sapo hitlariano...Do verde alface ao cinzento reflector. Posted by Picasa


E é assim sem mais nem menos que se dá início a esta nova rubrica do blog www.aviagemeterna.blogspot.com. Outro impulso tão básico quanto escrever começou a tomar parte do meu subconsciente. Publicar momentos eternizados passou a ser a tarefa da Lança. Assim das ruas de Lisboa (e não só) serão resgatados momentos/ situações com as quais o camara indiscreto for confrontado. Assim se inaugura a rubrica: a/o camara indiscreta/o.
Neste número zero consegui registar o camaleão das ruas da cidade. Este espécime, muitas vezes acusado justamente de ser pior que o próprio promotor da sanguinária 2ª guerra mundial, está cada vez mais perito na arte do disfarce. Por esta altura ele enverga uma vestimenta com cor igual à maioria dos carros no meio dos quais ele se movimenta. No caso concreto fotografado acima, o exemplar desta espécie utiliza inclusivamente a proximidade de uma árvore para passar despercebido ao indivíduo proprietário desta viatura que ele se prepara para discretamente multar. No caso de um confronto directo, ele utilizará os seus poderosos retro-reflectores para encadear o incumpridor. Com o número zero desta rubrica, estou a prestar um serviço ao alertar o cidadão Lisboeta, para a nova aparência deste perigoso animal, mestre do disfarce. (Por quão odiosos eles possam ser e por quão questionável possa ser a legitimidade da empresa que os lança todos os dias nas ruas de Lisboa, a sua função na redução do transito da cidade é central. Caso para dizer: não há bela sem senão. Mais um contributo para a cultura popular portuguesa.)

Sábado, Dezembro 24, 2005

 

As escolhas da Lança

Melhor investimento do mês de Novembro: 10% na indústria do ouro só num mês. Num conjunto diversificado de empresas é um bom número (sorte de principiante).
Melhor cartão de crédito: Citi Group: criando um novo modelo de negócio (como aliás tem acontecido a maior parte das empresas a nível mundial e a um ritmo muito inferior em Portugal), lançaram em modo de promoção este cartão com anuidade gratuita (e vitalícia) e ainda com seguro 90 dias para os bens comprados com o cartão, 1% de desconto em todas as compras, entre outras vantagens como a de se poder associar a qualquer conta e ter um site na Internet com todos os movimentos efectuados. A marca diz o resto.
Melhor investimento do ano: vários. Este foi um ano em que classes como emergentes, Japão e Europa (na 2ª metade do ano), ouro, petróleo e platina tiverem performances muito boas entre os 25% e os 50%.
Melhores investimentos de médio prazo para o próximo ano: Acções de grande crescimento nos EUA, Ouro, Obrigações (na primeira metade do ano) e ter alguma atenção aos fundamentais para alguns mercados emergentes. A economia Mundial está pujante.
Melhor jogo de Futebol para 2006: Barcelona-Chelsea e Portugal-Angola , por razões opostas.
Maior expectativa e maior oportunidade: Rock in Rio 2006 e oportunidade para compra e vender na candonga.

 

Christmas is that time of the year...Bom natal. Que mais dizer


N�o podia deixar de estar presente neste regresso um postal de Natal que furiosamente recebemos pelo correio, pelo correio interno da empresa, pelo e-mail e at� de por m�o. Uma imagem de um natal com Neve como todos s�o n�o obstante n�o termos neve em Lisboa vai para 50 anos. Bem na verdade para o BES passaram apenas algumas horas desde que isso aconteceu. Let them have there own shown. Que a prop�sito � uma ideia genial de markting Posted by Picasa

 

Outro regresso do Blog- A nova realidade...

Pois é meus caros, o Blog não morreu como foi avançado por alguma e certa comunicação social. Recuso-me no entanto a responder na mesma moeda, razão pela qual não irei apontar o dedo a esse indigno periódico que é o “crime” e que outra coisa não tem procurado senão o fim deste Blog, através da utilização de tácticas pouco leais de concorrência, inventando histórias, como a mulher que deu à luz um filho extraterrestre. Não irei entrar nesse terreno. Continuarei tão singelamente (parafraseando o poeta Zé cabra) a contar o conteúdo verídico de alguns dos momentos que a minha vida vai atravessando, bem como pensamentos que ela me vai sugerindo.
O trabalho (a nova realidade com que me deparo) tem ao contrário daquilo que muitos pensam, por antecipação, um certo efeito tranquilizador e estabilizador da vida. Se por um lado temos menos tempo para fazer determinadas coisas, decorre imediatamente deste facto que aproveitamos muito melhor aquele que temos. Se por um lado começamos a sentir mais falta de certas coisas tão simples como estar com os amigos, decorre imediatamente deste facto que damos muito mais valor a esses pequenos momentos e assim os tornamos melhores. Se por um lado um assunto que ganha relevo nas nossas conversas é o trabalho, decorre imediatamente deste facto que mais tempo está a ser preenchido com uma tarefa que embora não tão útil para nós numa perspectiva de prioridades pessoais, é sinal de que estamos a ser finalmente úteis à sociedade.
Há no entanto um risco: a rotina. Felizmente ainda está longe de me afectar. Jamais seria capaz de me deixar apanhar por essa maleita em fase tão incial da minha vida profissional. Mas ela está ai à solta meus amigos. E parece-me que esse é o grande mal dos ambientes laborais portugueses. A rigidez do sistema de promoções, despedimento, prémios, por ai fora (vocês sabem do que é que eu estou a falar), gera uma situação de fundo muito simples, há qual é oferecida apenas duas soluções. Ou estás disposto a entrar em grande ruptura com o status quo, como seja ir para o estrangeiro, ficar em Lisboa trabalhando 20h por dia e perdendo meia semana em aeroportos, ou então a alternativa é a de simplesmente deixar as coisas andar e deixar que uma enorme frustração de não haver um meio termo te possa transformar numa pessoa amarga, com pouca ambição e pouca vontade de trabalhar. No entanto, lá continuarás a fazer qualquer “coisinha” pela “vidinha” no país dos diminutivos e das coisas pequenas como diz o filósofo José Gil.
Depois há o terceiro aspecto desta minha nova reflexão e que é a antes de mais um elogio rasgado a Portugal, o país que eu adoro, no qual adoro as pessoas e a vida que nele posso levar. Mas depois dele há todo um mundo para conhecer. Há esse imperativo interior. Este é apenas um dos paraísos na terra. É o meu é certo, mas é apenas um entre outros. E nada melhor que saltar de paraíso em paraíso, para regressar ao Éden. Assim se explica a minha continua fixação por viajar. Talvez esta seja a minha obsessão que tenho menos dificuldade em partilhar e daí tenha dado origem a este Blog... Em seguida faço um update sobre as minhas mais recentes e próximas viagens... A todos um forte abraço ou beijinho sentido. hehe.

Sexta-feira, Julho 01, 2005

 

Outro olhar sobre Barcelona


Uma vez mais Barcelona. Sim, adiei o meu regresso em 6 dias: estarei em Lisboa dia 6 de Julho. Continuo a procurar nao ser faccioso em relacçao a esta cidade, mas ela nao para de me surpreender.
A vida nesta altura do ano, é diferente do Inverno quente, que marcou o meu Erasmus. Acabamos de cruzar o dia mais longo do ano e o calor tem sido praticamente sufucante, a noroeste de Lisboa, mais concretamente em Barcelona. Finalmente hoje respiramos com facilidade e assim continuará se ao contrário do que tem acontecido a temperatura hoje à noite nao vier a ser superior aquela que se verificou durante o dia como tem acontecido no passado. Por outro lado, as praias aqui em Barcelona como em quase qualquer cidade Industrial do Mundo à excepçao do Rio de Janeiro prai, deixam bastante a desejar. Para além da sua areia ter sido trazida de algum grande arial de algum ponto do mundo, de onde nao fosse caro transportá-la (á imagem da areia que chegou à Madeira vinda do Sahara), a agua está nauseabunda. No outro dia quando flutuei na agua em cima de um colchao acabei por ficar surpreendido por ver manchas de gasolina na parte que acabava de estar em contacto com a agua. As autoridades estarao interessadas em prever qualquer tipo de escandalo nesta cidade visitada por milhoes pelo que continuo na sequencia, mar- duche.
Mas esta cidade é acima de tudo fascinante e surpreendente. Surprende-me a cada dia. Passo entao a contar alguns dos muitos episodios que me tem surpreendido. Heis a selecçao destes episodios para o Blog:

1: Apanhados no Metro:
Ontem uma Erasmita portuguesa de seu nome Sofia Clara fazia os últimos preparativos para ir para Lisboa numa Sharan com um volume de cargas feminino e correspondente a dois anos de estadia em Barcelona (dentro do carro seguem agora 500 quilos de carga pelos menos e 3 raparigas, em dois bancos, a terceira vai atrás no meio das malas). Tomé, o meu anfitriao aqui em Barça, gostava de aproveitar este facto para enviar alguns dos seus mais modestos volumes para Portugal evitando assim pagar valores exurbitantes às companhias aereas. No calor insuportável desta cidade, dirigimo-nos ao metro com as nossas t-shirts em punho, bem como as malas e duas litrosas. Enquanto esperamos 8 min pelo Metro e apenas para tentar refrescar, abrimos a esforço as famosas litrosas e assim ficamos por 7 min a refresecar com as litrosas e as T-shirts em punho mantendo as malas à nossa frente. Perante as sliding doors do metro que acabava de chegar, assim como estávamos pegamos nas malas e quando prestes a entrar, começam a gritar e quando olhamos apercebemo nos de que sao dois guardas a chamar por nós mesmos. Para começar, dizem eles, vao vestir as T-shirts e deitar as litrosas no lixo porque ambas as situaçoes em que os senhores prevaricadores incorrem nao sao permitidas. E agora se fazem o favor mostram nos os bilhetes que acabam de nao picar para que possamos confirmar essa situaçao. Entao senhor segurança aqui tem os nossos bilhetes devidamente nao obliterados. Mas nao assumir a nossa falha foi verdadeiramente o nosso crime. Depois de me ter feito acompanhar pelos seguranças, enquanto o Tomé guardava as malas e de termos comprovado a nossa mentira, o senhor guarda assumindo que o que acabava de acontecer era o mais soft do seu dia aplicou nos a seguinte coima acessória. Irao até à maquina de obliterar os bilhetes, com 10 passos de pé coxinho com cada perna, depois em saltos de coelho durante 5 metros e ainda, finalizar a chegada à maquina com uma cambalhota. Tudo isto com as malas. Foi esta a nossa coima apenas porque nao dissemos a verdade. A minha memória emocional estava certamente desactivada porque apenas depois me lembrei o quao penoso tinha sido fazer isto na 4a classe por percismente ter sido um menino mau e ter mentido. Bem esta noite tambem acabou as 8 da manha à saida de uma discoteca.

2: Eu enquanto Mcgaiver:
Na grande festa e confusao de quartos que vai na casa do Tomás onde vivem 7 pessoas entre alema, mexicanos, franceses, Portugues, o Tomás tava de saida do seu quarto e mudou todas as suas coisas para o quarto onde eu próprio estou a dormir e onde estao todas as minhas coisas. Sublinho TODAS. Bem com tudo lá dentro vem uma corrente de ar já habitual. A porta fecha-se com o estrondo de sempre. Agora vem a parte interessante e que quase ia lixando o nosso dia senao mesmo a nossa estadia em barça. A porta que se fecha ficou como que por artes mágicas fucking fechada por dentro e como aquele nao era senao um quarto da casa que nós tinhamos ocupado, nao tinhamos a chave. O pânico quase nos tirou o raciocinio. Abordamos o problema por várias frentes que nao vale a pena relatar agora. Mas uma das hipoteses, em vez de arrombar a porta e assim fazer com que o tomás deixasse de receber a cauçao, era levar um seralheiro lá a casa para abrir a porta. O preço elevado que isso representa para dois estudantes ia fazendo de nós próprios dois seralheiros com poucas esperanças de sucesso. Entretanto fui juntando peças, recurdando episódios do Mcgaiver, falando com mecanicos que trabalham ao pé da casa do tomás, moldando os meus clips segundo esses mesmos conceitos. O resultado final eram clips deformados. Puxei de uma cadeira, comi um pudim flan e comecei a laborar na porta. Com estes dois arames fiz o milagre. Abri o raio da fechadura e trouxe mais felicidade ao mundo.

3: Eu enquanto potencial vencedor do Euro Milhoes
Nada de mais. O computador da minha faculdade onde escrevo agora, apenas me permitiu o acesso porque há uma semana, enquanto eu desesperava perante a antipatida dos outros alunos ao nao me facultarem as suas pass word, sentei me atrás de um ecran a tentar combinaçoes, Username Password. Peço desculpa se eu sabia a chave do euro milhoes e ainda que o aluno u24866 usa como password a palavra madrid. Peço desculpa.

4: Americanos alucinados: Conto depois

5: Praia de Nudistas: Conto depois

Quero ainda falar de um tema que me tocou o espirito: a Solidao, nas suas dievrsas formas, tanto benéficas como destrutivas.

Ah e Viva o Budismo como forma de conhecimento do ser humano, nao tanto enquanto religiao.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

 

A emoçao das viagens (agora de barcelona) volta ao blog



Tenho noçao que acabo de completar, pelo menos, um ano fabuloso em todos os sentidos, muito por causa das inumeras e únicas viagens que tive a sorte de fazer no decorrer dos últimos 300 dias da minha vida. Regressado à origem do impeto (barcelona porquanto erasmus terá sido essa influência decissiva), consegui por fim contemplar essa mesma sorte. No entanto, aquilo que me encheu o espirito nao foi apenas isso. Foi também este primeiro dia fora de Portugal e na cidade pela qual me apaixonei e com a qual estive comprometido durante quatro meses que me encheu de alegria. Gostava entao de aproveitar a internet gratuita que consegui na minha anitga Universidade, pedindo o código a um ainda aluno da Pompeu Fabra, para falar sobre 3 questoes simples:
1- Como é que caraterizo Barcelona?
2- Porque que é que me mal chego ao estrangeiro me dá um locura que me torna capaz de palmilhar quilómetros sem fim em trasportes demorados e a pé?
3- Porque raio é que no estrangeiro me torno compulsivo na escrita?
1- Barcelona é simplesmente maravilhosa. Sim poderia dizer-se facilmente que estou a ser tendencioso. But guess what? Nao estou! E para o provar deixem-me enumerar apenas alguns aspectos que arrasam qualquer dúvida.
A seguranca que se sente. E quem escreve sobre isto, sou eu,que fui assaltadao dentro do próprio carro aqui nesta cidade. É imprecionante a motivacaoe presenca policial. E incrivel. Ponto. Estao por todo o lado e a qualquer hora do dia. Ontem numa zona perigosa às 4 da manha quando cheguei enquanto esperava o autocarro durante 45 min testumunhei que passaram mais carros de patrulha que outros carros. A sua accao nao se pauta pelas duvida, mas pela atitude decidida. Unica forma de lidar com o crime alias.
A beleza arquitetónica. É escusado falar na magnificiência das obras de gaudi. Mas a harmonia geométrica e o sentido integrador de cada edificio tornam essa beleza insuplantável.
A tolerância. Nesta cidade vive dos maiores conglomerados de correntes ideologicas e de estilos de vida. Os ocupas, os hipis, os industriais, os profissionais liberais, das populaçoes mais jovens de toda a europa, com uma natalidade aparentemente incompreensivel no contexto europeu, das maiores concentraçoes de turistas da europa, das maiores comunidades erasmus e mesmo de estudantes da penisula ibérica. E muitas raças... E todos vivem num harmonia que aos nossos olhos pouco tolerantes e mesmo racistas após acontecimentos como o de Carcavelos, chega mesmo a fazer confusao.
Sao vanguardistas e trabalhadores. Que diferença para o nosso conservadorismo bacouco e sem sentido (sentido que poderia ter, nao digo que nao. Mas nao tem de facto). Que diferença para a atitude de laxismo no trabalho. Todos sabemos que nada se faz sem trabalho. E se os catalaes tem esta maravilhosa cidade onde tudo funciona nao e por sorte. É antes pela forma abenegada como trabalham. Sao produtivos e criativos. Deixo aqui entao dois pensamentos: quando as 100 pessoas de quem eu dependo no trabalho sao mais eficientes, eu torno me sem esforço 100 vezes mais eficiente! a criatividade embora correlacionada com a cultura, deriva acima de tudo do trabalho e apenas com muitas pessoas a trabalhar na inovaçao se pode atingir niveis de exigencia como se alcanca aqui. Surgem ideias tao originais como visitas guiadas por telemóvel!!
Finalmente, esta é uma cidade que respira juventude. Vê-se na sua noite.
Quanto à minha estadia por Barcelona pergunta-se vocês! Ficou para já a matar saudades de amigos e spots até sabado. Irei entao para Girona e Costa Brava com o meu espirito de viajante a acompanhar. (Espero fazer wind surf ai). Regresso entao a Barcelona para uma semana de ramboia, aproveitando as festas de despedida dos Erasmus. O meu numero aqui em barça é 697210159.
2- O facto de ter um carro com deposito cheio, à porta de casa em Lisboa é uma primeira resposta. Também é verdade que em Lisboa a maior parte das coisas que perciso já tenho em casa. Isso reduz a minha necessidade de sair. Depois estou um bocado perto de tudo e acabo por me tornar comodista. Mas a prova de que o nao sou, para os mais cepticos, é mesmo a minha atitude no estrangeiro. Aqui estou eu com uma subida ao parque guell e mais de uma dezena de quilometros em cima no meu primeiro dia em barça. Preparo me ainda para apanhar autocarro e comboio e ir à aventura. Existe de facto algum espirito que nos inunda só no estrangeiro. Mas a minha preguiça começa a cair por terra.
3- Dificil dizer! O estilo de vida é a resposta, mas levanta ainda algumas dúvidas. A vida agitada da cidade, os planos permanentes, os mesmos ares e terras já pisadas, enturvam o espirito. O inverso é verdade: no estrangeiro o espirito liberta-se. A minha capacidade de análise é mais limpida e chego à profunidade dos meus sentimentos mais facilmente. O comportamente resultante é doentio e compulsivo: tenho de escrever. Mas hoje fico por aqui porque barça espera por mim. O tempo é mais quente do que quando fiz erasmus e é para aproveitar.
Grande abraço tomás Capitao por me receberes em tua casa e antiga faculdade pela net a pála, as refeiçoes com melhor qualidade preço e pela primeira festa onde já estive. A despedida dos seus alunos erasmus.A enigmática lança espetada em terras espanholas...

Quinta-feira, Junho 02, 2005

 

A peregrinação- um caminho de fé

Mais uma experiência forte que tive a sorte de viver recentemente: uma peregrinação. Uma peregrinação é muito mais do que um simples fanatismo religioso que nos leva a caminhar, indiferentes ao cansaço. Uma peregrinação é muito mais do que um grupo de pessoas a andar. Uma peregrinação é muito mais do que cumprir uma promessa ou um momento para endereçar pedidos a um Deus da dádiva. Uma peregrinação é muito mais do que um conjunto de pessoas que se querem conhecer. Uma peregrinação é muito mais do que a partilha espontânea que acontece entre semelhantes.

Para mim, que acabo de fazer a primeira, uma peregrinação, embora difícil de definir, é principalmente um caminho de aprendizagem em conjunto, sobre Deus, sobre Deus feito homem, sobre a vida, sobre o projecto de vida que Ele tem para nós, sobre a forma de nos mantermos no caminho que Ele enquanto arquitecto do Mundo nos consignou como caminho para a felicidade verdadeiramente eterna.

No nosso íntimo, que poucas vezes escutamos (é aborrecido e tende a tirar-nos do nosso conforto fazê-lo), somos por vezes assaltados por uma inquietação que normalmente não conseguimos explicar. Até porque não queremos. Apenas a poderíamos explicar se a quiséssemos ouvir várias vezes por dia e na sequência procurássemos obstinadamente a resposta para esta forte interpelação do espírito. Mas porquê ouvir aquela voz que me incomoda quando estou a ver televisão, quando estou a tomar banho ou mesmo quando estou a dormir, ou pior ainda quando estou a trabalhar e preciso mesmo de acabar o que comecei. Porquê dar importância a uma inquietação que nada tem que ver com o meu dia-a-dia. Assim vivemos nós as nossa pequenas vidas. E assim deixamos o nosso pequeno corpo um dia. E porque é que não há de ser assim? Os animais vivem, imaginamos nós desta forma. Não há razões para sermos diferentes! No entanto, temos esta componente espiritual, esta procura de uma verdade unificante. Esta verdade, embora não seja clara, está muitas vezes mais próxima do que nos parece quando a olhamos no turbilhão do dia a dia. Quando durante uns dias nos dedicamos quase exclusivamente à reflexão, seja orientada por que religião ou prática filosófica for (embora existam diferenças substancias entre elas que não vale a pena aqui explorar), podemos facilmente dar-nos conta de um sentimento interior de pertença ao Universo. Podemos mesmo chegar a contemplar com olhos límpidos a história maravilhosa que foi a vida e Cristo, tal como historicamente está registada a história de D. Afonso Henriques por exemplo (embora esta segunda mais incompleta). Podemos mesmo a certa altura, quando procuramos Jesus entre nós, no meio do nosso grupo de amigos (ou companheiros de peregrinação), descobrir com deslumbramento o Amor que Ele nos veio ensinar.

Este é uma visão interior do sentimento de Universalidade que acredito, cada ser humano possui. Outros sentem-no de outra forma por razões culturais. Penso que este sentimento se manifesta em todos nós, humanos, quando procuramos algo de melhor para o Mundo como um todo, hoje e no futuro, muitas vezes para lá das nossas vidas. E normalmente quem mais activamente procura, são aquelas pessoas que mais atenção prestam a este sentimento interior de Universalidade ou espiritualidade. Pessoalmente estou contente por poder partilhar deste património da Igreja, que mais não é do que uma responsabilidade de anunciação, e que é o Amor de Cristo. Sem certeza (mas na busca incessante de respostas) e acima de tudo sem garantia de que conseguirei ser fiel à proposta o desafio é entusiasmante e pleno.

A proposta que os textos brilhantemente compostos nos proponham era a seguinte (cheguei apenas no 3º dia de peregrinação do resto do grupo pelo que não vivi tão intensamente os primeiros, aqui ficam as ideias de todos eles):

O desafio à partida era claro: Levantai-vos, vamos daqui! Abandonem as vossas casas. Partamos para a nova terra. Deixar a casa, pretendia ser entendido como abandonar aquilo que nos é preciso na morada actual: influência, sucesso pessoal em oposição ao sucesso de Deus através de nós, abandonar mesmo a necessidade de carinho e elogio. Abandonarmo-nos à vontade de Deus. Senhor, quando estiver no deserto, longe daquilo que sempre me orientou, peço-te então Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade. É certamente difícil abandonar este porto seguro dos critérios do mundo. Pedíamos então ao Senhor que nos desse força para o fazermos. É-nos então contado como começou a Companhia de Jesus. Foi justamente com o abandono da casa, apenas confiando que o Senhor saberia fazer o melhor de cada um de nós uma vez que estivermos nas Suas mãos.

Para esta viagem precisamos de companhia. É-nos dito que Jesus quer ser a nossa companhia. Ultrapassemos lentamente os medos e deixemos que Jesus nos mostre o seu Amor. Era pedida a abertura do espírito e a capacidade de olharmos para as nossas próprias vidas, sem qualquer tipo de medo. Daqui para a frente chamamos-Te mestre e queremos seguir-te.

Entrei na peregrinação neste terceiro dia, em que o pensamento proposto era tão desafiante como pleno de sentido. Ensinava-nos o que é Amar. Não amar, mas AMAR. Que desafio tão grande! Este texto, não pode ser explicado tão eloquentemente como citado. Cito então uma passagem: “Talvez receies o sofrimento que o amar profundo possa causar, mas que isso não te impeça de amar em profundidade. Sempre que experimentas a dor da rejeição, da ausência ou da morte, enfrentas uma escolha. Podes tornar-te amargo e decidir não amar novo ou podes enfrentar a tua dor com bravura e deixar que o solo em que permaneces enriqueça e seja capaz de dar mais vida a novas sementes.” Depois, era nos dito numa linguagem simples o que significa Amar assim a cada momento. Significa dar tudo, tornarmo-nos frágeis, deixar que o outro ponha em mim a sua carga. Significa estar disponível em vez de fazer qualquer coisa para agradar o outro e irmos embora. Significa aceitar perder para que o outro fique a ganhar, quebrar a linha que nos mantém sempre por cima na nossa auto-suficiência (amor e dor são inseparáveis). Significa entrar numa relação com outro não por necessidade, para que o amor não se torne uma dependência, mas sim porque queremos o bem do outro. Significa sermos fieis a nós mesmos, e não a qualquer outra coisa para agradarmos a terceiros. Significa não manipular o outro porque preciso dele. Significa liberdade e independência para podermos Amar desinteressadamente. Deus não nos obrigou a gostar Dele. Deu-Se a conhecer e deixou-nos fazer a escolha.

Agora é importante pensarmos no nosso dia a dia. Os nossos dias vão passando sem sobressalto. A vida vai correndo como um rio. Precisamos então de construir uma barragem nesse percurso, um momento de reflexão e de orientação. Purificar as águas, agora paradas atrás da parede da barragem, aprendendo a Amar em cada situação das nossas vidas e finalmente implodir a barragem e voltar a deixar as águas correrem, agora transportando Amor. Esse Amor será forte e alicerçado na oração. Lemos então o relato de alguém que mudou a sua vida por acção do Senhor. Alguém que o seguiu sem qualquer restrição. Que difícil!

Chegaríamos então neste dia ao Santuário, quando nos era sugerido que aceitássemos todos estes desafios e que perante as tentações do dia a dia não nos afastássemos das propostas de Deus. Vale a pena perguntar-mos ao Senhor a cada momento: Senhor é isto que queres que faça? E assim continuaremos unidos a Ele para além deste dia e de hoje em diante.

Assim ficou claro, a peregrinação são as nossas vidas. Assim ficou claro, a peregrinação é o nosso caminho para Deus e com Deus.

Durante esta peregrinação caminhei, tomei banho em casa de pessoas locais, comi em grupo com os outros 52 peregrinos petiscos que nos iam chegando desde Lisboa, rezei, participei em missas ao ar livre... Recordo muitos momentos, por enquanto, mas acima de tudo quero recordar para sempre que Tu, Senhor, estás ao meu lado e de toda a Humanidade, não intervindo na história, mas antes dando-nos a liberdade de caminharmos para Ti. O mais importante numa história de Amor não são os grandes gestos, mas a fidelidade sem limites.


Terça-feira, Maio 17, 2005

 

Somos todos peregrinos, Somos todos peregrinos...la la la la la la la lala Posted by Hello

 

O sinal que nos indicava o caminho...em breve terminarei o post sobre a peregrinação Posted by Hello

 

Ser benfiquista....

Ah granda Benfica!

Em antes de celebrar uma potencial vitória no campeonato que só de nós depende é importante juntar-me aos festejos de mais uma vitória que nos coloca numa posição que não vivíamos há alguns anos, pese embora o triste afastamento do Sporting da Liga dos campeões. Quando falo de posição que não vivíamos há algum tempo falo de 11 anos de jejum para o campeonato, apesar outros títulos conquistados entretanto. Não falo dos 18 anos do Sporting sem ganhar nada, nem as décadas e décadas de inexistência do Porto antes da era Pinto da Costa. Sem dúvida não são comparáveis estas realidades. O importante é então assinalar que esta posição é fonte de prazer e regozijo para toda uma massa associativa que mais não é do que uma grande fracção de todo um país de todo uma comunidade que fala a mesma língua: o português. É verdade. O que custa tanto aos recentes rivais da Luz não é a vitória em si, mas o facto dela ser festejada de forma veemente não só em Portugal, mas também em África, Brasil, Timor e um pouco por todo o Mundo onde existem emigrantes portugueses. É engraçada verificar o anti-befiquismo que fervilha entre os restantes falantes da língua portuguesa, nesta ocasião. Este campeonato não foi certamente o caminho da vitória a que o Benfica nos habituou nos seus anos de ouro. Mas pode ser uma grande campeonato dado o contexto de dificuldades económicas que o clube tem vivido. A má gestão e falta de seriedade dos presidentes do clube da águia faz com que a justa posição que o Benfica ocupa neste momento seja ainda mais louvável. Os recursos limitados, até a nível de plantel que nos permitiram chegar à final da taça e a esta fase do campeonato em primeiro lugar, mais do que demérito do adversário como alguns querem fazes querer, está relacionado com o nosso mérito relativo (porque o mérito só faz sentido em termos relativos), durante uma época onde pela regularidade e perseverança seremos justamente compensados, espera-se.
Todos ao Beça, o Porto é nosso. Portugal é nosso. Todo um idioma a cantar a mesma canção: SLB, SLB, SLB, SLB, GLORIOSO SLB, GLORIOSO SLB. NINGUEM PARA O BENFICA, NINGUEM PARA O BENFICA NINGUEM PARA O BENFICA OLÉ OU.
Espero poder em breve analisar toda uma época ao pormenor com a certeza de que o Benfica é o nosso campeão.

Saudações benfiquistas

A enigmática lança

Quinta-feira, Maio 05, 2005

 

O medo em Potugal

Sigo na minha pacata, agradável e saudável vida de desempregado e esperando cumprir os planos para estes tempo tão agradáveis. Nomeadamente, está perto de ser concretizada a minha primeira aproximação ao espirito académico. É verdade. Depois de ter fugido das praxes, depois de não ter ido na viagem de finalista por oposição a dois meses na América do Sul, depois de não ter ido nem ai baile de finalistas nem à bênção das fitas, como previsto vou pelo menos uma vez tornar o meu espírito académico não apenas os arraiais do técnico (bons tempos) e vou portanto este fim-de-semana à queima de Coimbra. A partir de dia 10 de Maio sou peregrino até Fátima. Não obstante uma presença a curto prazo em Barcelona e um inter rail pelo Leste e Norte Europeus.
Bem mas aquilo que vos quero falar hoje é muito mais pertinente, interessante e actual. Olhamos para o estado actual de coisas no nosso pais e para os ciclos económicos mais recentes e questionamo-nos: somos um estado democrático há mais de 30 anos, integrado na União Europeia há quase 20 e no entanto a nossa performance económica é no mínimo pobre quando comparada com as congéneres habituais (Espanha, Irlanda e mesma a Grécia e os paises recentemente comunistas)! Porquê?? Temos procurado motivos económicos estruturais, políticos, culturais, sociais e ainda transcendentais para aquilo que começa a desenhar-se como uma quase sina, tantas vezes entoada em forma de queixume: “cá vamos”, “isto está sempre na mesma”,... Todos os motivos encontrados são válidos e devem ser encarados de frente para os conseguirmos resolver. Mas a realidade transversal a todos estes motivos, e que poucos têm conseguido perceber, é muito mais dura! O problema está na nossa psicologia de grupo. Se olharmos para ela percebemos coisas de facto assustadoras como passo agora a explicar. Talvez assim ultrapassemos uma das características desta nossa psicologia de grupo que é uma psicologia de medo, neste caso concreto medo de olhar para nós próprios reconhecendo com coragem os nossos erros, pessoais numa primeira fase, de grupo depois. O livro que me permite estruturar aquilo que no entanto me parecia uma evidência tem sido o “Portugal, Hoje. O medo de existir”, de José Gil (Professor universitário, filósofo, ensaísta e ficcionista. Completou o 1º ano do curso de Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (1958) e partiu para Paris. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Paris (Sorbonne) em 1968, tendo obtido também nessa Faculdade a “maîtrise de Philosophie” no ano seguinte). A ideia que quero apresentar é então a que se segue. Culpamos pelo nosso insucesso a burocracia. Culpamos pelo nosso insucesso o governo. Culpamos pelo nosso insucesso a conjuntura e a União Europeia. Culpamos ainda o vizinho do lado ou aquele tipo que lá na empresa não me deixa trabalhar. Culpamos os tipo da Emel, que verdade nos seja dita, lixam o dia aquele que muitas vezes por preguiça quis ir de carro para o trabalho. Culpamos essencialmente tudo e todos pelo nosso insucesso, num círculo fechado, sendo que somos incapazes de assumir responsabilidades. É raro, alguém dar a cara. É raro alguém aceitar em praça pública que errou. É raríssimo tomarmos decisões porque temos medo de errar. Ninguém é bem visto se errou à primeira. Ao contrário da música de Rui Veloso em que errar à primeira é humano, em Portugal errar à primeira é falta de capacidade. Como ouvi numa conferência muito interessante sobre empreendorismo (com o apoio da Universidade nova), em Portugal se alguém levou um negócio à falência não consegue empréstimo para se lançar noutro. Nos EUA, esse mesmo alguém está opostamente em melhores condições para conseguir o empréstimo do que quem nunca teve um negócio, mesmo que falhado. Tudo conduz àquela realidade de que nos queixamos (lá está esta nossa atitude do queixume outra vez).

A origem mais remota para este comportamento é como diz José Gil (na construção de mais um conceito brilhante), a nossa não-inscrição. Para ilustrar melhor este conceito, basta dizer que os alemães conservam e visitam os campos de concentração, encarando o seu passado com frontalidade, em oposição gritante aos Portugueses, para quem o Salazarimo é um caso mal resolvido e acima de tudo esquecido. Embora não sendo um opositor do antigo regime é condenável que tanto as prisões políticas, como inúmeros outros documentos e edifícios históricos tenham sido destruídos, assim como foi alterado o nome da Ponte, hoje em dia 25 de Abril. A não inscrição conduz directamente entre outras coisas, a que tudo nos passe ao lado. Passa-nos ao lado os casos escandalosos que todos os dias passam pelos olhos numa televisão rasca e intelectualmente pobre salvo, esforços louváveis. O Zé Povinho que vemos todos os dias a ser entrevistado porque lhe morreu um filho em lista de espera, ou que não é atendido pelos serviços públicos mais básicos, o que se encontra embrenhado em burocracias. Há ainda os pedófilos, praticantes desse crime horrendo, que continuam sem ser julgados. São inúmeros os casos de injustiças e ineficiências escandalosas, que todos os dias tomamos conhecimento numa atitude de deixa andar, como quem diz “cá estamos”, “vamos andando”, “é a vida”. Não inscrevemos. Fazemos como que por medo que tudo isto nos passe ao lado. Não aceitamos. Não queremos resolver. É de longe preferível deixar isso para o próximo governo. Talvez quem sabe marcar uma reunião, para sabermos a data da outra reunião, onde se decidirá sobre o conteúdo dessa outra reunião, por causa da reunião do mês anterior. É mais fácil assim. Assim ao menos mantenho durante mais tempo o meu cargo, os meus privilégios e a toda a liberdade dentro deste meu pequeno mundo, que é esta sociedade normalizada em que sei sempre o que esperam de mim e não me é pedido o esforço da originalidade e da diferença. Assim vamos neste país, com tantas qualidades e tanta capacidade já demonstrada. A diferença entre os portugueses que lá fora são vedetas não é, já sabemos genética nem institucional. É muito mais que isso. É um fardo de psicologia de grupo que carregamos cá neste país. Podemos ler isso em todo o lado, como no prefácio do Sul de Miguel Sousa Tavares que se declara diferente, mesmo na sua forma de estar em Portugal e no estrangeiro simplesmente quando viaja. Pena que ainda não tenhamos ultrapassado esta mentalidade de pequenez e de necessidade colectiva de afirmação, desconfiança e afinal medo que nos paralisa.


Está na hora de mudar de onda!!! E a nossa geração tem essa obrigação de cortar com este passado paralisante.

Terminarei este mesmo texto, que considero incompleto, em breve

Sexta-feira, Abril 22, 2005

 

Reflexões pós -viagem- Ir um bocado mais longe

É com orgulho e vontade renovada que volto a escrever no Blog. É com vontade renovada e num contexto completamente diferente aquele em que lancei este Bolg, que irei acompanhando, durante o tempo que me for dado, a viagem eterna da humanidade. Esta viagem de partilha da minha pessoa e de reflexões sobre as viagens que a humanidade e algumas figuras que a representam com distinção (ou não) têm feito. São tantas as viagens que me têm dado que pensar: a viagem do Papa para junto do Pai, a quem dedicou toda a sua vida numa profunda comunhão, a viagem de Portugal, orientado agora nos seus destinos por um socialismo, que com pouco margem de manobra para fantasias socialistas, espero possa corrigir os desequilíbrios de Portugal, identificados há tanto tempo e que os Portugueses não individualmente, mas como nação esperam ver resolvidos para poderem desenvolver as suas carreiras ambiciosas em Portugal, por oposição ao estrangeiro. Outras viagens como a do Benfica até ao título, mais do que me fazer pensar, coloca para já meio Portugal numa posição de grande suspense, que se sente em torno daquele plantel algo frágil, mas cheio de fé. Há ainda a viagem da economia Mundial feita de desequilíbrios profundos e de terríveis inconsistências. O sucesso desta última viagem ao futuro do Mundo no qual nós jovens adultos vamos viver tem me deixado algo perplexo, mas confiante numa economia de mercado aperfeiçoada pela bondade e solidariedade humana, assim com uma consciencialização alargada para todas as problemáticas do mundo numa sociedade da informação e do conhecimento. Espero então pela inspiração e esclarecimento para vir a escrever sobre alguns destes temas nos próximos tempos. Assim como continuar a partilhar a minha viagem pessoal e ainda continuar a semear a inveja pela forma como espero preencher os próximos tempos. As viagens que se encontram em fase de estudo são concretamente uma peregrinação a Fátima por altura do 13 de Maio, uma passagem por Barcelona na 2ª metade de Maio, essa enorme cidade onde tive a sorte de estudar durante o meu período de Erasmus e ainda uma viagem em Julho com partida na Eslovénia, passagem pelo leste Europeu e com encerramento nos países Nórdicos. Espero que o futuro não me pregue nenhuma partida e possa assim continuar essa tão digna tarefa de continuar a semear não só a “inveja saudável”, mas acima de tudo a fantasia, de quem me ler.
Partilho então alguns sentimentos pós-viagem. Se é verdade que me sinto permanentemente em viagem, nesta viagem que é a vida, esta viagem muito concreta a América do Sul marcou-me! Por vezes temos medo da mudança. É um traço muito forte do ser humano. No entanto, a mudança é um acontecimento independente de nós mesmo. Ou a acompanhamos ou ficamos para trás. A mudança ocorre por alteração do meio exterior ou por necessidade pessoal intrínseca. Mas a mudança é normalmente acompanhada por um período, intermitente e por vezes alargado de adaptação. Mudanças existem que jamais em vida conseguiremos assimilar. Mas ela estará aí.
Quando parti para viagem comigo levava simplesmente a convicção de ir. A convicção de que partir me acrescentava valor enquanto pessoa, assim como participar produtivamente na sociedade também será em breve e para mim de valor acrescentado pelo que me encontro motivado nesse sentido. No entanto, aqueles dois meses que voaram através dos breves segundos em que visualizo a viagem, foram demasiado intensos e plenos de novidade. De tal forma, que jamais poderia ambicionar perceber as implicações e as mudanças ocorridas depois daquilo que vivi.
Depois da aterragem aplaudida (porque este habito que já não é apenas português nem italiano, mas cada vez mais universal; alguma vez bateram palmas ao motorista da carris antes de sair do autocarro porque num cenário muito mais perigoso os deixou chegar com vida ao destino final; alguma vez alguém em qualquer parte do mundo bateu palmas porque um médico acertou no medicamento de que necessitava para não sucumbir a uma simples gripe e que assim o salvou de uma morte bastante mais provável do que durante um voo de avião??? Então porquê as PALMAS na aterragem da aeronave??) e do markting profundamente poético da hospedeira da ibéria quando diz que: «esperamos que voltem a partilhar os céus com a Ibéria», encontrei me então naquele que era o espaço entre a partida e o regresso: o aeroporto Barajas. Recolhido já no aeroporto da Portela pelo pai e mãe (escondida no banco traseiro) comecei então esse processo de reencontro com aqueles que tanta falta me fizeram e com a cidade do coração: Lisboa. Terá sido fácil de notar as diferenças entre o Pedro da partida e o Pedro da chegada. A máquina que passou pelo cabelo deixou as suas marcas. A euforia da viagem continuava a fervilhar dentro de mim. As histórias que tantas vezes repeti com entusiasmo a tantas curiosos, os planos que desenhava, as novas ideias e talvez algumas atitudes, marcavam a diferença. Cá está a essência da viagem a alegria do regresso e a nostalgia da partida. Mas os sentimentos que a viagem despoletou não ficaram por aqui. O choque de realidades (se bem que a realidade depende em grande parte de nós: a relatividade das coisas) levou-me depois uma semana de euforia a uns dias de queda aparatosa na realidade. Encontrar-me no mesmo cenário onde grande parte da minha vida se desenrolou, mas em processo de transição e carregando todas as mudanças, ainda não identificada, que a viagem operou em mim, deixou-me algo confuso. Esse período passou e como certo companheiro de viagem disse: só nos damos conta do que mudámos, quando já não nos lembrarmos todos os dias que fizemos há pouco tempo uma grande viagem.Como este meu regresso ao Blog, feito através deste longo texto tem sido feito às prestações, acrescento que esse momento já chegou. A viagem já é uma miragem, que de alguma maneira me terá feito diferente.
Apenas tenho vontade de partilhar a alegria que tem sido como esperava este regresso à realidade Lisboeta e com que satisfação tenho reencontrado amigos que conheci em diferentes fases da minha vida e poder partilhar com eles o presente. Tenho tentado promover esse reencontro. Das coisas boas da vida é precisamente poder partilhar o presente com aqueles que de certa forma nos marcaram no passado...

 

Das mais bonitas vistas sobre a grande cidade de Lisboa Posted by Hello

 

O regresso do Blog

Pois é galera!! Estou de volta a este pequeno rectângulo Lusitano, que tanto se projectou no Mundo em tipos idos. Ainda estou a reviver cada momento que me assalta o espirito, nestes primeiros dias em Portugal. Lisboa parece-me ainda uma cidade na qual estou de passagem mas em breve cairei na real, não se preocupem. Não como se nunca tivesse feito a viagem, mas percebendo que esta acabou.

Depois de uma despedida em grande daquele grupo de grandes porreiros, com quem tive a sorte de estar, em circunstâncias únicas e num lugar único, fiz-me à estrada, depois de 2h de sono, para, à chegada a Buenos Aires, fechar a conta de horas em autocarros. Quando cheguei a Buenos Aires no sábado dia 2 de Abril (feriado local, pelos mortos na única guerra em que a Argentina entrou enquanto país independente, Maldivas), fechava então a conta, somando 125h dentro de autocarros. Jamais, teria acreditado, que seria capaz de o fazer, antes de o ter terminado. Mas como diz outro grande personagem desta viagem, que tive o prazer de conhecer Neves, de Aveiro: «O ser Humano é muito mais do que aquilo que se bê». Surpreendi-me e fiquei a conhecer-me melhor.
Argentina! Que bom foi estar de volta a este grande país. Que vontade de lá voltar. É fascinante. E só se percebe todo o seu encanto e a razão pela qual tantos Europeus imigraram para lá quando se consegue uma visão de conjunto.
Floripa! Espantoso também! Não tão bonito como a cidade mais bonita que os meus olhos já encontraram no pouco que já vi do Mundo: o Rio, mas que me encheu o espírito acima de tudo pelo grupo e pela atmosfera que floresceu entre nós naquelas semanas. Aproveito então para mandar um grande abraço a todos os que tive a sorte de conhecer em Floripa, especialmente para os grandes Caliço, Vasco, Xiquilin e Rabaçau. Tenho acompanhado o vosso Blog de longe na certeza de que nos voltaremos a juntar, cá em Portugal, depois desse vosso Erasmus de sonho e lembrar commmmm certezaaaaa, todos aqueles momentos sublimes que passámos. Issoooooooooooo!!!

Terça-feira, Abril 12, 2005

 

E que grande cartão de visita é Lisboa Posted by Hello

 

O regresso à pátria Posted by Hello

 

A locura do futebol no estádio do River Plate Posted by Hello

 

Jantar da galera em Buenos Aires Posted by Hello

Quarta-feira, Abril 06, 2005

 

No parapente a 1500 metros Posted by Hello

 

Aldeia turistica a 3000 metros:Punamarca nos arredores de Salta Posted by Hello

Segunda-feira, Abril 04, 2005

 

Depois da subida a recompensa Posted by Hello

 

Melhor lugar do Mundo Posted by Hello

 

O Rei César: Sr Sousa não bebe capirinha não? Posted by Hello

 

Comunidade tuga em Floripa Posted by Hello

 

Caras novas Posted by Hello

 

Festas na cozinha Posted by Hello

 

Disco Nigth Posted by Hello

 

Penthouse em Floripa Posted by Hello

Segunda-feira, Março 28, 2005

 

Rio de Janeiro

Tempo agora para dar apenas início ao relato de algumas memórias. Algumas já estão no meu caderno, outras irei procurar aos confins da minha memória. Digo dar início porque começo a estar atrasado para o nosso jantar de Páscoa em comunidade com os Portugueses (um grupo de pessoas espetaculares; cada personagem).
Escrevi então há umas semanas atrás:
Talvez daqui a uns dias 4 ou 5 dias, quando estiver noutras paragens, tenha ainda mais elogios a fazer(como na verdade aconteceu), mas vou desde já registar alguns. É um comportamento compulsivo! Cidade maravilhosa de facto, o Rio de Janeiro! Nas noticias que deturpam a imagem que temos do Mundo, antes de ousarmos verdadeiramente conhecê-lo, convencem-nos que o Rio, essa cidade perigosa, está impregnado de miséria, doenças e desrespeito pela natureza. Concerteza os factos não são inventados. Mas que miopia ver apenas isso nesta cidade, onde afinal as favelas são apenas bairros pobres dos quais os traficantes se aproveitam, onde afinal existe um grande esforço para combater a sida e para manter a cidade limpa. São problemas associados ao subdesenvolvimento de toda esta zona do Mundo, que acredito serão ultrapassados com a organização que o tempo vai trazer. Esta é uma cidade que resulta da fantasia de Deus, que juntou o melhor que Deu ao Mundo neste espaço. Que importante e suficiente é para mim estar ao lado do infinito do Oceano, da calma e vida que a floresta tropical nos proporciona, da proximidade do céu e de Deus que conseguimos no alto dos morros. A chuva alimento essencial e fonte de vida que cai de repente quando nada deixa prever com uma força de algo que pretende magoar, sendo no entanto incapaz de o fazer. Bendita chuva tropical que quase nos ia estragando a melhor noite, uma vez que pensámos que a Nuth (discoteca), sem tecto estaria fraca, numa noite que acabou por revelar toda a qualidade da noite Carioca (que alegria foi entrara naquele sitio e ver o que vi). E depois claro. Bendito calor e sol tropical. A cidade está erguida sobre as lindas praias de Copacabana, Ipanema (onde ficámos) e barra da Tijuca (mais para os arredores e onde se pratica mais surf). Que oportunidade tão sublime de ser feliz: poder sair de casa directamente para um tapete de areia que nos conduz ao atlântico com toda a alegria que se vive nestas praias . ..
O lado humano da cidade dá-lhe o toque de perfeição de que ela goza. As pessoas são tão simpáticas, próximas, colaboradoras, enfim, irmãs. Claro que a pontualidade e a eficiência é ainda uma miragem. Mas quem sabe não esteja ai, nessa forma descontraída e nada Europeia de encarar a vida, a razão da sua felicidade...Não posso deixar de apontar o seguinte defeito: existe algum oportunismo e os brasileiros chegam mesmo a ser interesseiros. Mas quem não agiu alguma vez na vida em interesse próprio? E depois claro têm um jeito especial para nos tentar dar a volta. Por isso são os reis do Marketing. Facilmente conseguem simpatia.
Não consigo estabelecer então um ranking de cidades do mundo onde as pessoas serão mais felizes. Mas uma coisa tenho a certeza, fui feliz e voltaria a ser feliz no Rio...

 

Perto do regresso

Estou de volta a estas andanças da escrita pelas quais resolvi enveredar recentemente. O regresso a Portugal está para breve, mas a vontade de escrever no Blog e acima de tudo de viajar continuam de pé. Resta saber que tipo de «voos» tenho pela frente.
Na minha já longa estadia em Florianópolis o tempo não tem sido maioritáriamente bom tendo o sol dado por vezes lugar a dias de nuvens e chuva. Felizmente o vento pôde ser aproveitado para umas tardes inesquecíveis de Wind surf na lagoa da conceição. Bom e hoje, o primeiro domingo de páscoa que passo longe da minha família, a sorte não esteve do nosso lado. Nesta constante alternância entre Sol tropical e nuvens de clima temperado e húmido (que o vento de Sul carrega), calhou-nos a segunda. Enquanto os meus 6 companheiros de casa (talvez não todos), vão começando a fazer as compras para o nosso jantar de Páscoa, na nossa casa, onde sempre reunimos (hoje seremos 19) a comunidade de estudantes Portugueses em Floripa, aproveito para me alongar um pouco mais neste que tem sido o meu ponto de encontro com família e amigos. Estou portanto agradecido às novas tecnologias, que mais uma vez nos permitem ir mais longe.
Neste momento, o facto mais relevante na minha cabeça talvez seja mesmo a partida. Parece-me algo inevitável uma vez que nunca tive tanto tempo fora de casa, exceptuando o período de Erasmus em circunstâncias muito distintas. E que grandes experiência são estes períodos. E que coktail de alegria e nostalgia se apodera com a aproximação à data de regresso. Tempo se calhar então para partilhar um pouco este sentimento e relatar (para mim relembrar) alguns momentos vividos. Seria capaz de ficar nisto horas, mas a organização da nossa festa certamente não me deixará ir assim tão longe. Em frente.
Na nostalgia da partida, o viajante é tentado a fazer duas coisas. Primeiro questionar-se sobre o sentido do regresso. Será que acabei o que tinha para fazer no estrangeiro? Será que chegou mesmo o momento do regresso? Será que não posso prolongar um pouco mais estes dias tão felizes da minha vida, que normalmente o são se se tratar de uma pessoa que verdadeiramente gosta de viajar? Será que ainda aguento durante mais tempo a permanente incerteza e novidade de cada dia sem saber o que o amanhã me reserva? Logicamente deparei-me com todas estas questões e para muitas delas não encontrei resposta. Mas subitamente o regresso apresenta-se me no espírito como uma certeza. A certeza de que quero voltar para perto daqueles que gosto e com eles partilhar de forma entusiástica as semanas fantásticas que passei. A certeza de querer voltar a recarregar baterias para me lançar em novos vôos. A certeza de querer dar um sentido à minha vida. E a certeza de que tenho a coragem de deixar para trás aquilo que foi bom e acima de tudo assumir o fim quando ele é inevitável. No entanto, não assumirei esse fim enquanto não rapar o cabelo pela primeira vez. Desafio a que me propus e que me levará do estado aparentemente normal, à figura ridícula que contudo não consigo imaginar.
Por outro lado, o viajante é tentado a avaliar aquilo que leva consigo. Talvez mesmo a quantificá-lo, a racionalizar aquilo que se encontrou a fazer e encontrar o sentido em que isso o poderá ter modificado. É uma tentação humana presente em tantos outros momentos. Uma tentação que está em desacordo com a Natureza. Na natureza as coisas sucedem-se com o único sentido de estarem em equilíbrio. E tentar explicar a viagem para além de ser quase desprovido de sentido, dificilmente alcança a realidade do que esta realmente terá sido. E essa realidade nada mais é do que as alterações intimas das coisas que aconteceram à nossa passagem. Nos outros e acima de tudo em nós. Jamais conseguirei ser exaustivo em relação aquilo que a viagem mudou em mim. Apenas sei que a viagem me completou um pouco mais. Estou mais eu. E conheço melhor esse eu. Mais uma motivo para recomendar a viagem ao estrangeiro, como forma também de viagem ao interior de cada um de nós.
E como explicar a viagem se a viagem foi a permanente surpresa e sequência de imprevistos que eu jamais pude ambicionar a controlar.Conheci muitas pessoas, isso sim. Procurei a maior abertura que o meu espírito me permitiu para conhecer tanto profundamente como é possível conhecer (e no tempo em que é possível conhecer) cada uma destas muitas pessoas. Todas muito diferentes, sem dúvida. Mas foi isso mesmo que me mostrou o que o homem tem na sua essência. No contacto continuo com diferentes pessoas, acaba por se revelar aquilo que a todos nós é comum e é humano. E no entanto, fica ainda a sensibilidade para aquilo que nos distingue a todos e nos torna únicos. Verdadeiramente únicos como pude comprovar. Se é verdade que há gestos, atitudes, características de fundo, feitios que a certa altura conseguimos padronizar, existe, como que por intervenção divina, sempre uma forma de qualquer pessoa nos surpreender. A atenção que cada pessoa merece individualmente talvez venha daí mesmo. De tal forma nunca conhecemos uma pessoa por mais tempo que estejamos com ela, que a nossa atenção e presença plena em cada momento é fundamental. E na viagem as relações são genuínas e o único interesse é ter alguém com quem falar, alguém com quem beber uma cerveja, alguém com quem partilhar aquilo que nós somos. As relações são então tão genuínas, como interessantes. O cariz passageiro do contacto introduz alterações muito interessantes. Leva-nos a não pensar no amanhã e a ser naturais e espontâneos como a paisagem que vimos na companhia dessa pessoa. É assim que estas relações são especiais.Não melhores, mas muito especiais. Procuramos nunca perder essas pessoas de vista nem da nossa memória, mas somos sempre confrontado com as nossas próprias limitações e muitas relações ficaram em fotografias. Outras vezes nem isso.
O que há então para explicar na viagem. Nada mais que contemplar e partilhar cada momento que tenhamos tido a sorte de guardar conosco. E experimentar as mudanças que o tempo que entretanto passou, num cenário diferente, operou em nós. Experimentá-las, partilhá-las, com os outros. E esperar que a viagem nos tenha feito melhores pessoas, pelo que de obra maravilhosa Sua, Deus nos deu a conhecer. Que as pessoas que tenhamos encontrado(viajantes, que somos todos nós) nos tenham feito mais tolerantes. Que aquilo que tivemos oportunidade de fazer, às vezes sem pensar nas consequências, nos tenha feito perceber aquilo que realmente queremos na vida, e assim encarar isso com uma frontalidade serena.
Depois há o reverso da medalha: a nostalgia de não podermos agarrar em nada e levar connosco como matéria. Talvez esta necessidade seja uma manifestação do materialismo humano. Mas esta necessidade existe. Que fazer com aquele pôr do Sol, que vi enquanto escrevia. Que fazer daquela subida ao Cristo Rei, acompanhando a luta da Natureza contra a urbanização. Que fazer daquela pessoa que me fez sentir melhor homem. São momentos que podemos vir a repetir, mas nunca serão iguais. Mas eu quero levar aqueles! Quero levá-los comigo! E no entanto não posso. Não tenho esse direito sobre os momentos. O melhor que consigo serão meia dúzia de fotografias?? Será isso suficiente?? Não só é suficiente como supérfluo! O importante é que a vida não para. Que eu vivi estes momentos e que os transporto comigo. E que desejo viver mais e melhor até um dia que não sei quando chegará. A incerteza, o esquecimento, a fugacidade fazem a vida ser simples como a Natureza e assim a Natureza da vida irá contrariando a nossa tendência para a compreender. Muito havia para dizer mas este comentário, algo filosófico já vai longo.
(Aproveito só para confessar que senti algum receio quando, já um bocado cansado e com algumas maleitas pela estilo de vida que estava a fazer, li no jornal que estavam a morrer pessoas aqui em santa Catarina por terem tomado caldo de cana, sendo que eu tinha bebido isso há pouco tempo. Claro que associei logo os sintomas... No entanto, é provável que não tenha Mal de Chagas...hehe. Pensar na sorte que temos em estar vivos e saber que podemos morrer a qualquer momento de vez em quando faz bem ao espírito).
Termino desejando uma óptima Páscoa para todos os que me lerem. Embora a minha Páscoa tenha sido algo pagã em termos ritualistas (rituais dois quais senti falta), tendo visto novamente o filme Paixão de Cristo, renovei a minha ideia sobre o filme. Sendo consensualmente violento, ele acima de tudo permitiu-me ter uma imagem, que vale por mil palavras (mesmo as bíblicas), daquilo que verdadeiramente foi o seu sofrimento prolongadíssimo e humanamente impossível de suportar, pelo qual passou Cristo. Esse sofrimento deve deixar-nos tudo menos indiferentes á mensagem de Amor que Ele tentou passar. Que de uma forma ou de outra esta Páscoa nos toque a todos.)

Domingo, Março 27, 2005

 

Nas nuvens a 4200 metros entre a Argentina e o Chile


dvgdfgdgd Posted by Hello

Terça-feira, Março 15, 2005

 

A capital do Surf


Em poucas palavras e enquanto continuo a perder tempo para tentar colocar fotografias no Blog (sendo que me aproximo cada vez mais da forma de o fazer) queria dar-vos uma ideia do que tem sido a minha estadia em Floripa, de como são as pessoas a terra e ainda aquilo que tenho sentido.
Á chegada e como escrevi com entusiasmo no último Post, deparei com um cenário idílico. Estamos instalados numa casa verdadeiramente de sonho, com vista para a mais bonita das lagoas que alguma vez vi, onde tudo tem funcionado perfeitamente, sendo que me posso considerar com sorte porque estou com 3 cozinheiros credenciados, o que nos tem permitido comer em casa e bem, algo que jamais alcançaria sozinho. Embora ainda estejamos à espera que o senhor Veras, o proprietário da casa, concretize o plano de instalar a Internet lá em casa, já estamos mais próximos de Portugal com a Sic Internacional que sintonizamos via satélite. Assim podemos, numa casa quase só de benfiquistas apreciar as derrotas do Sporting e do Porto, naquele que espero se concretize como o caminho do triunfo Benfiquista!!! SLB...SLB....lalalala.
Por outro lado, a ilha apaixonante pedia para ser explorada, algo que estávamos incapazes de fazer porque estamos longe de tudo e os taxis estavam a tornar-se um peso incomportável. Neste momento, a ansiedade de estar numa ilha fabulosa e não a poder visitar desapareceu com a compra por parte dos meus amigos de um carocha em segunda mão. Começámos hoje por exemplo por ir a uma das 42 praias, esta quase no extremo norte da ilha e tão bonita como deserta. Apenas havia lugar para alguns surfistas que se vão colocando ao longo de toda a ilha na procura da onda perfeita. Espero em breve juntar-me a eles nesta saga.
A nossa vida tem passado muito por ir a praia e sair a noite. As saídas são praticamente diárias (ou mais exactamente nocturnas) e temo-nos divertido bastante, assim como bastante agradados com a simpatia (numa segunda fase) e acima de tudo beleza destas brasileiras, com ascendências alemãs, italianas e portuguesa. Podem imaginar o resultado. Eu estou a comprová-lo. Quem pensar em coisas boas, não se enganou. Temos ido então a uma discoteca diferente cada noite (não são baratas de toda, mas são das nossas poucas despesas) com o intuito de encontrar a melhor para cada dia da semana. Temos sido bem sucedidos.
De resto, e apesar de alguns dias de chuva, o tempo tem sido fantásticos começa a haver muito para fazer neste pequeno paraíso terrestre, que em breve será destruído pela invasão massiva de turistas que se advinha, provocada por pontes aéreas que estão a ser criadas. Esperemos que não...Tenho cada vez mais vontade de alargar o meu período de estadia aqui nesta região do globo, pesem embora as saudades que tenho de todos quantos me são próximos, assim como a necessidade de começar a tratar do meu futuro, começando por procurar um emprego. Vamos ver...
Em relação ao Blog, mantenho a promessa de fotografias, relatos sobre o Rio de Janeiro e ainda algumas alterações, assim como correcções que já estão preparadas em relação aos posts já realizados...Beijinhos e abraços e Hasta la VistaA Enigmática Lança agora espetada em terras brasileiras...

Quinta-feira, Março 10, 2005

 

Floripa

Encontro me então desde ontem em Florianópolis, capital do distrito de Santa Catarina, no Sul do Brasil. É provável que depois desta sessão intensiva de escrita no Blog não volte a escrever pelo menos tanto, tão cedo. Procurarei contudo fazer breves aparições e acima de tudo afixar algumas fotografias da viagem.
Quanto a Florianópolis não sei nem quanto tempo vou cá ficar, nem se irei a outras cidade enquanto não regresso a Lisboa, o meu destino final. O que posso isso sim dizer é que estou muito bem instalado. Quem sabe bem de mais. Estou em boa companhia (para já somos 4 para a semana 7) num t 6 com piscina a 3 km da praia e a 2 km do centro de um aglomerado mais de férias que propriamente de trabalho. O Centro da cidade propriamente dito está do outro lado da ilha (a oeste). Esta ilha preciosa com cerca de 42 praias nas imediações, será o cenário descontraído onde irei aproveitar cada momento antes de voltar a encarar responsabilidades. Cumprimento todos os que me lerem até nova aparição (sendo que não me esqueci de alguns temas sobres os quais me propus a escrever).
Ah é verdade! E para quem tiver a amabilidade de me querer ligar já tenho numero de telefone brasileiro: +55 48 99414252. Vou estar com o telefone especialmente ao fim da tarde e de manhã, sendo que cá são 3 horas a menos do que em Portugal. Me liga vai...

 

Viajante Versus Turista


São, na minha opinião, duas formas distintas e igualmente válidas de se deslocar a um pais diferente do país de residência. Para deixar claro qual a minha ideia de turista e viajante, diria que já estive nos dois papeis. Quando vou por exemplo durante 15 dias, num programa completo de visita a um determinado pais como foi o caso das visitas que tive a sorte e o prazer de fazer a Moçambique, Brasil, México e Cuba, considero me um turista, que transita de hotel em hotel dentro de transferes particulares ficando com a ideia do pais que o guia turístico quiser mostrar ou que o nosso espírito crítico permitir alcançar. Adorei ser turista porquanto em pouco tempo e de uma forma muito divertida e que me permitiu descansar, conheci países tão distintos do nosso. Quando, por outro lado, reúno numa mochila, que pretendo que seja fácil de transportar, um conjunto de coisas que vou precisar na região do globo para a qual me dirijo, sem saber exactamente em que pontos específicos vou estar nem as respectivas datas, sendo que existe apenas um plano global e acima de tudo o desejo de conhecer profundamente as pessoas, as culturas e a geografia regionais, considero me um viajante como aconteceu, quando sai em Setembro último de Santa Apolónia de comboio com destino a Itália e agora mais recentemente quando parti do Aeroporto de Lisboa com destino a Rio de Janeiro e com escala prevista ( que por sorte acabou não acontecer) em Buenos Aires.

Embora não consiga eleger em termos absolutos nenhumas das duas formas de visitar outro pais, porquanto considero que depende em muito das circunstâncias a verdade é que as duas se revestem de características muito distintas. Quando sou turista procuro normalmente no pouco tempo que estou em cada lugar (uma das diferenças eu diria que é precisamente a disponibilidade de tempo) CONSUMIR o local onde estou tentando extrair do pouco tempo que tenho a maior dose de diversão, conhecimento e de descanso conforme a perspectiva. O viajante tem uma postura mais construtiva e tranquila de PRODUZIR amizade e de se dar mais às pessoas de quem não pode prescindir neste ambiente que lhe é desconhecido. O viajante takes his time, para apreciar a beleza de cada lugar, sendo que normalmente não tem uma hora de partida e outra de chegada. O viajante procura embutir se do espírito do local onde está, tentando encarnar a cultura e forma de estar que lhe permitam confundir se com os locais, num processo de adaptação normal que ocorre quando duas realidades diferentes são postas em contactos. A forma como cada um encara os momentos é algo diferentes. Normalmente o turista vive a viagem de uma forma mais intensa, sendo que o viajante apenas a espaços atinge a novidade. No entanto o segundo digere melhor a realidade com que está em contacto.

A forma como encaramos as outras pessoas é de uma total interdependência. Estamos num ambiente que dificilmente dominamos e por isso mesmo temos de confiar nas outras pessoas mais do que em circunstâncias normais, o que é um grande exercício de aprendizagem, embora demasiado exigente para algumas pessoas. O contacto com todos os que se cruzam no nosso caminho resulta sempre agradável, também porque na ânsia de conhecê-los reduzido tempo que temos para conhecer os outros e na ânsia de de o

Neste momento ganho consciência de que este comentário se poderá estar a tornar algo maçudo pelo que vou deixar por aqui este tema sobre o qual tanto havia a dizer.

Não queria no entanto perder esta oportunidade para aqui fazer então um comentário em jeito de critica á sociedade Portuguesa que elege sistematicamente como forma de conhecer os outros países o turismo sendo que esse facto se reflecte na forma pouco aberta e tolerante com que encaramos , enquanto sociedade, as outras culturas. O português é pouco conhecido no Mundo e conhece pouco do mesmo Mundo ao qual não se dá a conhecer. Talvez encarar determinados períodos da vida como o fim da carreira Universitária ou uma mudança de emprego ou ainda um grande corte com a vida pessoal, sejam também para nós (como para os estrangeiros que tenho conhecido) boas razões para agarrar numa trouxa e fazer se à estrada, sendo que, repito, uma forma de viajar não seja preferível à outra em termos absolutas.

Uma ideia poética que me tem assaltado o espírito é a seguinte: é triste o momento da partida mas feliz o momento da chegada. E é este binómio que me leva de um lugar ao outro da América Latina.
Aproveito para lembrar a minha família em Lisboa e na Madeira que à distância são a razão e a força da minha presença no estrangeiro.

 

Argentina, um destino de emigração Europeia do sec. XX

Argentina

Abandonei ontem a Argentina, mas com a promessa de um regresso, quanto mais não seja porque o regresso a Lisboa terá de ser feito a partir de Buenos Aires. Deixei para trás pessoas muito interessantes, num acto subtil de despedida como se amanhã as fosse encontrar ao cruzar da esquina. Qualquer uma dessas amizades feitas acaba por ser apenas de circunstância, mas não menos importantes por isso. Por todas as razões, adorei o tempo que passei na Argentina onde as pessoas são extremamente civilizadas, simpáticas, correctas, abertas quanto baste e onde as paisagens são deslumbrantes e diversas. Recordo com particular saudade algumas pessoas que conheci e que provavelmente nunca voltarei a encontrar, chegar a cumes de montanhas nos Andes a 4000 metros, voar, as longas viagens de autocarro e especialmente aqueles momentos em que pessoas que não conhecia, no âmbito daquilo que era o seu trabalho, se empenhavam por me fazer sentir em casa num espírito não de subserviência mas numa atitude de servir bem sem ser por isso importante receberem algum tipo de gratificação. Das cerca de 100 h que fiz de camioneta, no total, principalmente de noite e que nunca teria imaginado ser capaz de fazer, acabei por chegar a Floripa num bom estado de conservação, para agora travar conhecimento com estas lindas brasileiras e aproveitar para me por em forma com mais do que grandes caminhadas, quem sabe aprendendo a fazer Surf e/ou Wind Surf. A Argentina é esse país tão heterogéneo quanto grande. A sua superfície em forma esguia consegue percorrer o globo desde um trópico, passando por toda uma zona temperada até se tornar no Pais mais próximo do pólo Sul. É um pais extremamente civilizado, onde se vêm características ocidentais (este país foi povoado por muitos italianos, espanhóis e alemães durante o século XX, pelo que é fácil encontrar pessoas com pais Europeus), principalmente na grande capital Buenos Aires e a sabedoria das culturas indígenas no interior. É um prazer estar na Argentina em todos os sentidos. Economicamente é um país com grandes potencialidades naturais porquanto dispõe de recursos naturais tão valiosos, como o ouro negro, minas apinhadas de minérios, planícies capazes de produzir alimentos em quantidade e qualidade para todo o mundo e ainda potencial turístico. Não obstante, encontramos um país algo deprimido e para nós muito barato. Um táxi de um lado ao outro da cidade custaria no máximo 3 euros. Uma óptima refeição (como aliás foram todas, comi muito bem) custaria à volta de 7 euros, no melhor restaurante. Nos museus nada pagávamos. E assim por diante... As Argentinas? Perguntam-se os meus leitores: por ter estado em Buenos Aires numa altura em que muita gente ainda estava de férias porque o Setembro, deles e mês de arranque é Março e ainda porque fruto do incêndio em que morreram 200 pess0as numa discoteca todas as outras discotecas estavam encerradas (numa atitude tipicamente portuguesa deste povo com tantas semelhanças a nós outros), talvez tenhamos sido levados a pensar que a beleza das Argentinas era um mito. No entanto, à medida que fui viajando e finalmente quando regressei a Buenos Aires deparei com belezas bastante mais agradáveis. Teria dificuldade em descreve-las mas de uma forma muito simplista diria que em Buenos Aires estão as europeias mais elegantes (são todas magrinhas) e no interior estão das indígenas mais interessantes. De tipo claro e louro, preservam um grande gosto pela moda e a boa aparência em Buenos. São simpáticas e no que respeita à maneira de encarar as relações muito parecidas com as Portuguesas. Terminaria então dizendo que a Argetina é um pais no qual vale a pena perder algum tempo, para o conhecer, assim como os vários paises com os quais faz fronteira, dos quais apenas conheci o Uruguay ( que apesar de tudo não tem interesse para ser visto em mais do que 2 dias, como fizemos) e acima de tudo onde adorei ter estado.

Segunda-feira, Março 07, 2005

 

Mendoza, A capital Argentina do Vinho

Dito isto avanço para o tema proposto, sendo que relego para mais tarde temas como: Rio de Janeiro (que me apaixonou), o viajante e o turista, música (como diria a minha mãe e que apenas agora percebo, a mais imaterial das artes) e culturas entre tantos outros.
Hoje, domingo dia 6 e três dias antes de chegar a Florianópolis (se Deus quiser, porque não querendo preocupar ninguém, a verdade é que os condutores de camionetas são algo passados dos cornos e tenho estado com pessoas envolvidas em acidentes!), estou de partida de Mendoza, que como todas as cidades por onde passei, deixará muitas saudades.
Desde que cá cheguei ainda não parei. Dormi no total talvez 5 h em duas noites, pelo que me preparo para grande arrochanço no autocarro ou colectivo como dizem por aqui. A verdade é que fui apanhar exactamente com o fim de semana da festa do vinho. Mendoza, como capital do vinho, produz 70% do vinho da Argentina e é responsável por 80% das exportações daquele que é o quinto produtor mundial de vinhos. Sendo assim, pode imaginar-se a importância desta festa para os locais. Entre eleição da rainha do vinho e grandes feiras de artesanato a cidade encontrava-se cheia de turistas e de movimento.
Quanto a mim quase nem tive tempo para me inteirar de tudo o que se passava uma vez que me meti em todos os programa que havia no hotel e que tive tempo de fazer. Acabado de chegar meteram me num autocarro que me levou precisamente a ver as adegas de dois importantes produtores de vinho locais. Nada de mais... Depois de uma curta noite de sono, associada ao BBQ da noite anterior e com o despertar vespertino pelas 7 da manha, saímos para as montanhas. Que espanto! Saímos em direcção aos Andes e ao Chile. Subimos por pre-cordilheiras seguidas das cordilheira, por locais espectaculares, como nascentes de água quentes e percorrendo o antigo trajecto do comboio que agora está desactivado. Impressionante mesmo foi chegar, depois de paisagens deslumbrantes à fronteira com Chile a 4000 metros de altura. Lá no alto estavam as bandeiras dos dois países, uma de cada lado dessa linha imaginária criada pelo homem, assim como uma estátua de Cristo cujo lado direito pertence à Argentina e o esquerdo ao Chile. Que vistaço!! Depois do espectáculo da eleição da miss vinho e de uma longa noite de música local e copos na companhia de 5 argentinas tipicamente simpáticas, no hostal estava pronto para ir dormir. É que no dia seguinte ia saltar de uma montanha com uma parapente nas costas. Claro e alguém atrás com conhecimentos para o manejar. Experiência incrível. Parecia que estava suspenso no ar. Bem e estava. As ascensões são incríveis e vê-se a terra como numa fotografia aérea como era de esperar. O movimento do parapente é lento em comparação com a asa delta (imagino) pelo que dá uma sensação de estar mesmo parado no ar. Muito bom. E barato. Como aliás a maior parte das coisas por cá. Eu diria sem exagero que passando para o Euro a maior parte das coisas cá são 2 a 3 vezes mais baratas. Qualquer refeição de qualidade superior (porque na Argentina tenho comido divinamente sem sequer estar a escolher a dedo os restaurantes) custará 5 Euros e dorme-se facilmente pelo mesmo valor. Claro que isto de certa forma implica que eles recebem 3 vezes que nós em Portugal, como tenho verificado. É um facto económico interessante que pretendo analisar mais a frente no Blog. Conheci mais um grupo de 5 Argentinas muito porreiras, assim como estrangeiros a estudar em Córdoba, a 2 a cidade Argentina. Embora a cidade seja menos bonita que Salta e Mendoza, ouvi dizer que tem imensos estudantes e grande espírito. Entretanto encontrei a primeira Portuguesa. É dramático o quão pouco os Portugueses viajam, percebo agora, mas também este aspecto pretendo analisar, na relação entre turistas e viajantes. Era uma tripeira que embora seja também alemã ( dupla nacionalidade) esta em Córdoba a estudar música.
Resta me então despedir, até uma próxima oportunidade, sendo que dentro de umas horas estou dentro de mais um autocarro para ir para Buenos Aires, em estado de inconsciência por causa do cansaço acumulado em Mendoza.Fico contente por saber que o blog está a ter a utilidade de ir mantendo informados os interessados sobre esta minha odisseia, assim como a dar uma ideia sobre como é esta parte do mundo podendo então levar a que a mim, outros se sigam. Fico contente pelos conteúdos estarem agradáveis. Com as fotografias e assim que alguém me explicar como se colocam vai melhorar, seguro.

Sexta-feira, Março 04, 2005

 

Salta



Bem depois de ter começado ontem a escrever uma crónica sobre Salta que foi com os porcos, quando o computador foi abaixo, insisto em escrever sobre estes dias em Salta evitando ser demasiado pormenorizada para não tornar a coisa aborrecida.
Salta. Cidade do noroeste Argentino, no fim das pampas e no inicio dos Andes. 600.000 Hab com origens indígenas (o que favorece sem dúvida o género feminino). A chegada á cidade deslumbrou-me: quatro ou cinco vales delimitam a planície onde a cidade se insere. Brutal! As pessoas embora tímidas e algo fechadas a princípio revelam simpatiquíssimas e com muito interesse. No hostal Backpackers, que aconselho desde já a quem tiver a oportunidade de ir a Salta, encontrei grande espírito e pessoal muito porreiro. Embora a cidade se veja rapidamente, até porque não tem muitos museus nem monumentos de destaque, vale pelo sítio onde está inserida e acima de tudo pela vivência da cidade. O folclore imagine-se é o Tango da zona (qualquer semelhança é coincidência, mas dançado o folclore tem os estalinhos de dedos). Muito diferente do Tango é a música dos gaúchos e diz muito sobre a zona do país, assim como o fado diz de Portugal. Há toda uma rua de bares e discotecas que se enche para ouvir o folclore e beber umas copas. A excursão que fiz aos Andes e que conto à continuação foi muito divertida e deslumbrante. Tenho pena de não ter lá ficado mais tempo, (até porque já estava a tratar das coisas numa agência de viagens) mas o viajante tem de ter alguma componente de plano na sua aventura de imprevistos. Estou agora em Mendoza, cidade maior, também do interior, onde fico até domingo.

 

A jornada nos Andes

(E não é que o computador onde escrevo hoje acaba de ir abaixo outra vez). A razão pela qual optei por visitar a desconhecida cidade de Salta, devo confessar foi puramente turística. No ano de 1930 foi construída uma linha de comboio com o intuito de ligar a Argentina comercialmente ao Chile e também para transporte dos minérios desde os Andes até à cidade. Hoje em dia é apenas uma das grandes atracões turísticas da Argentina, este trajecto que se pode fazer pelos Andes até cerca de 4500 metros acima do nível do mar.

Embora o comboio apenas reabra em Abril, algo que felizmente só soube quando cheguei a Salta (de outra forma poderia não ter visitado esta cidade fabulosa), existem excursões de autocarro que para além de acompanharem por estrada a linha de comboio durante quase todo seu trajecto, visita ainda povoações e as grandes Salinas de altitude (algo que nunca pensei poder existir). Uma vez que o dia ia ser longo (das 7 da manha as 7 da tarde), queria estar em boa companhia pelo que fui de agência em agência à procura de uma viagem em que me fizesse acompanhar de bonitas raparigas todas elas em biquini. Procurei, paguei e no dia seguinte às 7 da manha quando me chamaram para me juntar à excursão descendo atrasado, quase pensei que a tinha perdido. Quando regressam para me vir buscar, verifico que dentro da pick up da renault estavam 3 reformados. Um italiano decalcado da Bíblia (ainda não sei que personagem era, mas era sem dúvida um personagem bíblico), que estava de tal forma desiludido com a sua vida de reformado que para além do ar desarranjado que pouco me preocupava, tinha adoptado como desporto acumular quantidades incríveis de sebo sobre o corpo, sabendo todos nós de antemão a externalidade, até sobre a saúde de terceiros, que este comportamento acarreta. A acrescentar estava um casal de Suíços com semblante carregado e sério, pelo que somando um guia turístico mudo, estavam criadas as condições para uma bela seca. Percebi enfim que não estava na presença de um conjunto de ninfas em biquini. Não fosse eu ter o meu discman comigo, o passeio ser fabuloso, as nuvens se terem levantado e eu ter começado a imaginar historias com aqueles personagens a viagem não teria sido fabulosa como acabou por ser. Acabámos o dia a fazer o caminho do comboio e a ouvir Amália Rodrigues e Resistência no rádio do carro. Os Suíços foram os que se mostraram mais incomodados como seria de esperar, até porque o Italiano havia sucumbido ao seu próprio odor e dormia. A fotografia de grupo que tiramos com eles visivelmente contrariados será em breve entre outras fotografias uma das atracções deste blog.A somar a tudo isto ainda tivemos que empurrar o carro que atulhou algures nas montanhas. De resto as paisagens e as salinas são impressionantes. Há registo fotográfico embora através de máquina descartável e logo qualidade duvidosa. A ver...Com gosto continuaria a escrever, mas acabo de chegar a Mendoza cidade que certamente merece ser bem vista.

Numa próxima oportunidade, para além de escrever sobre Mendoza pretendo ainda divagar sobre o que separa o turista do viajante e ainda sobre a música e a sua relaçao com os diferentes culturas. Tenho ainda episódios do Brasil e Buenos Aires que vou querer recordar neste Blog.
Até breve Cambada

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

 

Conitunaçao com Presente e Futuro da Viagem

Bem fomos então os 3 mosqueteiros para Buenos Aires. Bom espírito de grupo que se tinha criado no Rio de Janeiro. Começavam contudo a aparecer alguns sinais de cansaço. Não sei: podia ser que fosse do cansaço, como diria o Marco. Começávamos a dormir pouco comer menos bem e de mais, muita caipirinha sobre a praia. Daí resulta uma frase que fica para a posteridade. Disse-a o Rei Cesár: "Sô Sousa não bebe caipirinha, não? Esta estudando para padre?" Mais um momento do Rei de Ipanema.

Buenos Aires cidade ampla. Arquitectura de grande cidade Europeia, no estilo Latino-Americano. Avenidas amplas, prédios não demasiados altos, alguma arquitectura moderna. Foi a primeira impressão com que ficamos à chegada já de noite à imponente capital Argentina. Instalados e recebidos à grande pela Catarina do Puertooo num simpático apartamento, que fica no bom bairro da Recoleta começámos a explorar Buenos Aires. Encontrámos uma cidade e população algo deprimidas com a crise económica como não podia deixar de ser. Explicarei melhor os contornos da crise noutra oportunidade. Para além disso tinham morrido centenas de pessoas numa discoteca há pouco tempo, pelo que todas as restantes foram fechadas para fiscalização e o centro da alegria de uma cidade, que é a sua noite, tem estado gravemente afectada. A cidade vivia ainda um período de transição das férias de verão para o seu ritmo normal de trabalho. Estava portanto algo mortiça...
Fizemos grandes caminhadas por uma das cidades mais poluidas do mundo (com 13 milhões de habitantes, quando falamos da província, quase metade da pop do pais, mas talvez apenas 3 milhões se nos referirmos apenas ao centro, caro para viver, da cidade). A histórica casa rosada, o fabuloso e internacional teatro Colom (que vê passar nos seus palcos as grandes orquestras), o antigo e deprimido bairro La Boca, um ridículo jardim japonês da comunidade japonesa em BA, todo o centro de negócios, as lúdicas docas de Porto Madero que como em Lisboa são hoje um local de bares e restaurantes assim como de faculdades devolvendo lhe vida e ainda as nossas aulas de tango. Buenos Aires essa cidade onde não fizemos a mesma boa vida que no Rio, mas que nos deixou uma bela impressão. Regressarei a Buenos Aires pelo menos em duas ocasiões Mas agora apenas de passagem (como se veio a verificar).
Tivemos ainda numa cidade nos arredores de Buenos Aires, La Plata (cidade geometricamente desenhada) e ainda nas cidades do Uruguai, Montevideu (capital) e Colónia del Sacramiento. Finalmente estivemos presentes numa das mais belas criações divinas: as cataratas de Iguaçu! Estas cataratas e a subida ao Cristo Rei foram os momentos de maior beleza natural.
As cataratas impressionam muitíssimo pela massa de água que o rio a montante empurra em direcção à foz fazendo com que aquela falha ou desnível seja uma ponte de água. As toneladas de água que caem a cada segundo dão uma brutal percepção dos poderes da Natureza que vão muito para além daquilo que o homem procura ver na sua tentativa para a dominar. Adorei. Particularmente quando nos armámos em heróis e passando barreiras de protecção avançámos para o meio das cataratas numa zona mais segura e calma do percurso de agua onde outros se banhavam. Grande percepção que tivemos então... A ousadia por vezes recompensa. O programa incluiu uma ida em semi rígido até bem perto do ponto em que a água em queda massacrava a que já tinha caído. Ter levado com aquelas toneladas de água em cima teria sido a morte dos artistas. Felizmente os 500 cavalos do barco levaram-nos apenas até a uns metros desse mesmo ponto. Houve tempo ainda para um tour de camioneta estilo safari em que nos prometeram uma fauna selvagem e com felinos. Acabámos por ver apenas algumas espécies vegetais que desconhecíamos. Estávamos também já cansados. Esse seria o fim de mais um dia fabuloso. No dia seguinte, iríamos ao lado brasileiros destas cataratas que marcam a fronteira de 3 países. Este lado dava uma perspectiva mais distante e global das cataratas. Não menos impressionante, mas certamente menos emotivo. A caminhada deste lado faz-se em bem menos tempo...
Despedi-me então dos meus amigos com a certeza de ter aproveitado a sua companhia e de termos conseguido dar sinais do que realmente deve ser a amizade. Espero que as particularidades do feitio de cada pessoa continuem a não ser encaradas como obstáculos a amizades verdadeiras. Nesta viagem espero ter aprendido a lidar com outras pessoas com uma tolerância, sem qualquer tipo de pretensiosismo. Certamente tive oportunidade para aprendê-lo. Espero ter aprendido alguma coisa, num processo que jamais termina.
Depois dessa despedida faseada dirijo-me agora rumo a outros voos não menos impressionantes. Dentro de pouco tempo espero estar em Salta ( no norte da Argentina) a subir em poucas horas pelos Andes acima desde os 1000 metros até aos 4500. Depois desta alucinante subida, possível ouvi dizer, graças a uma folha de cocaína e assim que recuperar da ressaca e comprar as próximas doses dirijo-me (pese embora a imprevisibilidade do futuro) para Mendoza, cidade que se encontra no interior à latitude de BA e a 6h de Santiago do Chilhe.
A partir daí creio que não há grande noção do que poderei fazer. No entanto, tenho desde já o grande desejo de me apresentar para muita borga e festa e gajas de perder a cabeça (isto devo ser eu a exagerar claro!!), em Floripa o mais tardar dia 10 de Março

Tantos outros episódios, que carrego no meu intimo e tantos outros, que não tenho oportunidade de expor agora que esta viagem me tem proporcionado e assim continuará se Deus e/ou as circunstâncias assim o permitirem...

 

Sobre o passado (principalmente o mais recente), o Presente e o Futuro da Viagem

Caro único leitor Pedro Camara,

Desde dia 7 de Fevereiro que estou em viagem. Ser-me-á difícil reportar a todas as situações que se incluem no passado da viagem. No entanto, para quem já teve noticias minhas, quer directa, quer indirectamente, estes tópicos passados em revistam terão algum significado.
Quando sai de Lisboa rumo a Buenos Aires com a Ibéria, jamais me passaria pelo espírito que acabaria directamente no Rio de Janeiro e sem malas. Seguiu-se um pouco mais que uma semana alucinante no Rio em que, juntamente com os meus grandes amigos Sousa e Ricardo, passei pelo Sambódromo, a transbordar de encenações fabulosas, divertimento, poucas raparigas nuas neste ano particular, muita filosofia barata mas acima de tudo uma boa disposição (descobri as cedilhas o que não quer dizer que as utilize sempre por causa da sua posição no teclado. hehe) contagiante e eléctrica. O contraste da alegria na arena com a luz fraca e dispersa das favelas deixou antever uma saída que se revelou algo confusa. Brasil, terra de contrastes onde a felicidade está no ar e se manifesta na abertura com que as pessoas nos recebem em cada esquina, em cada bar, em cada rua e em cada momento das suas vidas (vim a descobrir mais tarde que esta é uma característica mais associada ao centro e norte do Brasil; como sempre o calor faz isto às pessoas).
Noites bem divertidas, com as três fases descritas pelo Sousa e muito mais. Uma nota para a situação desconfortável com que nos deparámos, à chegada quando no nosso bairro de Ipanema estava uma das maiores concentrações gays do mundo. Que repulsa que aquela situação tinha de causar...É incrível como o paneleiro tem tão pouca coisa para fazer que pode dar tanto do seu tempo ao ginásio, onde procura a beleza masculina onde ela não existe: no corpo! Paneleiros. Fod*-**. Como diria o Rei César: era metralhadora em todo esse veadão (panilas em brasileiro). A caça ao veado: desporto que devia ter mais aderentes. Depois desta nota de chauvinismo, devo acrescentar que as brasileiras em Ipanema são bastante atraentes. Fogosa, a brasileira. Simpática. Pouco profunda e dai ser por vezes pouco interessante. Por vezes a simplicidade pode ser uma qualidade. Talvez discuta este ponto numa próxima ocasião.
Muitos conhecimentos travámos com: me dá seu celular... Inclusivamente encontrámos uma Sueca que estava em casa da Catarina em Copacabana (nossa anfitriã em Buenos Aires) e que vai estudar para Floripa. Coincidência brutal se pensarmos que estamos numas das cidades mais populosas do mundo. No fundo, o que acontece é que em qualquer lugar do mundo as pessoas acabam por se organizar por grupos relativamente pequenos e frequentar os mesmos sítios. Não obstante a coincidência incrível é claro. (Também está bom de ver que mais tarde nas 3 semanas que estive em Floripa não encontrei a Sueca, que vim a saber mais tarde era nossa vizinha. A vida tem destas coisas... Uma pena!). Tanto para dizer sobre os 10 dias no Rio, mas não às 13:42, numa paragem de autocarros em Resistência (pequena cidade nas pampas argentinas), antes de almoçar e com um cansaço, de quem não teve cama durante a noite no autocarro e sabe que a não a vai ter nas 12 horas seguintes à partida do autocarro para Salta prevista para as 18.30. Acrescento apenas então que poucas coisas podem ser tão cheias de estética e significado como subir um morro pelo meio de uma floresta tropical que coabita com uma das maiores concentrações humanas e chegar ao ponto mais alto onde se procurou colocar Jesus Cristo mais perto da sua morada eterna, sendo que essa morada é apenas um simbolismo para a sua verdadeira morada que é dentro de cada um de nós (não pretendo catequizar. É apenas uma imagem poética). Grande vista que se alcança lá de cima. Adoro aquele spot. Adorei ver de lá o por do sol, embora pouco claro, dada a densidade de nuvens tropicais. Irei acrescentar mais episódios sobre o Brasil no futuro próximo. Não só sobre aquilo que vivemos, mas também sobre aquilo que vimos, assim como conselhos para quem tiver a pensar lá ir. Continuo de seguida com uma breve referência ao presente na Argentina e aos meus planos para as próximas semanas.

Domingo, Fevereiro 27, 2005

 

A viagem comeca

Numa paragem de autocarros, algures na vasta planície Argentina, começo a escrever. Encontro apenas algumas razoes para o estar a fazer. No início desta viagem de 2 meses à América do Sul comprei um pequeno caderno no qual comecei a depositar alguns dos momentos que estava a viver assim como alguns pensamentos. No entanto, este método de contrariar o esquecimento a que estão consignados os momentos não registados nem em fotografia nem por escrito, acabou por não se revelar suficiente na medida em que nem sempre estava com o caderno a mão e escrever a mão hoje em dia faz pouco sentido e revela-se uma tarefa mais cansativa e menos precisa que escrever no computador. Por outro lado, um computador pode estar ao virara da esquina na parte mais recôndita do mundo como tenho podido verificar... E acima de tudo existe um estranho entusiasmo por sabermos que pelo menos existe uma probabilidade maior que zero a de alguém vir a ler aquilo que estamos a escrever. A orientação e sentido da escrita acabarão por ser diferentes daquilo que escrevo no caderno, mas escrever num Blog, por oposição ao meu caderno revela-se mais estimulante, como aliás tem revelado o Sousa pelo seu enorme interesse em escrever para terceiros. Aliás, do Bolg do meu companheiro de viagem Sousa, (A lei da espada) que me deu a ideia de iniciar este Blog sendo assim o seu padrinho, deriva o meu novo heterónimo: A lança.
Dito o motivo pelo qual começo a escrever este Blog está aberto a todas a crónicas que pretendo começar a escrever sobre esta viagem que estou a realizar. Falta-me finalmente explicar o título do Blog. A viagem eterna, ou em espanhol La viaje eterna, é uma alusão talvez demasiado poética ao processo continuo que é a Historia. Uma alusão ao fio condutor que nos leva de momento histórico em momento histórico sendo que cada pequeno acontecimento na vida de cada um têm relevância aos olhos da eternidade, tal como imagino que Deus a tenha pensado. Pretendo ainda dar um sentido de continuidade, para além do tempo da viagem, ao motivo concreto que me iniciou neste Blog. Até porque para mim viajar é um estado de espírito que embora mais intenso longe da sua terra, não se esgota nesse momento, num mundo global onde a viagem é cada vez mais uma imposição Histórica, que começou por levar o homem nómada ao sedentarismo, para o tornar novamente nómada.

Pedro Noronha da Camara, a partir de agora a Enigática Lança

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]